<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091</id><updated>2012-01-03T12:16:21.105Z</updated><title type='text'>O Holoscópio</title><subtitle type='html'>O Holoscópio revelará, numa perspectiva científica, a visão de quem se preocupa com o ambiente cultural, passado e presente, deste canto da Europa também conhecido como “jardim à beira mar plantado”</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>72</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-1344967845723128023</id><published>2009-05-01T15:07:00.007Z</published><updated>2009-05-01T21:19:20.689Z</updated><title type='text'>A investigação científica e a burocracia</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/SfsVULzeNzI/AAAAAAAAAfs/yJpvN_SAWns/s1600-h/Investig+burocracia.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5330878020433360690" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 253px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/SfsVULzeNzI/AAAAAAAAAfs/yJpvN_SAWns/s320/Investig+burocracia.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;A burocracia ─ a maior prova de desconfiança de um Estado para com os seus cidadãos ─ foi já identificada no passado como o grande obstáculo ao desenvolvimento científico. Com o objectivo de contorná-la, os docentes e investigadores universitários criaram no início da década de 1990 entidades, como fundações, associações, centros e institutos sem fins lucrativos e de utilidade pública, na esperança de poderem gerir de forma mais eficiente, flexível e rápida, verbas e estruturas destinadas à investigação científica. Mas a burocracia não se atemorizou e reforçou ainda mais o seu poder contra a actividade científica.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Bem ou mal justificados pela burocracia, os atrasos dos financiamentos e das decisões governamentais são barreiras impiedosas para o normal funcionamento da investigação científica. Não é invulgar a aprovação de um projecto, dois anos depois de ter sido submetido; não é invulgar chegar a primeira tranche do financiamento de um projecto muitos meses depois de o projecto se ter iniciado; não é invulgar a resposta a um pedido de esclarecimento demorar meses; não é invulgar serem pedidos esclarecimentos sobre projectos que terminaram há anos; não é invulgar ser-se informado da falta de elegibilidade de uma despesa dois anos depois de ter sido encerrado um projecto; não é invulgar receber verbas que deveriam ficar cativas até ao final do projecto mas que são devolvidas seis anos após o projecto ter sido concluído e o respectivo relatório final aprovado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não se espera que um burocrata entenda as necessidades e as urgências de uma actividade tão competitiva a nível internacional como é a investigação científica. Nem se espera que ele entenda que o coordenador de um projecto científico ou de uma instituição de investigação encara o seu trabalho com responsabilidade, empenho e dignidade ainda maiores que o próprio burocrata. Espera-se, no entanto, que o burocrata desempenhe a sua tarefa com bom senso e que os legisladores e os governos façam leis boas e ajustadas, o que realmente tem sido raro neste país. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-1344967845723128023?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/1344967845723128023/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=1344967845723128023&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/1344967845723128023'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/1344967845723128023'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2009/05/investigacao-cientifica-e-burocracia.html' title='A investigação científica e a burocracia'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/SfsVULzeNzI/AAAAAAAAAfs/yJpvN_SAWns/s72-c/Investig+burocracia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-2261210788391462599</id><published>2009-04-09T23:54:00.004Z</published><updated>2009-04-10T00:02:52.640Z</updated><title type='text'>Universidades ─ Escolas estatais ou Fundações ?</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/Sd6LWszACtI/AAAAAAAAAfU/tj8TGOTjl10/s1600-h/Esfera+Armilar.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5322845031696960210" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 221px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/Sd6LWszACtI/AAAAAAAAAfU/tj8TGOTjl10/s320/Esfera+Armilar.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Imediatamente após a Revolução Liberal de 1820 muito se discutiu sobre a necessidade de melhorar do ensino em Portugal. Apesar de poucas alterações se terem concretizado, surgiram nesta discussão ideias inovadoras e revolucionárias que poderiam ter radicalmente alterado o ambiente educacional do país. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em 1820 havia em Portugal uma única universidade que era independente do Estado; tinha receitas próprias e inteira autonomia ─ era uma espécie de “fundação” para usar a terminologia moderna.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Vejamos como esta situação era criticada em 1823 por Luiz Mouzinho da Silveira, um estrangeirado que vivia em Paris há alguns anos:&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Uma universidade proprietária de bens, fundos, direitos particulares ou outras quaisquer rendas é um monstro, é um estado no estado, é uma instituição essencialmente viciosa, a qual se pode oferecer certas vantagens debaixo do jogo de ferro do despotismo, é incompatível com os princípios de uma administração recta e liberal. […] O primeiro passo a dar para a reforma da instrução pública, consiste pois em destruir esta instituição radicalmente viciosa, em converter os seus bens e as suas rendas em bens e rendas nacionais, em pôr os empregados na instrução pública ao nível dos outros funcionários a quem a nação remunera de seus cofres o serviço que deles exige.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Anos depois de escrever este texto, Luiz Mouzinho da Silveira, teve responsabilidades políticas, como deputado e ministro, e, surpreendentemente, não tomou qualquer iniciativa para concretizar o seu plano revolucionário de “nacionalização” da universidade, o que só veio efectivamente a acontecer após a implantação da República, em 1911.&lt;br /&gt;Actualmente os governantes fazem-nos crer que o regime universitário que Luiz Mouzinho da Silveira tanto criticou é excelente e que deveria ser o modelo de todas as universidades portuguesas. Não nos explicam porquê, mas muitos supõem que eles querem apenas diminuir os gastos públicos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Estou certo que os ministros nunca leram o discurso de Mouzinho da Silveira, mas pelo menos conhecem os problemas das universidades privadas que se viram obrigados a encerrar recentemente. Como governantes responsáveis deveriam também saber que os portugueses, que ainda continuam a pagar altos impostos, entendem que é obrigação do Estado zelar pela independência democrática e pela qualidade do ensino superior.&lt;br /&gt;Dada a elevada auto-estima do governo, tudo leva a crer que a política da “fundacionalização” das universidades vai continuar … não para bem da nação mas dos políticos, que depois de reformados poderão mais facilmente sentar-se numa cátedra das novas universidades “fundacionalizadas”… &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-2261210788391462599?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/2261210788391462599/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=2261210788391462599&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/2261210788391462599'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/2261210788391462599'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2009/04/universidades-escolas-estatais-ou.html' title='Universidades ─ Escolas estatais ou Fundações ?'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/Sd6LWszACtI/AAAAAAAAAfU/tj8TGOTjl10/s72-c/Esfera+Armilar.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-7839369220249986455</id><published>2009-03-23T14:12:00.004Z</published><updated>2009-03-23T14:22:39.669Z</updated><title type='text'>Um episódio das invasões francesas em Portugal</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/SceZm07DOeI/AAAAAAAAAe8/sboigIlm8Q8/s1600-h/D+Jose+Maria+de+Mello+carta+C.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5316386777454557666" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 350px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/SceZm07DOeI/AAAAAAAAAe8/sboigIlm8Q8/s400/D+Jose+Maria+de+Mello+carta+C.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Tem sido uma constante histórica a invasão de países por exércitos auto-denominados libertadores que conseguem iludir os povos invadidos nos primeiros dias da ocupação. Todos nos lembramos das cenas televisivas onde se viam muitos iraquianos a saudar o exército americano nos primeiros dias da invasão do seu país. Os europeus mais idosos ainda se lembram da alegria incontida dos parisienses quando os exércitos nazis chegaram à capital francesa no início da 2ª Guerra Mundial. Os soldados franceses que entraram em Portugal na 1ª invasão napoleónica foram recebidos com indiferença e curiosidade mais do que com agrado.&lt;br /&gt;Como consequência dos inevitáveis abusos praticados pelas tropas, rapidamente os sentimentos de alegria ou de indiferença dos povos ocupados se transformam em sentimentos de hostilidade ou de ódio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 30 de Novembro de.1807 Junot entrava em Lisboa e a 13 de Dezembro ocorria o primeiro motim por causa do içar da bandeira francesa no castelo de S. Jorge. Com este acontecimento o Inquisidor Geral D. José Maria de Mello (1756-1818) “bispo titular do Algarve, inquisidor geral nestes reinos, e seus dominios, do conselho de sua magestade, e seu confessor, &amp;amp;c”, atento por dever de profissão à reacção das massas, pressentiu o mal-estar popular e tomou providências para manter a paz e harmonia entre o novo poder e o povo.&lt;br /&gt;Em 22 de Dezembro publicou uma carta dirigida a “todos os Fiéis da Santa Igreja Lusitana” solicitando-lhes que, para seu bem, respeitassem o invasor. À “Divina Providencia” deveriam agradecer “tantos e taõ continuos beneficios”, “sendo hum deles a boa Ordem, e quietaçaõ com que neste Reino tem sido recebido hum grande Exercito, o qual vindo em nosso soccorro, nos dá bem fundadas esperanças de felicidade”. Depois de elogiar “o General em Chefe, que o Commanda” lembra aos fiéis que “este Exercito he de Sua Magestade o Imperador dos Francezes e Rei de Italia, Napoleaõ o Grande, que Deos tem destinado para amparar, e proteger a Religiaõ, e fazer a felicidade dos Póvos”. Aconselha a todos os fiéis que respeitem as determinações de tão ilustre chefe pois, se assim fizerem, “naõ seraõ violadas as Clausuras das esposas do SENHOR; o Povo todo será feliz, merecendo taõ Alta Protecçaõ”. Que todos sigam as suas recomendações para cumprirem “fielmente com o que Nosso Senhor JESU CHRISTO tanto nos recommenda: Que vivaõ sujeitos aos que os governaõ, naõ só pelo respeito, que se lhes deve, mas porque a propria consciência os obriga”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para que os seus apelos fossem eficazes o Inquisidor Geral usava dos seus poderes para pôr a máquina da Inquisição a controlar as suas “ovelhas”:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Naõ Contentes Nós com esta diligencia, que por Nós mesmo Fazemos nesta Nossa Carta: Encarregamos mui encarecidamente aos Deputados do Conselho Geral, aos Inquisitores, e mais Ministros do Santo Officio, que com todo o desvelo, applicaçaõ, e efficacia concorraõ com a admoestaçaõ, com a exhortaçaõ, com a persuasaõ, assim como concorrem sem dúvida, e haõ de concorrer sempre com o exemplo, para que o mesmo socego, paz, e uniaõ naõ tenhaõ quebra ou mingua alguma, mas antes augmento sólido e constante.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como era habitual, a carta do Inquisidor Geral foi publicada e afixada nas igrejas dos distritos pelas “Mezas das Inquisições” e muito provavelmente terá sido lida em todas as missas pelos padres “regulares” que na carta eram aconselhados a dizer aos seus paroquianos que nunca seria em demasia “o socego” e a “paz” dos vencidos nem a “uniaõ” entre vencidos e vencedores.&lt;br /&gt;Com estas diligências ─ pensaria o Inquisidor Geral ─ o povo, tão habituado como estava a temer e a respeitar a Santa Inquisição, facilmente toleraria as tropelias dos soldados franceses. Enganou-se porém, porque, perante a prepotência e os abusos dos franceses, as revoltas começaram a surgir por todo o lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;D. José Maria de Melo acabou por integrar uma ilustre “Deputação Portuguesa” que, em nome do Reino, se deslocou a Baiona para cumprimentar Napoleão, cumprimento que aconteceu em 26 de Abril de 1808. Por causa das revoltas entretanto ocorridas em Espanha e Portugal, nenhum dos membros da deputação pôde regressar. Falharam redondamente os seus esforços para conter o patriotismo dos portugueses e para agradar ao imperador de França que aspirava ser o imperador da Europa. D. José de Melo só conseguir chegar a Lisboa em 1814 quando a França derrotada assinou finalmente a paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após a revolução liberal de 1820, dois anos após a morte de D. José Maria de Melo, a própria Inquisição acabou por ser derrotada e eliminada para alívio de todos os patriotas portugueses.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-7839369220249986455?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/7839369220249986455/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=7839369220249986455&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/7839369220249986455'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/7839369220249986455'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2009/03/um-episodio-das-invasoes-francesas-em.html' title='Um episódio das invasões francesas em Portugal'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/SceZm07DOeI/AAAAAAAAAe8/sboigIlm8Q8/s72-c/D+Jose+Maria+de+Mello+carta+C.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-4967470913769183007</id><published>2009-03-20T23:36:00.006Z</published><updated>2009-03-21T15:53:04.372Z</updated><title type='text'>Portugal ─ o país das empreitadas</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/ScQrgIMe5DI/AAAAAAAAAe0/5H75ZCdGpV4/s1600-h/Empreitada.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5315421291159675954" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 242px; CURSOR: hand; HEIGHT: 234px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/ScQrgIMe5DI/AAAAAAAAAe0/5H75ZCdGpV4/s320/Empreitada.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;Se a legislação é a imagem de um país, então Portugal parece ser o país das empreitadas. De facto, quando olhamos para as nossas leis ─ que o Presidente da República já designou de medíocres ─ todos ficamos desconfiados quando nos dizem o contrário. Há um ministro que nos afirmou ser Portugal um país de ciência, outro jurou-nos que Portugal exportava computadores fabricados no país e um outro acaba de nos prometer que vamos vender tecnologia de ponta a países de terceiro mundo. Mas ninguém acredita nestes discursos propagandísticos. A legislação convence-nos a todos, excepto aos ministros, que a construção civil é a única actividade existente no país pois é a única que merece ser legalmente regulamentada. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;As regras de aquisição de equipamentos e serviços pelo Estado para todas as outras actividades, incluindo a investigação científica, são as mesmas que se aplicam à construção civil. Noutras palavras, tudo se resume a empreiteiros e a empreitadas. De acordo com a actual lei, o processo burocrático para a reparação de um equipamento científico superior a 5 mil euros deve ser o mesmo que é aplicado para a reparação de uma rua ou de uma estrada. Todos os “papéis” e os papéis que se seguem devem ser escritos em Português porque se supõe ─ creio eu ─ que é a única língua que os empreiteiros compreendem. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os menos atentos poderão até pensar que uma tal importância dada à língua portuguesa será uma forma de promoção da língua no país e no estrangeiro. Compensar-se-ia desta forma eficaz e barata a pouca actividade do Instituto de Camões que, segundo parece, gastava demasiado dinheiro. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Deixemos porém a língua, que tão maltratada tem sido, e voltemos às empreitadas da investigação científica. Tomemos como exemplo o caso de um determinado equipamento científico ─ produzido e comercializado por uma empresa estrangeira ─ que avariou. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Para cumprir a lei, a primeira coisa a fazer é detectar a natureza da avaria, identificar as partes que devem ser substituídas e descrever o tipo de trabalho a ser executado. Esta primeira tarefa poderá ser apenas feita com competência pela empresa que forneceu o equipamento, mas enquanto não ganhar a adjudicação e não souber Português não poderá fazê-lo sem que incorra numa ilegalidade. Como se pagariam traduções, transportes e outras despesas sem primeiro se fazer a adjudicação? Com a lista fantasma assim “preparada” inicia-se a escrita do caderno de encargos, onde devem constar os critérios de adjudicação e onde devem ser identificadas as empresas a consultar. Aconselha-se a incluir outros detalhes de difícil cumprimento, como sejam os prazos de pagamento, para que o caderno fantasma seja um verdadeiro documento oficial. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Fica assim “concluída” a primeira parte do processo de reparação à qual muitas vezes não se segue mais nenhum. Muitas vezes não significa sempre... porque existe o famoso “desenrascanço” nacional capaz de “contornar” a legislação obtusa que os senhores deputados e governantes teimam em continuar a criar. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Talvez fosse elucidativo saber se tais senhores costumam reparar o seu leitor de DVDs Philips nos representantes da Sony, e, no caso de alguma vez o terem tentado fazer, qual o resposta que receberam. Não nego que esses senhores possam ter um centro multi-serviços no seu bairro. Ficar-lhes-ia muito grato se me indicassem um para reparar o laser e o espectrofotómetro que tenho avariados. Mas, por favor, não me tentem impingir o picheleiro ou o trolha que costumam levar lá a casa a mando do empreiteiro amigo.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-4967470913769183007?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/4967470913769183007/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=4967470913769183007&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/4967470913769183007'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/4967470913769183007'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2009/03/portugal-o-pais-das-empreitadas.html' title='Portugal ─ o país das empreitadas'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/ScQrgIMe5DI/AAAAAAAAAe0/5H75ZCdGpV4/s72-c/Empreitada.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-8357478669930729106</id><published>2008-12-27T01:55:00.004Z</published><updated>2008-12-27T02:09:42.196Z</updated><title type='text'>Ciência e Labor ─ o desemprego entre os doutorados portugueses</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/SVWMZssYukI/AAAAAAAAAd4/yDEpCyEwEA0/s1600-h/WattNewcomen2.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5284284110911093314" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 299px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/SVWMZssYukI/AAAAAAAAAd4/yDEpCyEwEA0/s400/WattNewcomen2.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O desfasamento entre a preparação académica dos cidadãos e as necessidades técnicas do país tem sido uma constante ao longo da história portuguesa. Os candidatos a um trabalho profissional não estão tecnicamente preparados para o desempenhar; não há candidatos adequados aos empregos disponíveis. Muitas vezes um contrato de trabalho não é acordado só porque a formação académica do candidato é superior àquela que o patrão deseja. Alguns afirmam que este desajustamento é um sintoma do atraso estrutural de que padecem a indústria, o comércio e os serviços portugueses. Outros acusam as escolas de elitismo, autismo e desprezo pela realidade laboral.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nesta época de globalização do conhecimento, as universidades portuguesas dão aos seus alunos conhecimentos cientificamente actualizados, mas as estruturas produtivas da nação aparentemente não precisam dessa competências. O desemprego ou sub-emprego instalam-se naturalmente entre os jovens saídos das universidades e muito particularmente entre os jovens doutorados …&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Esta última situação que começou há alguns anos depois do Estado português ter estimulado, de forma sistemática, a formação em massa de jovens intelectualmente promissores através de bolsas de estudo no país e no estrangeiro. As únicas instituições nacionais que absorviam estes profissionais qualificados eram as universidades, as escolas superiores e os centros de investigação científica, mas a capacidade de absorção destas instituições tem-se esgotado progressivamente. Com programas especiais de ajuda ao emprego qualificado, os governos tentaram estimular as indústrias a empregar doutores através de subsídios temporários às empresas, mas aparentemente esta política fracassou, porque as empresas não se entusiasmaram com o programa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Há mais de 200 anos, porém, foi tentada uma abordagem diferente perante um problema idêntico. Após a reestruturação da Universidade de Coimbra levada a cabo em 1772 pelo Marquês de Pombal, criou-se a Faculdade de Matemática, onde se dava formação matemática a alunos de vários cursos e onde se formavam matemáticos que não encontravam empregos. É de notar que estes homens adquiriam uma formação que os preparava para o exercício de actividades técnicas nas mais variadas áreas da engenharia. Qual foi a solução encontrada pelos políticos para não terem que encerrar a Faculdade de Matemática? ─ Criar postos de trabalho para os matemáticos…&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Um alvará de 1801 do reinado de D. João VI, assinado pelo 1º Conde de Linhares D. Rodrigo de Sousa Coutinho (1745-1812) ─ homem de elevada cultura e saber que foi sócio honorário da Academia Real de Ciências ─ enumerava várias instituições do Reino onde teriam que existir posições para matemáticos. Neste alvará se indicavam as tarefas que esses matemáticos deveriam realizar, as quais compreendiam as obras públicas de engenharia, a topografia, a cartografia e o ensino da matemática, entre outras. O referido alvará termina desta forma:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Alvará, pelo qual Vossa Alteza Real, querendo animar os estudos da Faculdade de Mathematica, honrar, e premiar os Professores, Doutores, e Bacharéis formados della: Ha por bem Ordenar, e Estabelecer, que nos Conselhos da Sua Real Fazenda, do Ultramar, Almirantado, e Real Junta do Commercio, Agricultura, Fabricas, e Navegação destes Reinos, e seus Dominios haja sempre, pelo menos, hum Lugar destinado para os Professores de maior merecimento da mesma Faculdade; e crear os Lugares de Cosmografos das Comarcas destes Reinos, para os Graduados, e Bachareis Formados em Mathematica, excitando, e mandando observar o que a favor delles se acha determinado nos Estatutos da dita Faculdade, tudo na forma assima declarada.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Esta foi uma política de criação administrativa de quadros superiores nas instituições públicas que os não tinham e que deles necessitavam para prosseguir o desenvolvimento nacional que os políticos tinham delineado. Os habilidosos ─ alguns deles bastantes competentes ─ que até aí ocupavam alguns dos referidos lugares não deixaram de ser contemplados no próprio alvará:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Bem entendido porém, que não he da Minha Real Intenção excluir de modo algum aquelles Homens de talentos extraordinarios, que ainda que não sejão Graduados, possão, e mereção ser empregados em semelhantes Intendências, e Inspecções.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Com esta medida resolveu-se o problema do emprego dos matemáticos e da manutenção da Faculdade de Matemática, e aumentaram-se as competências técnicas do Reino. Uma medida inteligente que os políticos de há 200 anos souberam implementar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Seria bom que os políticos actuais inventassem medidas imaginosas e eficazes para resolver o problema dos doutorados em Portugal. Dir-nos-ão que o mercado deve ser “rei e senhor” … Porém há excepções mesmo para aqueles que defendem e usam para benefício próprio as leis do mercado livre. Veja-se o caso dos bancos e da indústria automóvel que as leis do mercado livre condenaram à falência mas que os governos e os defensores dessas mesmas leis tentam evitar a todo o custo! …&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-8357478669930729106?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/8357478669930729106/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=8357478669930729106&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/8357478669930729106'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/8357478669930729106'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2008/12/cincia-e-labor-o-desemprego-entre-os.html' title='Ciência e Labor ─ o desemprego entre os doutorados portugueses'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/SVWMZssYukI/AAAAAAAAAd4/yDEpCyEwEA0/s72-c/WattNewcomen2.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-7238089815550290309</id><published>2008-12-20T01:10:00.002Z</published><updated>2008-12-20T01:15:35.920Z</updated><title type='text'>O estado actual da Ciência portuguesa</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/SUxGkr7ZPVI/AAAAAAAAAdo/GnEbDfR9AWA/s1600-h/Phaeodaria.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5281674059079826770" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/SUxGkr7ZPVI/AAAAAAAAAdo/GnEbDfR9AWA/s400/Phaeodaria.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;De vez em quando, os investigadores científicos que trabalham em Portugal ficam surpreendidos com o que lêem nos jornais sobre o estado da ciência portuguesa. São aumentos de investimentos excepcionais do Estado de que os investigadores nem se apercebem; são investimentos maciços de empresas a que nenhum deles consegue deitar mão. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Há poucos dias, os portugueses foram informados (Expresso, 13 de Dezembro) que Portugal, depois de séculos de esforços infrutíferos, se encontra finalmente na “liga dos países que fazem ciência”, isto é, no campeonato mundial ─ para falarmos em termos futebolísticos. Conseguido este estatuto, o grande desafio é agora ganhar o campeonato porque “a partir daqui a competição internacional vai tornar-se mais dura e exigente”. É que as dificuldades são maiores na nova liga.&lt;br /&gt;Segundo nos informa o Expresso, as condições de trabalho dos investigadores científicos que trabalham em Portugal são iguais às de Itália e de Espanha e aproximam-se, a largos passos, das da Irlanda. O sonho irlandês finalmente está ao nosso alcance porque os investimentos em I&amp;amp;D das empresas nacionais já ultrapassaram a despesa do Estado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Somos ainda informados que as empresas mais activas no esforço científico são as da energia, das comunicações, dos serviços financeiros e dos seguros, bem como a indústria automóvel e os serviços de informática. Faltou esclarecer que tipos de projectos estão abrangidos pela rubrica I&amp;amp;D e quais foram os resultados deste esforço, mas isto, provavelmente, não é relevante para o fim em vista.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;De entre os resultados obtidos deverão estar certamente as inovações nacionais introduzidas nas centrais eólicas e solares recentemente instaladas no país; o design dos telemóveis de 5ª geração; a solução da crise financeira internacional; os métodos de seguro inovadores que, na presente crise, livraram da falência grandes empresas; os processos que levarão à reestruturação da indústria automóvel americana e, principalmente, o supercomputador Magalhães.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Segundo o Expresso, os únicos insucessos deste hercúleo esforço nacional de I&amp;amp;D são a industria química ─ muito provavelmente porque já tudo foi descoberto, digo eu ─ e “a construção e a indústria de equipamentos”, que desafortunadamente não mereceram a atenção devida dos nossos investidores em I&amp;amp;D.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Com um panorama tão brilhante e promissor para o I&amp;amp;D nacional, vamos ultrapassar esta crise com uma perna às costas, os cientistas portugueses não vão ter mãos a medir para gastar os investimentos do Estado e das empresas e em breve ─ como todos esperam ─ teremos um novo Nobel português.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Apesar de absorvidos por toda esta actividade, talvez possamos ainda dar uma mãozinha aos nossos “hermanos” aqui do lado, ajudando-os a construir mais meia dúzia de Laboratórios Ibéricos de que eles tanto necessitam para o seu desenvolvimento científico e industrial. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-7238089815550290309?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/7238089815550290309/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=7238089815550290309&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/7238089815550290309'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/7238089815550290309'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2008/12/o-estado-actual-da-cincia-portuguesa.html' title='O estado actual da Ciência portuguesa'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/SUxGkr7ZPVI/AAAAAAAAAdo/GnEbDfR9AWA/s72-c/Phaeodaria.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-246872329849222512</id><published>2008-12-12T23:54:00.005Z</published><updated>2008-12-14T22:21:53.238Z</updated><title type='text'>As causas do insucesso escolar ─ há 60 anos e hoje</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/SUL7nT_q0yI/AAAAAAAAAdg/5f74x6ZM30Y/s1600-h/Best+students+2R.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5279058366032433954" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 268px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/SUL7nT_q0yI/AAAAAAAAAdg/5f74x6ZM30Y/s400/Best+students+2R.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;Os professores portugueses andam numa angústia crescente por causa do mau desempenho académico dos seus alunos. É que, mais tarde ou mais cedo, este será um parâmetro de avaliação dos próprios professores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em épocas em que não havia este perigo eminente, houve quem se preocupasse genuinamente em tentar perceber as causas desse insucesso. O médico escolar José de Paiva Boléo (1900-1976) publicou há 60 anos o texto de uma conferência sobre as “Causas do insucesso escolar” relativa ao ensino liceal, que tinha proferido na Liga Portuguesa de Profilaxia Social, no Clube dos Finianos, no Porto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta publicação, começa por apresentar as causas apontadas por “espíritos simplistas”:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Têm notas negativas porque os rapazes de hoje não estudam nada. São os desportos, o cinema, as leituras romanescas ou policiais, as diversões, tudo a afastar os rapazes do estudo. Os estudantes de hoje são cábulas, são preguiçosos.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E também as causas defendidas por “alguns mais pessimistas":&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Há um abastardamento da raça, provocado pelas guerras e pela crise de alimentação, que têm a sua repercussão no estudo. Como hão-de estudar, se os rapazes são mal alimentados?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;José da Paiva Boléo discordava sobretudo dos primeiros e comentava:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Alunos cábulas, alunos preguiçosos! Como é fácil este rótulo, mas injusto ou impreciso! Podemos até afirmar que, na nossa opinião, não há alunos preguiçosos.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Procurando encontrar as verdadeiras causas do insucesso escolar, Paiva Boléo começa por relatar algumas doenças físicas que detectara em grande número de estudantes (defeitos visuais não corrigidos, perturbações glandulares, infecções das mais variadas), doenças do espírito (prática de vícios sexuais, técnicas de estudo deficientes, alterações psicológicas) e muitas deficiências nas instalações escolares (iluminação deficiente, mobiliário inapropriado e desconfortável). Em sua opinião, estas situações eram causas mais que suficientes para um desempenho escolar insuficiente.&lt;br /&gt;Detectou ainda outras causas tais como o mau ambiente familiar causado pelos pais ─ a obsessão pelo diploma dos filhos, o menosprezo pela educação séria, a tirania e a violência familiares ─ ou o facto de uma percentagem significativa de alunos “frequentar os liceus por engano”:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Os pais desejariam que eles fossem doutores; mas eles desejam ser comerciantes, industriais, técnicos, agricultores, artistas …&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Paiva Boléo, reconhecendo não ser um especialista em programas de estudo, defende, no entanto, que o ensino deve ser menos intensivo e mais personalizado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Em lugar de mais aulas, seria preferível turmas mais pequenas. O rendimento escolar seria muito maior. A redução das férias afigura-se-me mesmo uma medida antipedagógica.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Acha ainda que “a dispersão de espírito, o saltitar dum assunto para outro, o estudo a correr, apressado, de «chauffage», só para alcançar a menor nota possível, para passar, além de não ilustrar a inteligência e desenvolver as faculdades mentais, exerce sobre o psiquismo do aluno um traumatismo pernicioso”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de uma análise bastante minuciosa apresenta um conjunto de “Remédios contra o mal”: implementar um serviço eficaz de medicina escolar; incutir nos alunos meios de auto-suficiência e independência, bem como o espírito nórdico do fair-play, do humor e do self-control; e finalmente tentar cortar pela raiz “a aspiração máxima dos portugueses de serem empregados do Estado, para depois se queixarem, e com razão, do patrão que lhes paga mal”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nestes últimos 60 anos não foram eliminadas muitas das causas antigas do insucesso escolar. Às causas herdadas do passado vieram juntar-se mais, com não menos importância que as primeiras. Nem umas nem outras parecem ter fim à vista, e a educação dos portugueses em vez de progredir parece regredir continuadamente, hoje tal como há 60 anos! ... A este ritmo não tardará que atinjamos o nível da educação do homem das cavernas, com a diferença de estarmos rodeados de equipamentos informáticos e de multimédia … &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-246872329849222512?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/246872329849222512/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=246872329849222512&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/246872329849222512'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/246872329849222512'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2008/12/as-causas-do-insucesso-escolar-h-60.html' title='As causas do insucesso escolar ─ há 60 anos e hoje'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/SUL7nT_q0yI/AAAAAAAAAdg/5f74x6ZM30Y/s72-c/Best+students+2R.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-8169145597215688576</id><published>2008-12-05T23:53:00.007Z</published><updated>2008-12-06T00:16:54.711Z</updated><title type='text'>Ciência e Religião ─ Que Relação?</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/STnBmIPUPyI/AAAAAAAAAdI/-LLbe5VX3Wc/s1600-h/Escada+Fluk.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5276461299232161570" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 293px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/STnBmIPUPyI/AAAAAAAAAdI/-LLbe5VX3Wc/s320/Escada+Fluk.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;Um debate na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto sobre o tema “&lt;em&gt;Ciência e Religião: Uma Relação (Im)possível&lt;/em&gt;?” juntou, surpreendentemente e contra as expectativas da maioria dos presentes, algumas centenas de pessoas. O tema, embora muito polémico no passado, parece não ser actualmente um tema entusiasmante de debate, mas a numerosa e interessada assistência, onde a juventude dominou, contrariou essa impressão.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Durante dois mil e quinhentos anos, tem sido muito discutida a possibilidade ou impossibilidade de uma relação pacífica entre Ciência e Religião. Os antigos filósofos gregos foram os primeiros a sentir as dificuldades dessa relação. As causas naturais que eles atribuíam aos fenómenos naturais chocavam com as explicações sobrenaturais que a Religião lhes dava. Assim, cedo se compreendeu a origem das dificuldades de um bom relacionamento: o conhecimento científico da Ciência contrariava o conhecimento revelado da Religião.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A importância relativa dada a estas duas formas de conhecimento ─ se ao último se pode chamar conhecimento … ─ foi-se alterando ao longo dos séculos. Na Idade Média dominou confortavelmente o conhecimento revelado. Nesta época, a religião cristã, dominadora da cultura ocidental, tudo controlava incluindo o conhecimento. Movimentos culturais fora do paradigma religioso eram combatidos como heréticos e alguns dos seus seguidores perderam a vida por defenderem ideias diferentes. A situação modificou-se, porém, quando despontou no início do século XVII a chamada ciência moderna. Com a valorização lenta, mas crescente, do conhecimento científico, o conhecimento revelado começou a perder crédito. As próprias bases da Religião foram testadas e contestadas. Com esta atmosfera tão desfavorável à Religião, esgrimiram-se e brandiram-se armas com maior intensidade de um lado e do outro. A Revolução Francesa, adoptando os princípios racionais da Ciência, desprezou e espezinhou a Religião. O ateísmo ganhou adeptos e os valores sociais com origens religiosas foram reformulados, inspirando-se numa consciência cívica de origem profana, fundamentada na liberdade, igualdade e fraternidade. Na segunda metade do século XIX, a teoria da evolução causou talvez a maior polémica científico-religiosa de que há memória. A guerra foi feroz. Saiu vencedor o conhecimento científico, iniciando-se um período de dominância cultural da Ciência sobre a Religião.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Hoje vemos responsáveis religiosos a afirmar que a Bíblia não pode, de modo algum, ser considerada uma fonte de conhecimento; que a Religião deve respeitar o conhecimento científico e não insistir em explicações ridículas sobre a criação do mundo e das coisas; que a imagem de Deus, que a tradição religiosa construiu ao longo de séculos, é um disparate; que Deus não está no céu, mas dentro e fora deste mundo, à nossa volta e dentro nós; que a Religião deve limitar-se aos domínios inacessíveis à Ciência. Com esta visão religiosa moderna, a relação entre Ciência e Religião não só é possível como poderá ser útil àqueles de cuja constituição íntima ─ fisiológica ou psicológica ─ faz parte o sobrenatural. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Julgo, porém, que esta nova religião é de tal forma estilizada que só aqueles que tiverem uma cultura científica a poderão entender e praticar. Enquanto esta cultura não existir na mente de todos os homens, haverá sempre lugar para a superstição e para práticas e crenças religiosas ridículas. Continuará a explorar-se a ignorância e a fé de gente simples, em benefício de instituições respeitáveis e de oportunistas. A necessidade de uma cultura científica universal é uma condição necessária para o desenvolvimento da Religião verdadeira e para um convívio salutar e frutuoso entre Ciência e Religião. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-8169145597215688576?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/8169145597215688576/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=8169145597215688576&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/8169145597215688576'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/8169145597215688576'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2008/12/cincia-e-religio-que-relao.html' title='Ciência e Religião ─ Que Relação?'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/STnBmIPUPyI/AAAAAAAAAdI/-LLbe5VX3Wc/s72-c/Escada+Fluk.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-1207873044516933769</id><published>2008-11-30T00:42:00.009Z</published><updated>2008-11-30T02:07:35.448Z</updated><title type='text'>O que será o mundo no ano 3000</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/STHpUiiuJOI/AAAAAAAAAc4/q9pyhUSJeA0/s1600-h/Mundo+ano+3000.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5274253177706652898" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 240px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/STHpUiiuJOI/AAAAAAAAAc4/q9pyhUSJeA0/s400/Mundo+ano+3000.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;O Que Ha De Ser o Mundo no Anno Tres Mil&lt;/em&gt; é o título de um livro publicado em Lisboa em 1859, cujo autor não declarado é Sebastião José Ribeiro de Sá (1822-1865), jornalista, fidalgo, comendador, e representante oficial do Estado no país e no estrangeiro. Este livro é uma versão adaptada ou imitação, destinada aos leitores portugueses, do livro de Émile Souvestre &lt;em&gt;Le Monde Tel qu’il Sera&lt;/em&gt; publicado em Paris no ano de 1846. Considerado um pioneiro da ficção científica, Souvestre antecipou-se a Júlio Verne cerca de 20 anos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Enquanto que na obra de muitos autores o progresso científico e tecnológico representa progresso social, ético e moral, a sociedade descrita neste livro beneficia de um extraordinário desenvolvimento tecnológico mas rege-se por princípios subordinados ao dinheiro fácil, aos lucros chorudos e à exploração e especulação.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Ribeiro de Sá era um entusiasta do desenvolvimento tecnológico que defendia aliás para o seu país e, por isso, há quem se interrogue porque razão ele terá escrito este livro com uma imagem tão negativa ligada à tecnologia. No século XIX, tal como hoje, as novas tecnologias levantavam receios e medos não porque elas fossem intrinsecamente maléficas mas porque a ambição humana nisso as poderia transformar. Provavelmente, Ribeiro de Sá terá tentado alertar para essa possibilidade ridicularizando neste livro os valores por que se regia a grotesca sociedade do ano 3000.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;A história que se conta é simples. Um jovem casal parisiense do séc. XIX deixa-se seduzir pelo desejo de viver no futuro. Os dois jovens aceitam ser adormecidos por Sir John Progresso e por ele mesmo reanimados centenas de anos mais tarde, o que efectivamente acontece no ano 3000 na presença do Sr. Manuel Fogaça, comerciante de antiguidades e dono da &lt;em&gt;Fogaça &amp;amp; Cª&lt;/em&gt;, que explorava o mundo antigo à procura de velharias….&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Mauricio e Marha, assim se chamavam os jovens amantes, encontram uma sociedade organizada num estado global, a &lt;em&gt;Republica dos Interesses-Unidos&lt;/em&gt;, cujo centro civilizacional se achava na &lt;em&gt;Ilha do Negro Animal&lt;/em&gt;, a que antigamente se chamara Taiti, e cuja capital era a cidade &lt;em&gt;Sem Egual&lt;/em&gt;… Nas suas muitas viagens e visitas foram acompanhados pelo ilustre académico o Sr. Universal a quem foram vendidos pelo Sr. Fogaça, e que entre muitos cargos era “vogal de quatorze mil setecentas e trinta e quatro comissões, das quaes dois terços, como a maioria das comissões em Portugal, nunca se tinham reunido”.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Em contraste com os trajes simples e muito económicos dos exóticos, feios, grotescos e monstruosos cidadãos da &lt;em&gt;Republica dos Interesses-Unidos&lt;/em&gt;, os meios de transporte ─ tendo como força motriz o vapor ─ eram sofisticados e rapidíssimos. Em terra viajava-se por túneis em cápsulas lançados por canhões e no mar em submarinos, com formas de peixes, que por vezes naufragavam devido aos choques com gigantescos cetáceos que habitavam o fundo dos mares. Nas cidade &lt;em&gt;Sem Igual&lt;/em&gt; viajava-se pelo ar usando balões e sapatos a vapor. As viagens eram tão rápidas que “viajar consistia em partir e chegar”. O cavalo constituía para as altos dignitários do governo um nobilíssimo meio de transporte porque estes não precisavam de se apressar para fazer os seus lucrativos negócios.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Mauricio e Marha, as duas relíquias vivas do passado, admiraram-se com a casa do Sr. Universal, totalmente automatizada desde a cozinha até aos quartos. Tudo se podia controlar com alavancas que comandavam as máquinas que tudo faziam para a comodidade dos cidadãos abastados. O jornal mais lido da Republica, a &lt;em&gt;Grande Peta&lt;/em&gt;, era distribuído – tal como o correio, em geral ─ em canalizações por vácuo desde o centro de produção até às mãos dos leitores que podiam seleccionar as partes que lhes interessava ler ─ uma espécie de Internet mecânica controlada pelo vapor …&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Todo o serviço que não fosse feito por máquinas era um luxo que se pagava caríssimo. A conta de um serviço de copo de água pedido pelo Sr. Universal numa estalagem era elucidativamente explicativa: “por tres comprimentos do guarda-portão com alabarda $240, pelo criado com cadêa de oiro $400, pelo criado que abriu a porta da sala $080, aluguer da lista de aguas $040, bandeja $030, garrafa $035, copo $045, agua da fonte [a escolhida pelo Sr. Universal] 1$000, meza e bancos [para a pessoa servida e acompanhantes] $800, serviço $400, total 3$070”! …&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Os vendedores dos mais extravagantes produtos apinhavam-se junto dos possíveis compradores, não descansando enquanto a sua insistência não tivesse algum resultado financeiro que se visse. O Sr. Palafox vendia aos vaidosos narizes postiços, aos pastores protestantes bíblias e aos gulosos receitas de chocolate, mel e açúcar, falsificadas com produtos tóxicos. Através das suas observações o Sr. Telescópio tinha descoberto habitantes na Lua. De imediato a empresa dos novos telégrafos eléctricos elaborou um projecto comercial para estabelecer contacto com os "lunáticos". O Sr. Palafox tentava vender acções desta empresa de alta tecnologia, apresentando aos possíveis investidores um folheto publicitário: “Telegraphos trans-aereos ─ ás pessoas que tem dinheiro disponivel ─ capital social: cem contos de réis ─ lucro seguro: dez mil contos de réis”…&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Dominada exclusivamente pelo interesse material, a &lt;em&gt;Republica dos Interesses-Unidos&lt;/em&gt; cuidava das crianças desde o nascimento na &lt;em&gt;Casa da Mama&lt;/em&gt;, onde o leite era artificial e as mamas maternais eram substituídas por máquinas a vapor. As crianças ocupavam a sua gaiola até à idade da desmama, altura em que lhes eram feitos testes frenológicos para avaliar as suas capacidades e vocações e rigorosamente definir a educação que lhes deveria ser dada na &lt;em&gt;Universidade das Vocações Unidas&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Do ensino popular “retirava-se tudo quanto não tivesse applicação pratica e immediata” ensinando-se a “arithmetica” para saber fazer contas e “um resumo do Codigo Commercial” para saber negociar. Os operários velhos acabavam num asilo “onde aproveitavam o resto da sua força até ao momento da agonia”. Os seus cadáveres eram “entregues ao escalpelo dos estudantes de cirurgia por um preço modico, pois assim como o berço dos filhos não dava cuidado aos paes, tambem a sepultura dos paes não importava aos filhos”.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;A cultura tinha também o seu preço (tal como hoje em Portugal ! …). O Sr. Pretorio, o director da &lt;em&gt;Grande Peta&lt;/em&gt;, não podia ser mais claro:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Na capital da nossa republica a bibliotheca nacional é para ser sustentada, e não gosada pelo publico&lt;/em&gt; […] &lt;em&gt;Haverá tres seculos que os empregados trabalham no cathalogo, classificam cem volumes por mez, e recebem mil dos depozitos para o mesmo effeito. O edifício já esteve para abater com o peso, e se não fossem os ratos e os alfarrabistas emprezarios dos caminhos de ferro, não estaria aliviado da parte do pezo que ia causar a sua ruina. A policia prohibe a entrada das bengalas e chapeos de chuva e auctorisa a saida de livros.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Portugal no ano 3000 era uma região atrasada da &lt;em&gt;Republica dos Interesses-Unidos&lt;/em&gt;. Segundo o Sr. Peregrinus que a visitara, esta província era habitado por portugueses anões, pois “o egoismo e a inveja foram-lhes encolhendo o corpo, à proporção que amesquinhavam a alma; e a raça portugueza ao cabo de quatorze seculos fizera uma realidade da ficção de Gulliver”. Um anão português teria explicado ao Sr. Peregrinus que a sua pequenez era uma degenerescência da raça, visto que já no século XIX “não podiam ás vezes dois, nem mais homens, com as armaduras de alguns dos seus reis ou antigos heroes”.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Neste Portugal do ano 3000 “o systema de governo era anarchico, e a liberdade era livre. Cada um fazia o que queria e sobrava-lhe tempo para se divertir”. “A instrucção publica tinha grande desenvolvimento. Em cada rua havia duas aulas criadas por lei”. “O commercio prosperava pela usura”. O Artº 1 da Lei dos Impostos era claro: “todo e qualquer cidadão, de qualquer sexo, idade ou condição, macho ou femea, maior ou menor, rico ou pobre, é obrigado a contribuir forçadamente dez vezes por mez com dez réis para a caixa do imposto nacional”. E assim se arrecadava para os cofres do Estado uma receita anual de 37,707,442,800 (réis).&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Depois de conhecerem esta civilização da &lt;em&gt;Republica dos Interesses-Unidos&lt;/em&gt; “onde o homem se tornara escravo da machina e o interesse substituira o amor” e onde os “doidos” eram os únicos que ainda tinham alguns resquícios dos valores humanos do séc. XIX, Martha a Mauricio “estavam aflitos”. Depois de adormecerem, tiveram uma visão em que Deus, desgostoso com os abusos dos homens, resolveu enviar três anjos para aniquilar a Terra. “Viram abater os porticos, transbordar os rios, os incendios rolarem sobre o mundo em ondas de fogo, e o genero humano fugir da destruição geral”.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-1207873044516933769?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/1207873044516933769/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=1207873044516933769&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/1207873044516933769'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/1207873044516933769'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2008/11/o-que-ser-o-mundo-no-ano-3000.html' title='O que será o mundo no ano 3000'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/STHpUiiuJOI/AAAAAAAAAc4/q9pyhUSJeA0/s72-c/Mundo+ano+3000.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-7964822183976570734</id><published>2008-11-22T00:36:00.007Z</published><updated>2008-11-22T22:14:06.194Z</updated><title type='text'>O manto da anti-invisibilidade</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/SSdX73ECTdI/AAAAAAAAAUw/rxCpQXMvoSk/s1600-h/Anti-Cloak.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5271278574765231570" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 239px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/SSdX73ECTdI/AAAAAAAAAUw/rxCpQXMvoSk/s320/Anti-Cloak.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;Para contrariar os efeitos do manto da invisibilidade de que falei anteriormente, os cientistas acabaram de criar o manto da anti-invisibilidade. A proposta vem dos cientistas Huanyang Chen, Xudong Luo, Hongru Ma e C.T. Chan, investigadores em duas universidades chinesas. Assim, ao manto da invisibilidade, que se encontra ainda numa fase tecnológica embrionária, contrapõe-se já um manto da anti-invisibilidade, que, de acordo com a solução proposta, deverá ser colocado por baixo do primeiro para produzir o efeito desejado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convenhamos que não é muito prática a solução encontrada. O homem invisível que deseje revelar-se não poderá fazê-lo cobrindo-se comodamente com o novo manto …. Terá que arranjar uma forma de introduzi-lo por baixo do primeiro. Para contrariar este inconveniente, teremos pois que descobrir o segredo de mudar de roupa de forma super-rápida para que a operação de mudança não seja perceptível ao observador !… Mas haverá possibilidades de este novo problema poder ser resolvido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal como já se consegue esconder uma porção de espaço com o manto da invisibilidade, não será também possível, com estudo e persistência, apagar o intervalo de tempo durante o qual o homem invisível possa mudar de roupa sem que ninguém se aperceba? Ao leitor menos atento tudo isto parecerá ridículo ou no mínimo fantasioso…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história da ciência ensina-nos, porém, que algumas descobertas que se tornaram pilares do desenvolvimento tecnológico pareciam ser, nos seus primórdios, simples brincadeiras inúteis. Ensina-nos também que aquilo que parecia ser impossível se transformou de repente numa banalidade. Quando perguntaram a Faraday para que servia a electricidade, este terá respondido: já alguma vez perguntaram para que serve uma criança?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São mentes limitadas aquelas que pensam que a ciência só deve produzir coisas imediatamente úteis, tanto para a saúde como para a economia. Esta limitação mental está a invadir as cabeças dos nossos gestores e governantes … É pena que se desperdicem oportunidades para realizar verdadeiras mudanças ─ ou reformas, como agora se diz ─ cortando à Ciência as asas que lhe permitem voar no mundo da fantasia! … &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-7964822183976570734?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/7964822183976570734/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=7964822183976570734&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/7964822183976570734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/7964822183976570734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2008/11/o-manto-da-anti-invisibilidade.html' title='O manto da anti-invisibilidade'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/SSdX73ECTdI/AAAAAAAAAUw/rxCpQXMvoSk/s72-c/Anti-Cloak.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-5538709073384954499</id><published>2008-10-11T17:09:00.009Z</published><updated>2008-10-11T17:36:47.159Z</updated><title type='text'>Invisibilidade ─ Sonho ou Realidade ?</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/SPDgOF2H7YI/AAAAAAAAAUI/XBAXWfysPQk/s1600-h/objecto+Capa+F.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5255947297833348482" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/SPDgOF2H7YI/AAAAAAAAAUI/XBAXWfysPQk/s320/objecto+Capa+F.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div&gt;A juventude eterna e a invisibilidade são sonhos que têm preenchido a imaginação da Humanidade desde os tempos mais remotos até os nossos dias. Imitando a alquimia e a magia, a ciência moderna promete concretizá-los através da biotecnologia, o primeiro, e da fotónica, o segundo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os primeiros passos para concretizar a invisibilidade foram dados há exactamente 40 anos quando o físico russo Viktor Veselago publicou um artigo teórico intitulado “&lt;em&gt;A electrodinâmica das substâncias com valores simultaneamente negativos de epsilon e miu&lt;/em&gt;”. Apesar deste artigo ser cientificamente sólido e inovador e do seu autor ter retirado conclusões verdadeiramente surpreendentes, poucos lhe deram importância e rapidamente foi esquecido ─ é que as substâncias negativas de que falava Veselago simplesmente não existiam…&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em 2000, 32 anos depois da referida publicação, o físico inglês John Pendry publicou um outro artigo intitulado “&lt;em&gt;Refracção negativa produz uma lente perfeita&lt;/em&gt;”. Para além de recordar as bases teóricas e as especificidades funcionais dos meios com índice de refracção negativo de que falara Veselago, Pendry demonstrou teoricamente que alguns deles podiam amplificar as ondas evanescentes. Estas ondas produzidas pelos corpos iluminados têm características muito particulares: desaparecem a curtas distâncias (da ordem do comprimento de onda) e não chegam por isso a propagar-se. Uma lente que seja capaz de captá-las e de amplificá-las produzirá imagens “&lt;em&gt;perfeitas&lt;/em&gt;” e, portanto, pode denominar-se uma “&lt;em&gt;lente perfeita&lt;/em&gt;”.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A “&lt;em&gt;lente perfeita&lt;/em&gt;” de Pendry provocou de imediato muita discussão na comunidade científica dos físicos e estimulou os experimentalistas a criá-la nos laboratórios. Depois de muitas fórmulas e de resultados experimentais convincentes, concluiu-se que uma "&lt;em&gt;lente perfeita"&lt;/em&gt; é teoricamente possível, que é igualmente possível construir uma lente mais perfeita do que uma lente convencional, mas que, apesar de tudo, uma “&lt;em&gt;lente perfeita&lt;/em&gt;” real não é perfeita. A esta lente chamou-se “&lt;em&gt;superlente&lt;/em&gt;”. Identificaram-se algumas causas das suas imperfeições e planearam-se formas de as eliminar. Actualmente continuam os estudos para criar uma &lt;em&gt;superlente&lt;/em&gt; que se aproxime o mais possível da perfeição. Dela estão à espera a microscopia e a microlitografia.&lt;br /&gt;Em paralelo com o desenvolvimento das superlentes, o estudo dos meios negativos continuou e tornou-se um objectivo científico atraente. Descobriu-se que entre os meios negativos se encontram os “&lt;em&gt;metamateriais&lt;/em&gt;” ─ meios artificiais, que não se encontram na Natureza e que prometem concretizar fenómenos exóticos que estamos habituados a ver apenas no mundo da ficção científica.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Uma destas aplicações (de que aliás se falou há algum tempo nos meios de comunicação social) é a invisibilidade. Na sequência de estudos teóricos, numéricos e experimentais já se demonstrou, experimentalmente, ser possível tornar invisível à radiação de micro-ondas um corpo opaco, desde que esteja envolvido por uma capa feita de metamateriais. Esta capa metamérica não difunde a radiação nem provoca sombra e torna por isso invisível o corpo envolvido.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ainda não se demonstrou ser possível escondermo-nos de olhos indesejáveis em quaisquer circunstâncias, mas há uma esperança científica, bem fundada na fotónica, de que um dia, não muito longínquo, tal sonho se torne realidade! … &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-5538709073384954499?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/5538709073384954499/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=5538709073384954499&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/5538709073384954499'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/5538709073384954499'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2008/10/invisibilidade-sonho-ou-realidade.html' title='Invisibilidade ─ Sonho ou Realidade ?'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/SPDgOF2H7YI/AAAAAAAAAUI/XBAXWfysPQk/s72-c/objecto+Capa+F.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-232730626759870346</id><published>2008-07-31T15:28:00.005+01:00</published><updated>2008-12-11T11:01:49.359Z</updated><title type='text'>O preço da cultura nas bibliotecas públicas portuguesas</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/SJHOa9extMI/AAAAAAAAAT4/8_bJ9MZv6Ec/s1600-h/Occulus+Sheiner.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5229187604929426626" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/SJHOa9extMI/AAAAAAAAAT4/8_bJ9MZv6Ec/s320/Occulus+Sheiner.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Na mente de muitos portugueses existe ainda a ideia de que as bibliotecas públicas são instituições criadas pelo Estado com o objectivo de proporcionarem aos cidadãos cultura “tendencialmente” gratuita ... Não se perceberia que fosse de outra forma … No entanto, no caso das bibliotecas portuguesas, essa ideia é mais uma utopia do que uma realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A onda economicista que varre de lés-a-lés este “cantinho à beira mar plantado” tem obrigado os portugueses a pagar tudo, mesmo aquilo que julgam ser uma justa contrapartida pelos impostos que pagam ao Estado. Os mais desatentos interrogam-se para onde vão as verbas que os governos arrecadam e os mais informados respondem que vão para obras faraónicas, que enchem o ego dos ministros ─ incluindo o primeiro ─ e que lhes alimentam a esperança de terem o nome escrito num parágrafo da história pátria. Mas nisso recuso-me a acreditar … Penso, até, que deve haver uma fatia significativa do orçamento público para cobrir as despesas das bibliotecas públicas ─ tão úteis e necessárias são para elevar o nível cultural do país, afogado na mediocridade dos jornais diários gratuitos e das telenovelas ridículas que enchem os canais televisivos, públicos e privados.&lt;br /&gt;A verdade, porém, é que as bibliotecas públicas portuguesas parecem não ter dinheiro para funcionarem. O cidadão que deseje aí adquirir uma cultura sólida tem que pagar preços, não só elevados como também injustos. Parece que a cultura neste país é vista como um bem de luxo, sujeito, consequentemente, a taxas de luxo…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para exemplificar, comecemos pela Biblioteca Nacional de Lisboa, agora chamada de Portugal (BNP). Se um cidadão quiser usufruir plenamente este espaço cultural ─ uma obra de toda a nação, realizada ao longo de séculos ─ precisará ter um “cartão de leitor”, válido por um ano, pelo qual pagará a módica quantia de €8,50 ─ uma ninharia, dirão aqueles que aqui mandam … (Note-se que a renovação é de apenas €7,50). Imagine-se que o cidadão deseja fazer um estudo aturado sobre um qualquer texto em posse da BNP e que necessita de umas fotocópias. A saga começa se o referido texto não puder ser directamente fotocopiado e necessitar de ser previamente digitalizado ou microfilmado por razões de segurança ou conservação… Para simplificar as contas, admitamos que o texto já está microfilmado; com desconto para grandes quantidades, o preço médio, na base de 240 páginas A3, é de €0,44 por página, perfazendo o total de €105,6 ─ uma ninharia para os nossos governantes contabilistas….&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passemos ao Porto que é a segunda maior cidade do país. Aqui não chegou ainda a moda do “cartão de leitor”, mas, como é uma medida cultural tão relevante para Lisboa, não tardará que a cidade invicta usufrua de tão grande benefício. Ao contrário, porém, do que se passa em Lisboa ─ onde se pratica a técnica comercial do grossista (maior quantidade, menor preço unitário…) ─ na Biblioteca Pública Municipal do Porto (BPMP) ainda se mantém a técnica de venda de merceeiro, que cobra na base de pequenas quantidades, a preço fixo, mas tanto quanto sei, aqui não se fia... Paga-se nesta biblioteca por cada fotocópia A3, com digitalização incluída, o módico valor de € 0,96 por página (preto e branco): €0,55 pela página digitalizada ─ virtual e inútil ─ e mais €0,41 pela referida página “suportada”, isto é, colocada em papel. Em vez de papel, pode optar-se pelo “suporte” em CD-R e então pagar-se-á apenas €1,67 por cada disco. Feitas as contas, para 11 fotocópias em A3 o montante a pagar é modestíssimo: €10,56.&lt;br /&gt;Quem quiser estudar um autor ou um tema com maior profundidade em sua casa, rodeado de meios e condições que a BPMP não possui, a conta a pagar será um pouco mais elevada. Se o fólio a digitalizar tiver 500 páginas, o que é normal, deixará o leitor na BPMP apenas €276.67 no caso de optar pelo “suporte” económico em CD-R. Como parece razoável, um cidadão, que se preocupe em aumentar a sua cultura, desejará repetir esta experiência pelo menos duas vezes por ano, mas antes de o fazer deverá pensar mais que duas vezes …&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As nossas bibliotecas públicas acham que estas incursões culturais são “safaris” para ricos… e cobram de acordo com o que pensam. Assim, antes de tomar uma decisão precipitada, aconselho esse cidadão a dar uma espreitadela no portal da BNF (&lt;em&gt;Bibliothèque Nationale de France&lt;/em&gt;). Aí talvez possa encontrar o livro de que necessita, pronto para download, a custo zero! …&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal ainda há países onde as bibliotecas públicas são instituições que proporcionam cultura “tendencialmente” gratuita aos seus cidadãos e aos cidadãos de todo o mundo…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que bom será nascer, viver e pagar impostos no país da BNF!...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-232730626759870346?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/232730626759870346/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=232730626759870346&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/232730626759870346'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/232730626759870346'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2008/07/o-preo-da-cultura-nas-bibliotecas.html' title='O preço da cultura nas bibliotecas públicas portuguesas'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/SJHOa9extMI/AAAAAAAAAT4/8_bJ9MZv6Ec/s72-c/Occulus+Sheiner.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-277470678642109428</id><published>2008-07-25T11:46:00.003+01:00</published><updated>2008-12-11T11:01:49.690Z</updated><title type='text'>O elogio da Matemática</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/SImwpc3o5UI/AAAAAAAAATo/khYmR9LyMbw/s1600-h/AlegRazao.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5226903068710856002" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/SImwpc3o5UI/AAAAAAAAATo/khYmR9LyMbw/s320/AlegRazao.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Numa época em que tanto se fala da Matemática é bom lembrar que a utilidade desta ciência foi desde sempre reconhecida em todas as actividades humanas, quer materiais quer espirituais. Quem não conhece a famosa frase que Platão mandou colocar à entrada da sua Academia: “&lt;em&gt;Não entre aqui quem não souber Matemática&lt;/em&gt;”.&lt;br /&gt;O ilustre D. Frei Manuel de Cenáculo Vilas-Boas (1724-1814) ─ homem de confiança do Marquês de Pombal, bispo de Beja e arcebispo de Évora, e defensor da cultura humanística e das ciências modernas ─ fundou uma Aula de Matemática em Beja para a preparação dos ordenandos do seu bispado. Francisco de Mello de Vasconcellos e Lima fez o discurso de abertura da referida aula em Outubro de 1786.&lt;br /&gt;Quando se refere ao “&lt;em&gt;objecto da Mathematica, suas gerais divisões, e origem&lt;/em&gt;” escreve o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;He o objecto da Mathematica a quantidade em geral, enquanto se póde augmentar, ou diminuir. Debaixo do nome geral de quantidade podemos sem temor algum considerar muitas outras quantidades particulares, como he o numero, comprimento, largura, profundidade, posições, e medidas das differentes partes da extensão, leis do movimento, a luz, e corpos directamente visiveis pela reflexão, refracção, desenho, sons, e melodias, esfera do Universo, sua estrutura e figura, e grandeza da terra, tempos, Sol, instrumentos, e fogos bellicos, fortificações, edificios, embarcações, navegação &amp;c; e conceber por isso a Mathematica, como dividida em Arithmetica, Algebra, Cálculo, Geometria, Stereometria, Trigionometra, Mecanica, v. g. a Statica, Dynamica, Hydrostatica, Hydraulica, Hydrodinamica, Herometria, Optica, Catoptrica, Dioptrica, Perspectiva, Musica, Astronomia, Geografia, Chronologia, Gnomonica, Artelharia, Pyrotechnia, Arquitectura Militar, Civil, Naval, Arte de navegar, &amp;amp;c.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Dificilmente encontraremos uma ciência natural, cultivada no tempo de Vasconcellos e Lima, que não seja abrangida pela Mathematica, em sentido lato. Nessa época, numa perspectiva menos abrangente, denominavam-se Mathematicas puras a Aritmética e a Geometria, e Mathematicas mixtas a Música e a Astronomia.&lt;br /&gt;No que respeita às ciências citadas no texto acima transcrito ─ quer as integremos ou não nas matemáticas ─ ninguém duvida actualmente a grande utilidade que a Matemática tem no estudo e prática dessas ciências, incluindo naturalmente a Física pois, segundo o orador:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ninguem poderá já mais duvidar da intima união , que tem a Fysica com a Mathematica, ou ella seja considerada em geral, seja em particular, seja especulativa, ou experimental […] Não observamos por ventura, que a Fysica, especialmente a experimental, se perde de dia em dia, e desgraçadamente se transforma, quando não escóra sobre a Mathematica? […]&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Que deveremos pensar, porém, da importância da Matemática noutras “ciências” menos quantificáveis? Vejamos o que diz Vasconcellos e Lima sobre este assunto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Muito depende da Mathematica a Medicina, especialmente a Filosofia do corpo humano, a chamada Fysiologia; a Pathologia, quanto ás causas, e symptomas das doenças; e até a mesma prática de Medicina. […]&lt;br /&gt;He hoje tão conhecida entre nós a grande dependencia, que da Arithmetica, Geometria, e Mecânica tem a Cyrurgia, Arte obstetricia, Ligaduras, Chymica, Mineralogia, Geometria subterranea, Fysiologia das plantas, e animaes, Agricultura, Commercio, Navegação, Pintura, Oratoria, Arte Militar, &amp;amp;c. que parece desnecessario excitar provas para o confirmar […]&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Que fora da Filosofia sem Mathematica? Que he pois, e que póde a Lógica sem Arithmetica, sem Geometria? Em lhe faltando estas, andará ella sempre ás quedas, e já mais poderá dar hum prompto, e seguro passo na prática […]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De quanto depende a Metafysica da Mathematica, julgo não haverá quem duvide. […]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grande he sem dúvida a precisão, que tem da Mathematica a Theologia. Não depende pois esta da Filosofia, que nada vale sem Mathematica? Quem he senão a Mathematica, que encaminha o Theologo a hum firmissimo conhecimento de Deos pela natureza […]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não menos necessaria he a Mathematica á recta interpretação da Sagrada Escritura. […]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apparece-nos as mais das vezes a Historia precisada de Mathematica. Confuso, e imperceptivel cáos seria ella sem Arithmetica, Geografia, e Chronologia […]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A alma, que anda exercitada no estudo das mathematicas, fica no costume de bem cogitar, e na obrigação de ser prudente, e sabia. Daqui resulta a grande necessidade, que dellas tem os Legisladores, Principes, Magistrados, &amp;amp;c. […]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem he muito que seja util, e necessaria a Mathematica á recta instituição, e bom governo da Republica, tendo a natureza do Direito, e muito principalmente do Civil, a sua origem na natureza do homem, commercio da alma com o corpo, Filosofia, Historia, &amp;amp;c. que tanto della dependem.[…]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo com effeito o principal objecto desta Abertura a instrucção dos Ordinandos, parece não dever ficar em silencio a necessidade, que da Mathematica tem o Ecclesiastico […]&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;E para concluir, remata o orador na sua apologia da Matemática:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Para qualquer das partes em fim, que lançardes as vistas, achareis, Senhores, a utilidade, e necessidade desta tão recommendada Sciencia, não sómente pela recta interpretação da Sagrada Escritura, pela prática do entendimento humano, e solido conhecimento da natureza, e de todas as Sciencias, e Artes, mas ainda pelo grande uso, que della se faz em toda a vida humana. […]&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Não será este discurso suficientemente convincente para quem tem responsabilidades na educação das nossas crianças e jovens? Ensinem-se as Matemáticas a todos e não se pretenda fazer querer que todos as sabem sem realmente as terem aprendido …&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-277470678642109428?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/277470678642109428/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=277470678642109428&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/277470678642109428'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/277470678642109428'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2008/07/o-elogio-da-matemtica.html' title='O elogio da Matemática'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/SImwpc3o5UI/AAAAAAAAATo/khYmR9LyMbw/s72-c/AlegRazao.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-8912695917911147024</id><published>2008-06-29T14:39:00.006+01:00</published><updated>2008-12-11T11:01:49.871Z</updated><title type='text'>Os americanos, os europeus e a ciência</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/SGeS3tOhojI/AAAAAAAAATg/-PWFigRJ1Bw/s1600-h/scientific_mag.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5217300179062989362" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/SGeS3tOhojI/AAAAAAAAATg/-PWFigRJ1Bw/s320/scientific_mag.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Um estudo com três anos, feito pela &lt;em&gt;Gallup Organization&lt;/em&gt;, mostra que os americanos embora gostem da ciência, conhecem-na muito mal. Um quarto deles não sabe se é a Terra que roda em torno do Sol ou o contrário. Dos que conhecem a resposta certa, apenas metade sabe quanto tempo demora a Terra a dar uma volta completa. &lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Menos de metade dos americanos sabe que os electrões são mais pequenos do que os átomos e que os homens e os dinossauros nunca conviveram na terra. Cerca de metade não acredita na teoria da evolução e quatro em cada dez acreditam que a astrologia tem muito ─ ou alguma coisa ─ de científico.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A Gallup descobriu que metade dos americanos acredita na percepção extra-sensorial, um terço na telepatia, outro terço na previsão dos astrólogos e mais do que um quarto está convencido que é possível comunicar com os mortos. São ainda mais ignorantes quando se fala de assuntos geográficos relativos a outros povos … &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ao americanos apoiam no entanto a actividade científica e acreditam que ser cientista é a ocupação mais prestigiante para um homem. Apoiam com entusiasmo o financiamento governamental à ciência não só aplicada como fundamental.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Enquanto 90% dos americanos dizem que se interessam pela ciência apenas 45% dos europeus afirmam o mesmo. Os europeus visitam bibliotecas, jardins zoológicos, museus de ciência e técnica em menor número do que os americanos. Sobre o movimento da Terra em torno do Sol, um terço dos europeus têm a mesma concepção errada que um quarto dos americanos. Relativamente à ciência, os europeus parecem ser ainda mais ignorantes e desinteressados. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Que se passará com os portugueses? Seria saudável para o moral do país arranjar-se um estudo que mostrasse que aquilo que todos os dias sentimos e vemos… está completamente errado! …&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-8912695917911147024?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/8912695917911147024/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=8912695917911147024&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/8912695917911147024'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/8912695917911147024'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2008/06/os-americanos-os-europeus-e-cincia.html' title='Os americanos, os europeus e a ciência'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/SGeS3tOhojI/AAAAAAAAATg/-PWFigRJ1Bw/s72-c/scientific_mag.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-6105638173739943162</id><published>2008-06-15T23:06:00.003+01:00</published><updated>2008-12-11T11:01:50.037Z</updated><title type='text'>Os jogadores de futebol e os físicos</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/SFWUQNDiHdI/AAAAAAAAATI/4_N2VdUytmo/s1600-h/Ronaldo+1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5212235149854514642" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/SFWUQNDiHdI/AAAAAAAAATI/4_N2VdUytmo/s400/Ronaldo+1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/SFWTycRSqcI/AAAAAAAAATA/7mpuHm30Jb4/s1600-h/Ronaldo+1.jpg"&gt;&lt;/a&gt;De entre os profissionais de desgaste rápido encontram-se os jogadores de futebol e ─ segundo algumas opiniões ─ os físicos. Para estes profissionais, a idade mais produtiva vai dos vinte e poucos até aos trinta e poucos … Longevidades profissionais de excelência superiores a dez anos são raras, tanto para uns como para outros. A partir de certa altura, falta a frescura física no jogador de futebol e a flexibilidade intelectual no físico; em ambos começa a faltar a imaginação e começa a valer mais a experiência. Perante esta fatalidade há sempre um momento de viragem que estas duas classes de profissionais têm de encarar. Há aqueles que são capazes de perceber a sua incapacidade de jogar na alta competição; há os que teimam em manter um estatuto de vedetas sem serem capazes de se adaptar às exigências dos novos tempos, terminando as suas carreiras descredibilizados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, muitos jogadores de futebol e físicos, para se manterem ligados à sua profissão, acabam por se dedicar ao treino de jovens ou a actividades administrativas de consultadoria ou direcção. Fazendo uma opção diferente, Einstein, o ilustre criador da Teoria da Relatividade, acabou a sua carreira isolado, praticamente ignorado por uma nova geração de físicos e asfixiado pela tentativa de desvendar uma “teoria da unificação” de enorme complexidade para um só homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num dos Encontros Internacionais de Genève [de ciência, não de futebol …], realizado em 1952 e dedicado ao tema o “Homem perante a Ciência”, o famoso Max Born, a propósito de uma discussão técnica envolvendo potenciais retardados e avançados, confrontava o igualmente famoso Erwin Schrödinger com estas duras palavras:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Os físicos são muito flexíveis quanto ao uso dos conceitos matemáticos e devem proteger-se de todo o dogmatismo e de toda a ideia preconcebida sobre o que é ou não &lt;/em&gt;[fisicamente]&lt;em&gt; permitido. É unicamente a experiência que lhes pode ensinar de que maneira devem manipular os símbolos matemáticos. Talvez se encontre aqui o diferendo mais fundamental que me opõe a Schrödinger: é que ele está ainda demasiado agarrado às coisas que aprendeu na sua juventude, enquanto que eu, apesar de 10 anos mais velho, creio ter acompanhado o tempo …&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Um homem, como Schrödinger, particularmente activo na revolução da mecânica quântica não terá provavelmente gostado de ouvir estas afirmações … Há anos um guarda-redes de valor como o Victor Baía não gostou de ser preterido na selecção nacional por um guarda-redes mais jovem e, certamente, mais adaptado ao futebol moderno.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-6105638173739943162?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/6105638173739943162/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=6105638173739943162&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/6105638173739943162'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/6105638173739943162'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2008/06/os-jogadores-de-futebol-e-os-fsicos.html' title='Os jogadores de futebol e os físicos'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/SFWUQNDiHdI/AAAAAAAAATI/4_N2VdUytmo/s72-c/Ronaldo+1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-355845252322024829</id><published>2008-06-06T23:55:00.002+01:00</published><updated>2008-12-11T11:01:50.261Z</updated><title type='text'>Faz hoje 60 anos</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/SEnBsJpbG_I/AAAAAAAAASw/Ask_HOKXOWQ/s1600-h/Louis+Lumiere4.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5208907408278756338" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/SEnBsJpbG_I/AAAAAAAAASw/Ask_HOKXOWQ/s320/Louis+Lumiere4.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Em Junho de 1948, a morte de Louis Lumière foi noticiada em todo o mundo.&lt;br /&gt;A revista portuguesa Cinema de Amadores noticiou-a também num pequeno editorial que aqui transcrevo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Faleceu em 7 &lt;/em&gt;[mais correctamente em 6]&lt;em&gt; do corrente mês de Junho, em Bandol, no Var, o cientista Luís Lumiére que com o seu irmão Augusto Lumiére realizou em 1895 a primeira câmara cinematográfica de movimento intermitente capaz de registar em filme o desdobramento do movimento real e o aparelho de projecção destinado a restituir esse movimento no écran. Foram eles que em 27 de Dezembro do mesmo ano apresentaram o seu invento ao público parisience na cave do «Grand Café». A perfeição cinematográfica foi conseguida pelos dois inventores logo na primeira apresentação pública. Os sucessivos aperfeiçoamentos não alteraram a essência das duas máquinas dos irmãos Lumiére, mas permitiram todo o posterior desenvolvimento do cinema, guindado hoje à categoria de uma nova Arte. Mas, Augusto e Luís Lumiére não foram ùnicamente os inventores do cinema. Eram cientistas que dedicaram toda a sua vida a pesquizas fotográficas e ao aperfeiçoamento da invenção que os tornou célebres: o cinematógrafo. Juntamente com A. Seyewetz apresentaram em 1898 um enfraquecedor de persulfato de amónio. Em 1900, registaram um novo aparelho o «Photorama», destinado ao registo e projecção de um horizonte completo. Em 1907, inventaram as chapas autocromas, o primeiro processo sério da fotografia a cores pelos sistema aditivo. Em 1912, Luís Lumiére registou a patente de um aparelho denominado «Foto-estereo-síntese» que dá a ilusão de um sólido por sobreposição de diapositivos, cada um deles representando um plano desse sólido. A Humanidade perde em Luís Lumiére um dos seus mais brilhantes expoentes. Não desapareceu ùnicamente o cientista inventor do Cinema, mas o homem simples, sem vaidade, que toda a sua vida trabalhou pelo enriquecimento do nosso património.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Não é referido neste texto que Louis Lumière era um admirador incondicional de Benito Mussolini, fuzilado pela Resistência italiana em 1945, e que defendia a capitulação do seu país perante o poderio germânico …&lt;br /&gt;No melhor pano cai a nódoa, como diz o nosso povo… &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-355845252322024829?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/355845252322024829/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=355845252322024829&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/355845252322024829'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/355845252322024829'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2008/06/faz-hoje-60-anos.html' title='Faz hoje 60 anos'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/SEnBsJpbG_I/AAAAAAAAASw/Ask_HOKXOWQ/s72-c/Louis+Lumiere4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-7296070410638159174</id><published>2008-05-31T21:27:00.002Z</published><updated>2008-12-11T11:01:50.413Z</updated><title type='text'>Arte e Ciência ─ Beleza e Verdade</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/SEHDwgRUZTI/AAAAAAAAASg/tfuWFYJwoqY/s1600-h/Arte+&amp;amp;+ciencia.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5206657882280715570" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/SEHDwgRUZTI/AAAAAAAAASg/tfuWFYJwoqY/s400/Arte+%26+ciencia.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O grande objectivo das “belas artes” foi a busca e a representação da beleza. Nas últimas décadas, porém, este grande objectivo deixou de ser dominante. Os novos objectivos da arte são múltiplos e variados e raramente se enquadram no conceito de beleza tal como é entendida pelo senso comum. Não é fácil encontrar beleza nas pinturas de Francis Bacon ou de Paula Rego… É mesmo impossível encontrá-la na arte contestatária, feia e efémera, que tem por objectivo destruir uma ideologia, um preconceito ou uma postura política ou social, acabando por autodestruir-se. A terminologia “belas artes” perdeu todo o significado e foi sub-repticiamente substituída por “artes plásticas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A apreciação da arte é um acto subjectivo e pessoal, que não pode ser universalizado, mesmo que se tenham estabelecido consensos mais ou menos alargados sobre o valor artístico de determinadas obras. Na arte não existe progresso. Existirão movimentos novos, atitudes originais e técnicas inovadoras, mas a arte, como expressão pura de um sentimento, de uma emoção ou racionalidade, não é um edifício sólido que os artistas ajudem a construir, geração após geração. Romper com o passado e ser absolutamente original parece ser o grande objectivo de um artista e, particularmente, de um artista moderno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ciência tem como objectivo único a busca da verdade, aquela verdade que explica, esclarece e faz progredir a própria ciência nas brumas do desconhecido. A verdade científica é objectiva e universal; é independente dos gostos, das tendências e da cultura de cada um.&lt;br /&gt;O cientista original é o cientista que elimina os pontos fracos de uma teoria e que vê aquilo que mais ninguém vira antes dele. Poderá ter que destruir um muro do grande edifício que é a ciência; o novo será mais forte e o grande edifício tornar-se-á mais seguro. O trabalho de sucessivas gerações acumula-se, aperfeiçoa-se, corrige-se, e o edifício, cada vez mais sólido, continuará a crescer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que as obras de Picasso se poderão comparar com as de Einstein? Picasso criou formas originais de exprimir a sua arte. Einstein criou novas teorias para explicar a natureza. As obras de Picasso são obeliscos apreciados e desejados, e fazem parte da floresta de colunas, mastros, estacas e varapaus que constituem a arte. As obras de Einstein são importantes pilares do grande edifício de pedra e tijolos que constitui a física, uma dos sectores básicos do grande edifício científico. É verdade que ninguém apreciará os pilares de Einstein ao ponto de pagar por eles milhões de euros mas ninguém duvida que o seu valor é incalculável, pois deles beneficiam muitos milhares de milhões de pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar das minhas limitações de apreciação estética, gosto muito de alguns quadros de Picasso. É pena que não estejam acessíveis a meus olhos como estão as obras de Einstein à minha curiosidade científica! … Se aperfeiçoar com o meu talento a obra de Einstein serei por isso reconhecido, mas se tentar aperfeiçoar a obra de Picasso não passarei de um plagiador ou falsário.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-7296070410638159174?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/7296070410638159174/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=7296070410638159174&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/7296070410638159174'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/7296070410638159174'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2008/05/arte-e-cincia-beleza-e-verdade.html' title='Arte e Ciência ─ Beleza e Verdade'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/SEHDwgRUZTI/AAAAAAAAASg/tfuWFYJwoqY/s72-c/Arte+%26+ciencia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-2125791399019285193</id><published>2008-04-19T00:05:00.004Z</published><updated>2008-12-11T11:01:50.579Z</updated><title type='text'>Os boicotes político-científicos</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/SAk4YocasUI/AAAAAAAAASY/cMsepo6VYQE/s1600-h/ictp_long[1].jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5190742041345831234" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/SAk4YocasUI/AAAAAAAAASY/cMsepo6VYQE/s400/ictp_long%5B1%5D.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div&gt;&lt;div&gt;A liberdade da investigação científica e a fraternal convivência entre cientistas ─ independentemente dos sistemas políticos ou das convicções religiosas ─ são valores que todos os homens de ciência muito prezam.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Desde o último século, porém, razões políticas levaram a que grupos mais ou menos numerosos de cientistas boicotassem a actividade científica de outros grupos. O caso mais conhecido é, talvez, o isolamento a que foram forçadamente sujeitos os intelectuais alemães e austríacos após a 1ª Guerra Mundial. Teve igualmente algum impacto, o boicote científico realizado contra a África do Sul, durante o regime de apartheid, com o objectivo de levar o governo sul-africano a alterar as suas políticas claramente racistas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Durante o período de 1974-1977, um outro caso de boicote científico ocorreu contra o &lt;em&gt;International Centre for Theoretical Physics&lt;/em&gt; (ICTP) em Trieste, Itália, na sequência da efectiva expulsão deste centro de um dos seus membros: o Estado de Israel. A decisão, neste caso, teve origem nos países do terceiro mundo, como retaliação contra as políticas expansionistas de Israel. Em sinal de repúdio contra aquela expulsão, vários cientistas judeus, americanos e alguns europeus ─ embora poucos ─ recusaram participar em qualquer iniciativa científica do ICTP. É de realçar que o objectivo deste centro ─ financiado pela UNESCO, a International &lt;em&gt;Atomic Energy Agency&lt;/em&gt; (IAEA) e o governo italiano ─ era estimular o desenvolvimento científico dos países do terceiro mundo. Este centro apoiava científica e financeiramente os cientistas dos países mais pobres, pondo-os em contacto directo com os seus colegas de países mais desenvolvidos. A participação em conferência, encontros, escolas de Verão e projectos de investigação no ICTP era a forma de criar condições de efectiva cooperação entre cientistas menos e mais favorecidos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Abdus Salam, prémio Nobel de Física e director do ICTP, não conseguiu convencer os seus colegas dos países ricos a reconsiderarem a sua posição. Por outro lado, estes cientistas esperavam que Abdus Salam, com base no seu prestígio por todos reconhecido, pudesse exercer uma autoridade firme sobre os países anti-semitas de modo a levá-los a alterar a sua decisão política. Este braço de ferro durou três anos, ao fim dos quais a controversa decisão acabou por ser alterada em favor de Israel.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Reconhece-se que o boicote ao ICTP por parte dos referidos cientistas ─ alguns deles de grande prestígio internacional ─ não teve qualquer impacto na decisão final, e que apenas contribuiu para prejudicar as actividades científicas do ICTP durante três anos.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-2125791399019285193?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/2125791399019285193/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=2125791399019285193&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/2125791399019285193'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/2125791399019285193'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2008/04/os-boicotes-poltico-cientficos.html' title='Os boicotes político-científicos'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/SAk4YocasUI/AAAAAAAAASY/cMsepo6VYQE/s72-c/ictp_long%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-8152396335418832758</id><published>2008-04-05T15:26:00.002Z</published><updated>2008-12-11T11:01:50.767Z</updated><title type='text'>O Prof. Ferreira da Silva, a Religião e a Ciência</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/R_ebze4kwtI/AAAAAAAAASI/ejY8YvcLgJ8/s1600-h/f+Silva+MR2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5185784804706403026" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/R_ebze4kwtI/AAAAAAAAASI/ejY8YvcLgJ8/s400/f+Silva+MR2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O professor António Joaquim Ferreira da Silva (1853-1923) ─ que foi professor de Química na Academia Politécnica e na Faculdade de Ciências do Porto bem como director do Laboratório Municipal de Química do Porto ─ é um dos mais ilustres químicos portugueses de todos os tempos. Como muitos cientistas do seu tempo praticava a religião e a ciência com a mesma devoção e entusiasmo, não encontrando nestas duas práticas qualquer incompatibilidade ─ uma ideia que não era consensual há 100 anos.&lt;br /&gt;Numa alocução intitulada “O ideal religioso e a cultura scientifica” ─ proferida em 8 de Dezembro de 1907 em honra de Nossa Senhora da Conceição na Associação Católica de cuja direcção era presidente, ─ evocava as virtudes da ciência e da religião e declarava as vantagens da sua prática comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre a ciência a sua atitude era clara:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;As sciencias são hoje em dia, não há que duvidar, a alavanca potente do progresso material, o instrumento indispensável do bem estar, a condição sine qua non para o convívio com as nações civilizadas.&lt;br /&gt;Cultivar as sciencias e divulgar os seus ensinamentos, na ordem theorica e das aplicações, é apercebermo-nos para as luctas económicas, com que todos os paizes carecem de se preocupar para viver. Nada se póde esperar de um povo onde a sciencia não progride; não póde haver confiança de futuro onde a luz da sciencia não brilha, ─ disse-o um grande espírito do nosso paíz, ANDRADE CORVO.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Não menos clara era a sua atitude perante a religião. Depois de dar exemplos de grandes cientistas, como Pasteur, Adolpho Wurtz, Friedel e Luiz Henry, que foram fervorosos católicos, comentava:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A alliança da sciencia e da fé, que alguns reputam chimerica, é, pois, muito pelo contrario, um facto real, porque se realiza em tantos homens de entre os mais intelligentes e illustrados e os mais eminentes na sciencia. […] Não há antagonismo algum entre o espirito religioso e o espirito scientifico, como por vezes se apregoa. Ser crente não é ser sonhador, não é ser visionario ou fanatico, não é acreditar em phantasmas.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Quase no fim da sua palestra enalteceu o valor da religião contra o ateísmo, referindo-se ao caso português:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Para nós, os portuguezes, há, além de tudo o mais, uma tradição que cumpre continuar: o ideal religioso tem resumido na nossa nacionalidade o ideal da Patria, o ideal da Honra e o ideal do Bem, e foi até agora o alliado da cultura scientifica. Pôl-o de parte, equivaleria a abastardar os caracteres nobres da nossa raça.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Não podia faltar no discurso de Ferreira da Silva o clássico exemplo do período histórico que mais nos orgulha:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Foi a alliança da sciencia com a fé que, nos séculos XV e XVI, fez Portugal grande como poucas nações teem sido. Foram uma escola notavel ─ a escola de Sagres ─ à testa da qual estava o INFANTE D. HENRIQUE, e o pensamento religioso que o animava que iniciaram e promoveram esses grandiosos emprehendimentos, de que resultou a descoberta de novos mares e de novos mundos.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;E Ferreira da Silva concluía:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Façamos hoje como então, se nos quizermos levantar do abatimento em que jazemos.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;A última frase da palestra foi para a virgem homenageada:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;VIRGEM SANTISSIMA; BEMDITA ENTRE AS MULHERES; A QUEM TODAS AS GERAÇÕES CHAMARÃO BEMAVENTURADA.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-8152396335418832758?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/8152396335418832758/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=8152396335418832758&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/8152396335418832758'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/8152396335418832758'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2008/04/o-prof-ferreira-da-silva-religio-e.html' title='O Prof. Ferreira da Silva, a Religião e a Ciência'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/R_ebze4kwtI/AAAAAAAAASI/ejY8YvcLgJ8/s72-c/f+Silva+MR2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-2522352617384051856</id><published>2008-03-29T01:17:00.005Z</published><updated>2008-12-11T11:01:50.914Z</updated><title type='text'>Impostos, Economia, Física e Ministros</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/R-2Z0e4kwrI/AAAAAAAAAR4/edP12lv4oCg/s1600-h/B-H_loop[1]+M.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5182967873095910066" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/R-2Z0e4kwrI/AAAAAAAAAR4/edP12lv4oCg/s400/B-H_loop%5B1%5D+M.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; O anúncio recente da diminuição do IVA de 21 para 20%, aplicável a partir de Julho, deu origem a opiniões contraditórias sobre o impacto que esta medida irá ter na economia portuguesa, em particular, na diminuição dos preços. O ministro da economia afirmou que teria um impacto positivo; alguns sectores da oposição (incluindo o seu líder) e o próprio presidente da AEP afirmaram que o impacto seria irrelevante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para “destroçar” as opiniões contrárias, o senhor ministro da economia veio afirmar a incoerência do líder da oposição e do presidente da AEP, porque, no passado, quando o IVA aumentou 2% consideraram que era uma má medida para a economia e, agora, com o anúncio da diminuição do imposto de 1% atrevem-se a afirmar que não terá qualquer efeito benéfico. Na opinião do senhor ministro ─ se é que posso seguir o seu raciocínio ─ esta diminuição teria 50% de benefício ao ser comparada com os 100% de malefício atribuído à subida do imposto de 2%. Para o ministro as coisas económicas são muito simples e tão lineares como isto… Perante evidência tão flagrante, o ministro concluia o seu discurso afirmando que as críticas, para além de incoerentes, eram evidentemente fruto de uma clara desonestidade intelectual; noutras palavras, o líder da oposição e o presidente da AEP não eram intelectualmente sérios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou físico e nada percebo de economia, mas certamente que os modelos económicos devem ser bastante mais complexos do que o modelo em que o senhor ministro baseou o seu raciocínio. Qualquer físico principiante sabe que há muitos fenómenos físicos que apresentam comportamentos de histerese (não confundir com histeria!…), seguindo uma curva à subida e outra, distinta, à descida. É o caso da indução magnética em materiais ferromagnéticos que surge como reacção à presença de um campo magnético. Ao magnetizarmos o ferro, por exemplo, a magnetização deste aumenta bastante com o aumento do campo magnético aplicado, mas pode diminui bastante menos quando esse campo é reduzido da mesma quantidade. Noutras palavras, o ferro tenta manter a magnetização embora o campo magnético de excitação diminua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é de espantar que na economia ocorram fenómenos semelhantes. Em economias de mercado, onde a inflação negativa praticamente não existe, será assim tão anormal que uma subida de impostos de 2% leve a uma significativa subida de preços e que uma descida de impostos de 1% em nada altere, na prática, esses preços?&lt;br /&gt;Para um físico é perfeitamente natural; para um economista deve ser possível (julgo eu!... que nada sei de economia …); mas para um ministro da economia (que se afirma intelectualmente honesto) parece não ser possível ou pelo menos a probabilidade de o ser tende para zero!..&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sempre desconfiei de ministros que chamam aos que dele discordam “intelectualmente desonestos”, sobretudo aqueles ministros que revelam nada saber de física nem das leis básicas do comportamento da natureza e das sociedades… &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;É da responsabilidade do governo, a que este ministro da economia pertence, ter reduzido os estudos de física no secundário à sua mínima expressão. Parece que este governo não quer que os portugueses saibam física. Com esta política educativa contra a física, pretenderá o governo que os eleitores da próxima geração pensem todos segundo os modelos “intelectualmente honestos” deste ministro ou de um outro futuro ministro ainda mais competente?&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-2522352617384051856?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/2522352617384051856/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=2522352617384051856&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/2522352617384051856'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/2522352617384051856'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2008/03/impostos-economia-fsica-e-ministros.html' title='Impostos, Economia, Física e Ministros'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/R-2Z0e4kwrI/AAAAAAAAAR4/edP12lv4oCg/s72-c/B-H_loop%5B1%5D+M.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-1145424299030782698</id><published>2008-03-22T00:07:00.003Z</published><updated>2008-12-11T11:01:51.076Z</updated><title type='text'>Bernardino Machado e a Óptica</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/R-RSm-4kwoI/AAAAAAAAARg/hfVe3X6YtIo/s1600-h/Bernardino.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5180356301051708034" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/R-RSm-4kwoI/AAAAAAAAARg/hfVe3X6YtIo/s400/Bernardino.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;Poucos saberão que o político Bernardino Machado (1851–1944) ─ que foi ministro de várias pastas e, por duas vezes, Presidente da República, cargo de que foi duplamente destituído por golpes militares ─ tinha uma formação científica e escreveu trabalhos devotados à Óptica, uma das áreas mais fascinantes da Física. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Para o acto da sua licenciatura na Faculdade de Filosofia, Bernardino Machado preparou uma dissertação intitulada &lt;em&gt;Theoria mechanica da reflexão e da refracção da luz&lt;/em&gt;. Esta dissertação foi publicada na revista &lt;em&gt;Instituto&lt;/em&gt; de Coimbra entre 1875 e 1876 e é uma apresentação da teoria de Fresnel, aplicada aos problemas da refracção e reflexão da luz em vários estados de polarização. Um ano mais tarde, Bernardino Machado apresentou, como dissertação para o concurso de professor substituto, um trabalho intitulado &lt;em&gt;Theoria mathematica das interferencias&lt;/em&gt;. Nesta memória, Bernardino Machado estuda matematicamente os movimentos vibratórios ─ a uma, duas e três dimensões ─ a sua composição e decomposição, bem como as interferências resultantes da sobreposição de vibrações com a mesma ou distinta frequência.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Muitos textos se publicaram sobre a vida e a actividade política de Bernardino Machado. Porém, sobre a sua actividade científica pouco se tem escrito. Os trabalhos científicos, que se encontravam dispersos, foram compilados e publicados em 2007 ─ 100 anos depois de ter abandonado a Universidade como forma de protesto pela maneira como esta instituição lidara com a revolta estudantil de 1907. Se não tivesse ocorrido este acontecimento, talvez tivéssemos na lista dos nossos mais conhecidos cientistas o nome de Bernardino Machado, ou talvez não … porque a vocação política do ilustre republicano era muito forte.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-1145424299030782698?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/1145424299030782698/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=1145424299030782698&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/1145424299030782698'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/1145424299030782698'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2008/03/bernardino-machado-e-ptica.html' title='Bernardino Machado e a Óptica'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/R-RSm-4kwoI/AAAAAAAAARg/hfVe3X6YtIo/s72-c/Bernardino.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-4295863645799797523</id><published>2008-03-01T23:02:00.003Z</published><updated>2008-12-11T11:01:51.143Z</updated><title type='text'>A história da ciência islâmica</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/R8niCtmJJJI/AAAAAAAAARI/Lt2HGC36QHk/s1600-h/ciencia+arabe.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5172914183238919314" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/R8niCtmJJJI/AAAAAAAAARI/Lt2HGC36QHk/s400/ciencia+arabe.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Recentemente tem sido posta em causa a ideia há muito estabelecida, segundo a qual a ciência árabe começou o seu declínio fatal no séc. XII, mais concretamente, depois da morte de al-Ghazzalli ocorrida em 1111. Um importante grupo de intelectuais muçulmanos tem mostrado, com bons argumentos e provas documentais, que a ciência muçulmana se manteve viva até ao séc. XIX e que foi mesmo superior à ciência europeia até ao século XVII.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Num artigo recentemente publicado em Viewpoint, a revista dos sócios da &lt;em&gt;British Society for the History of Science&lt;/em&gt;, Jamil Ragep defende que algumas das descobertas realizadas no mundo árabe anteciparam as grandes descobertas europeias que levaram à ciência moderna. Ragep menciona médicos e filósofos muçulmanos da segunda metade do séc. XII que exerceram uma grande influencia no estabelecimento da escolástica europeia. Relembra a continuação da tradição científica e filosófica muçulmana sob a dominação dos invasores mongóis. Realça o papel científico do grande observatório astronómico de Maragha, mandado construir por Hulagu Khan, que foi, durante séculos, o modelo de todos os observatórios no mundo islâmico, na Ásia e na Europa. Lembra que estavam adstritas aos observatórios muçulmanos escolas e bibliotecas, onde se juntavam professores e alunos e onde se discutiam os sistemas astronómicos antigos incluindo o heliocêntrico, proposto muito mais tarde no ocidente por Copérnico. Cita o nome de Ali Qushij (séc. XV), um pioneiro das ideias científicas modernas, que teve um impacto decisivo no pensamento de Copérnico e de outros astrónomos europeus.&lt;br /&gt;Depois de al-Ghazzalli, também as matemáticas continuaram a ser estudadas no mundo muçulmano, tendo sido estabelecidos com uma precisão de 15 casas decimais os valores de p e de sen(1º). A anatomia desenvolveu-se a tal ponto que se conseguiu descobrir o sistema circulatório entre o coração e os pulmões muito antes de William Harvey. Os padrões quase cristalinos que Penroese inventou no século XX, tinham sido desenhados nas paredes do santuário Darb-i Imam em Isfahan no século XV. Até ao séc. XIX continuaram a produzir-se no mundo islâmico milhares de textos científicos e filosóficos, que se encontram actualmente em muitas bibliotecas do mundo inteiro, revelando alguns deles uma actividade criativa notável tanto no que respeita aos estudos teóricos como às aplicações. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Perante tantas evidências, perguntar-se-á por que razão o mundo ocidental negligenciou e menosprezou a actividade científica do mundo islâmico? A resposta de Ragep é clara: preconceitos e razões políticas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Na cultura ocidental, instalou-se a falsa ideia de que os muçulmanos tinham virado as costas à racionalidade e à ciência, por causa do predomínio dos teólogos conseguido após uma luta que tinham iniciado contra os filósofos no século XII. De acordo com esta ideia, as ciências naturais teriam ficado submetidas ao fanatismo e à irracionalidade dos dogmas da teologia. Mais, com base em argumentos racistas surgidos depois do séc. XVIII, os muçulmanos não teriam podido acompanhar a ciência moderna porque tanto árabes como semitas seriam inaptos para o pensamento abstracto. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Estes argumentos teriam assim justificado a actividade política do ocidente face ao mundo islâmico. Desde os tempos coloniais até hoje, tem sido uma constante da política europeia tentar moldar o mundo muçulmano à forma de vida ocidental, na convicção de que o islamismo seria incapaz de produzir dentro de si as sementes da mudança para a modernidade. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os referidos intelectuais muçulmanos estão convictos que a religião islâmica não tem qualquer incompatibilidade com a ciência e que, é possível o desenvolvimento da ciência e da modernidade, dentro da sua religião e cultura, da mesma forma que o foi no interior das sociedades cristãs durante e após o século XVII. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;É de lembrar porém que, no ocidente, passaram séculos até ao reconhecimento efectivo da ciência pela religião. Se quiserem entrar na modernidade, os muçulmanos terão que fazer o mesmo, mas muito mais depressa. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-4295863645799797523?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/4295863645799797523/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=4295863645799797523&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/4295863645799797523'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/4295863645799797523'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2008/03/histria-da-cincia-islmica.html' title='A história da ciência islâmica'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/R8niCtmJJJI/AAAAAAAAARI/Lt2HGC36QHk/s72-c/ciencia+arabe.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-7365862115316711626</id><published>2008-02-23T01:44:00.002Z</published><updated>2008-12-11T11:01:51.214Z</updated><title type='text'>Sphaera Mundi</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/R798FsTRmDI/AAAAAAAAAQ4/PE7w9Sih4pg/s1600-h/Sphaera+Mundi.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5169987334477813810" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/R798FsTRmDI/AAAAAAAAAQ4/PE7w9Sih4pg/s400/Sphaera+Mundi.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Há, de quando em vez, momentos de excepcional revelação que têm a virtude de derrubar velhas ideias, estabelecidas há séculos. Uma destas revelações ocorreu na inauguração da exposição &lt;em&gt;Spaera Mundi&lt;/em&gt;, que pode ser admirada na Biblioteca Nacional em Lisboa e que foi organizada por Henrique Leitão, um dos mais ilustres historiadores da ciência portuguesa, cujo mérito científico é unanimemente reconhecido tanto nacional como internacionalmente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Esta exposição de manuscritos mostra, de forma clara, que as ciências matemáticas foram ensinadas por matemáticos jesuítas portugueses e estrangeiros, muito competentes, na Aula da Esfera do colégio jesuíta de Santo Antão de Lisboa, de 1590 a 1759. A referida exposição derruba definitivamente o mito de que Portugal, desde a perda da independência até à reforma pombalina, vivera no mais completo obscurantismo no que respeita às ciências matemáticas (a matemática propriamente dita, a astronomia, a hidráulica, a engenharia militar, as técnicas de navegação e a óptica). Mais, esta exposição mostra que os jesuítas ─ acusados de serem a principal causa do atraso científico português pelo Marquês de Pombal, pelos seus sequazes e posteriormente por várias gerações de historiadores até meados do séc. XX ─ foram de facto os únicos que em Portugal combaterem o obscurantismo matemático. No nosso país, a &lt;em&gt;Aula da Esfera&lt;/em&gt; ─ frequentada por alunos do colégio e alunos externos ─ foi afinal o único local onde se ensinava e podia aprender matemática de qualidade europeia, durante 170 anos. Após o encerramento da &lt;em&gt;Aula da Esfera&lt;/em&gt;, que ocorreu na sequência da expulsão dos jesuítas ordenada pelo Marquês, Portugal teve que esperar décadas para que o ensino da matemática se aproximasse da qualidade que tinha tido na &lt;em&gt;Aula da Esfera&lt;/em&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;A exposição &lt;em&gt;Spaera Mundi&lt;/em&gt; não dá porém uma resposta explícita à questão que o Prof. Henrique Leitão colocou à numerosa assistência que se encontrava na inauguração da exposição: &lt;em&gt;porque razão aos jesuítas cultivavam a matemática e promoviam o seu ensino?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Sabe-se (até prova em contrário!...) que, embora alguns jesuítas cultivassem as ciências modernas surgidas no século XVII, não promoviam activamente o seu ensino. O caso da física experimental é paradigmático. Enquanto que nos colégios jesuítas ainda se ensinava a física de Aristóteles, já se ensinava aquela nova ciência nos colégios dos oratorianos. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Parece-me que a resposta à questão do Prof. Henrique Leitão se poderá procurar no conceito de utilidade, que se enquadrava perfeitamente no espírito pragmático do jesuíta. A matemática era útil na astronomia para determinar a data da Páscoa, para a orientação em terra e no mar, e para a missionação da China. Era útil nas várias áreas da engenharia para resolver problemas de hidráulica, balística e fortificações. Era também útil para resolver problemas de óptica perspectivista e instrumental.&lt;br /&gt;Por outro lado, para que servia a física experimental até meados do século XVIII ? Para nada, literalmente!… Era apenas uma curiosidade para divertir a corte e algumas pessoas curiosas ou ociosas. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;A polémica envolvendo a teoria de Copérnico revela igualmente a atitude utilitarista dos jesuítas. Para quê abraçar e ensinar uma nova teoria alternativa, mais ou menos fantasiosa, que não trazia nada de útil e, para além disso, punha em causa afirmações claras da Sagrada Escritura?…&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-7365862115316711626?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/7365862115316711626/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=7365862115316711626&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/7365862115316711626'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/7365862115316711626'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2008/02/sphaera-mundi.html' title='Sphaera Mundi'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/R798FsTRmDI/AAAAAAAAAQ4/PE7w9Sih4pg/s72-c/Sphaera+Mundi.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-6624459775118777123</id><published>2008-02-06T00:03:00.000Z</published><updated>2008-12-11T11:01:51.356Z</updated><title type='text'>O Pe. António Vieira e a Luz</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/R6j7DiER1UI/AAAAAAAAAQw/mEXXTZnZVbM/s1600-h/Vieira+2+M.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5163653010883204418" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/R6j7DiER1UI/AAAAAAAAAQw/mEXXTZnZVbM/s400/Vieira+2+M.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Há 400 anos, nascia em Lisboa o Pe. António Vieira e despontava para lá dos Pirinéus uma nova filosofia que consigo transportava as sementes da ciência moderna. O famoso missionário dos índios foi contemporâneo deste movimento intelectual europeu e podemos interrogar-nos se nele participou ou se foi por ele influenciado. Uma análise, embora superficial, dos seus escritos leva-nos a concluir que nem uma coisa nem outra ─ as ideias da nova filosofia não faziam parte nem das preocupações nem das preferências deste ilustre português seiscentista.&lt;br /&gt;Vejamos o que ele afirmava sobre a luz, uma importante entidade física, que, por iniciativa de Descartes (1596-1650) e dos seus sequazes, começava a libertar-se das amarras, quase metafísicas, que a escolástica lhe impusera durante séculos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No “&lt;em&gt;Sermam do Nacimento da Virgem Maria, Debaxo da Inuocaçaõ de N. Senhora da Luz&lt;/em&gt;”, pregado em S. Luis do Maranhão no ano de 1657, o Pe. António Vieira segue as concepções escolásticas sobre a luz, relembra a origem divina desta “qualidade” e toma partido na polémica teológica envolvendo a criação da luz e do Sol:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;No primeyro dia do mundo creou Deos a Luz, no quarto dia creou o Sol. Sobre estes dous dias, &amp;amp; estas duas creaçoens há grande batalha entre os Doutores: porque se o Sol he a fonte da luz, que luz he esta, que foy creada antes do Sol? Ou he a mesma luz do Sol, ou he outra luz differente? Se he a mesma; porque não foy creada no mesmo dia? &amp;amp; se he diferente; que luz he, ou que luz pode hauer differente da luz do Sol? Santo Thomas, &amp;amp; outros com elle o sentir mays comum dos Theologos, resolue que a luz, que Deos creou o primeyro dia, foy a mesma luz, de que formou o Sol ao dia quarto. &lt;/em&gt;[…]&lt;em&gt; No prymeiro dia foy creado o Sol informe; no quarto dia foy creado o Sol formado. São os termos de que vsa Santo Thomas.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Numa tentativa de estabelecer uma distinção entre o Sol e a luz, o Pe. António Vieira exprimiu-se desta forma:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O Sol (como dizem os Filosofos) ou verdadeyramente he fogo, ou de natureza muy semelhante ao fogo, elemento terriuel, brauo, indomito, abrazador, executivo, &amp;amp; consumidor de tudo. Pelo contrario a luz em sua pureza, he huma calidade branda, suaue, amiga, enfim creada para cópanheyra, &amp;amp; instrumento da vista, sem offensa dos olhos; que saõ em toda a organizaçaõ do corpo humano a parte mays humana, mays delicada, &amp;amp; mays mimosa. Filosofos houve, que pela sutileza, &amp;amp; facilidade da luz, chegàraõ a cuydar que era espirito, &amp;amp; naõ corpo. Mas porque a Filosofia humana ainda naõ tem alcançado perfeytamente a differença da luz ao Sol, valhamonos da ciencia dos Anjos.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Quanto à velocidade da luz, o Pe. António Vieira defendia a visão escolástica (e cartesiana) de que a luz se estabelecia (se propagava) instantaneamente. Como era seu timbre exprimiu esta ideia de forma clara e graciosa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O Sol, como dizem os Astrologos, corre em cada hora trezentas, &amp;amp; oytenta mil legoas&lt;/em&gt;&lt;em&gt;. Grande correr! Mas toda esta pressa, &amp;amp; ligeyreza do Sol em comparação da luz, saõ vagares: o Sol faz seo curso em horas, em dias, em annos, em seculos: a luz sempre em hum instante.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em defesa da natureza pura e perfeita da luz ─ não foi o próprio Deus que afirmou: “&lt;em&gt;Eu sou a verdade, a luz e a vida”&lt;/em&gt;? ─ o Pe. António Vieira usou de todos os argumentos da sua apuradíssima retórica:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Porque estimão os homens o ouro, &amp;amp; a prata, mays que os outros metaes? Porque tem alguma cousa de luz. Porque estimão os diamantes, &amp;amp; as pedras preciosa, mays que as outras pedras? Porque tem alguma cousa de luz. Porque estimão mays as sedas, que as lans? Porque tem algúa cousa de luz. Pela luz aualião os homens a estimação das cousas: &amp;amp; aualião bem; porque quanto mays tem de luz, mais tem de perfeyção.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;No citado sermão, pregado sob a invocação de Nossa Senhora da Luz, o ilustre orador não poderia naturalmente deixar de envolver a Senhora na mais pura e celestial atmosfera luminosa e de nos aconselhar a tornarmo-nos filhos da luz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Aquella Mulher prodigiosa do Apocalypse, que S. Ioão vio com as azas estendidas, toda a Igreja reconhece, que era a Virgem Maria debaxo do nome, &amp;amp; inuocação de Senhora da Luz. A mesma luz o dizia, &amp;amp; o mostraua, que da peanha até a coroa toda era luzes: a peanha Lua, o vestido Sol, a coroa Estrellas, toda luzes, &amp;amp; toda Luz. E poes a Senhora da Luz esta com as azas abertas, metamonos debaxo dellas, &amp;amp; muyto dentro nelas, para que sejamos filhos da luz.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Como é delicioso ler o velho mas lúcido Pe. António Vieira, no dia em que faz 400 anos!...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-6624459775118777123?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/6624459775118777123/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=6624459775118777123&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/6624459775118777123'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/6624459775118777123'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2008/02/o-pe-antnio-vieira-e-luz.html' title='O Pe. António Vieira e a Luz'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/R6j7DiER1UI/AAAAAAAAAQw/mEXXTZnZVbM/s72-c/Vieira+2+M.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-6480089320236685805</id><published>2008-01-27T17:51:00.000Z</published><updated>2008-12-11T11:01:51.490Z</updated><title type='text'>O excêntrico conselheiro Gama Machado</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/R5zHxyER1SI/AAAAAAAAAQg/MYDtA8sSe3Q/s1600-h/Gama+Machado+3M.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5160218931126981922" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/R5zHxyER1SI/AAAAAAAAAQg/MYDtA8sSe3Q/s400/Gama+Machado+3M.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;José Joaquim Gama Machado (1775-1861), fidalgo da Casa Real, comendador da Ordem de Cristo, conselheiro de Legação de Portugal em Paris e sócio correspondente da Academia Real de Ciências de Lisboa foi uma excêntrica figura portuguesa, que viveu em Paris desde 1806 até à sua morte. A excentricidade deste homem, celebrada na obra &lt;em&gt;Les Excentriques&lt;/em&gt; de Champfleury, revelou-se na sua forma de vida, na obra que escreveu e publicou e no conteúdo do seu testamento.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Gama Machado dedicou-se com paixão violenta ao estudo da história natural, uma actividade que o absorveu totalmente nos últimos anos da sua vida, ao ponto de se levantarem justas dúvidas sobre a integridade das suas capacidades mentais. Com o objectivo de satisfazer a enorme curiosidade e de ter sempre à mão os objectos dos seus estudos, este ilustre português vivia rodeado de pássaros vivos das mais variadas espécies, sendo alguns de grande raridade. Possuía, além disso, “aves e outros animais ampalhados, caixas com borboletas e outros insectos” provenientes de todas as partes do mundo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Segundo as suas próprias palavras, o fim essencial do seu trabalho era:&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Demonstrar duma maneira incontestável, para as pessoas mesmo as menos familiarizadas com o estudo das sciências naturais, que aí onde se encontrem formas, robes [roupagens] e côres idênticas, na imensa série dos seres organizados, aí se encontrarão também as mesmas conformidades de instintos, de habitos e costumes.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Noutras palavras, Gama Machado propunha-se estabelecer as leis gerais de semelhanças comportamentais entre animais e o próprio homem, com base em semelhanças na morfologia exterior desses seres animados. Expôs as sua originais teorias na obra &lt;em&gt;Théorie des Ressemblances&lt;/em&gt; (1831-1858), constituída por 4 grossos volumes e mandada imprimir à sua custa. Nela cita obras de autores famosos como o frenologista Franz Gall (1758-1828), o naturalista Charles Bonnet (1720-1793), e, principalmente, o filósofo natural renascentista Giovanni Battista della Porta (1535?-1615) ─ autor de &lt;em&gt;De Humana Physiognomonia&lt;/em&gt; (1586), &lt;em&gt;Phytognomoniae&lt;/em&gt; (1591) e &lt;em&gt;Coelestis Physiognomoniae&lt;/em&gt; (1601) ─ o qual parece ter sido seu grande inspirador e mestre. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em 1926, o médico Alberto Pessoa (1883-1942) escreveu um extenso artigo, na Revista da Universidade de Coimbra, onde fez o relato da vida e obra de J. J. da Gama Machado e onde afirma que “o grande livro do nosso José Joaquim da Gama Machado é, e sempre foi, uma das mais extraordinárias colecções de disparates que têm aparecido à superfície da terra” e que “o livro do comendador não tem pés nem cabeça”.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sobre a recepção que esta obra teve em Portugal, o mesmo Alberto Pessoa escreveu o seguinte:&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;A Academia de Sciências de Lisboa não só agradeceu por mais duma vez, em termos elogiosos, a oferta dos volumes da Théorie des Ressemblances, mas chegou mesmo a eleger o seu autor, na sessão da Assembleia de Efectivos de 4 de Fevereiro de 1853, sócio correspondente […].&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;O cardeal Saraiva recebeu igualmente uma cópia da &lt;em&gt;Théorie&lt;/em&gt;, tendo agradecido ao autor por carta e onde escreveu “há muito tempo não li huma Obra, que tanto me recreasse, instruisse e illustrasse”. Este era um comentário inesperado já que o clero francês tinha criticado com muita veemência as ideias materialistas expressas nesse livro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A biblioteca da Câmara dos Pares foi igualmente contemplada com uma cópia da &lt;em&gt;Théorie&lt;/em&gt;, que foi aparentemente muito apreciada. A Mesa da Câmara foi encarregada de endereçar ao distinto comendador uma carta de agradecimento a qual muito o sensibilizou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Como se explica, então, que uma obra de tão má qualidade científica e com ideias tão contrárias à religião fosse tão elogiada pela Academia de Ciências, pelo cardeal de Lisboa e pela Câmara dos Pares?&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Alberto Pessoa apresenta uma justificação possível, que parece igualmente muito acertada:&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;O homem era rico, amável, bem relacionado, tinha amigos e parentes em altas situações. Ninguém o queria desgostar, a êle que se desfazia em amabilidades para tôda a gente. A obra tinha aspecto considerável, grande formato, óptimo papel, elegância tipográfica, magníficas estampas. Tudo isto infunde respeito. Quem recebia um volume, oferecido pelo autor, folheava-o, admirava as figuras, lia bocado aqui, bocado acolá, achava tudo muito curioso e, se não era do métier, ficava pensando que por certo lá estaria a última palavra da sciência. Os outros, os naturalistas, esses é de crer que não tomassem muito a sério as descobertas do comendador. Lá uns com os outros, sabe Deus o que diriam; mas, coitados, em público, não diziam nada, calavam-se prudentemente, bem sabiam que, se falassem, ninguém os acreditaria e que se sujeitavam a ser acusados de invejosos. Assim se criou e sòlidamente se estabeleceu uma reputação que o Parlamento, as Universidades, as Academias e os eruditos consagraram…&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;E talvez não seja caso único…&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Alberto Pessoa conclui esta discussão com alguma graça:&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;A obra de Gama Machado está hoje completamente esquecida. Desconfio mesmo que fui eu a única pessoa que recentemente a leu de fio a pavio. Alguma coisa também havia de fazer um dia, que os outros não tivessem feito…&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;O testamento de Gama Machado (que morreu com 86 ou 87 anos) foi sendo escrito ao longo de décadas. Tinha um elevado número de correcções e aditamentos e estava cheio de incongruências e incompatibilidades. Após a sua a morte, a partilha da enorme fortuna que deixava ─ avaliada em cerca de um milhão de francos ─ teve que ser decidida em tribunal durante um julgamento que deu brado em toda a cidade de Paris. A sua colecção de pássaros foi deixada à governanta, Elisabeth Perrot, da qual tinha tido um “filho natural”. A maior parte do dinheiro foi distribuído por familiares. Alguns objectos foram doados a entidades portuguesas: à Academia de Ciências de Lisboa ─ uma colecção de aves empalhadas e desenhos originais da sua Théorie des Ressemblances ─ à Universidade de Coimbra ─ cabeças de gesso do sistema Gall, um pequeno busto do comendador, dois vasos de porcelana e dois quadros ─ e ao Príncipe Real de Portugal ─ algumas colecções de história natural (aves embalsamadas). Deixou ainda fundos destinados à divulgação da teoria das semelhanças para que pudesse ser professada em cursos no Ateneu Real de Paris, na Société des Sciences Naturelles, de que era membro, e na Academia de Ciências de Lisboa. Neste último caso, o fundo deveria ser “aplicado expressamente ao estudo dos costumes das aves de capoeira, indígenas e exóticas” e, em princípio, os cursos deveriam realizar-se em Lisboa e em Coimbra. À Academia de Ciências de Paris deixou um fundo para um “Prix da Gama Machado” destinado “à melhor memória sobre as partes coloridas dos sistemas tegumentosos dos animais ou sobre a matéria fecundante dos seres animados”, o qual, efectivamente, foi atribuído de três em três anos a vários investigadores franceses. O seu amor pelos animais tornou-se lendário e naturalmente não podia deixar de legar à Sociedade Protectora dos Animais de Paris um fundo monetário importante. Toda esta generosidade não pôde no entanto ser concretizada, porque a fortuna, embora grande, não cobria todas as despesas indicadas pelo benemérito conselheiro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A excentricidade mais notável do testamento de Gama Machado relaciona-se no entanto com o seu funeral:&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Desejo que o meu corpo seja guardado o mais tempo possível, e colocado num caixão de chumbo. O meu corpo será levado directamente ao cemitério do Pire-Lachaise: gastar-se-à o menos dinheiro possível (despesa inútil de vaidade). Tomar-se-á para modêlo do meu túmulo o que mandei elevar ao meu estorninho; esta ave, estando embalsamada, depositar-se-à o seu corpo com o meu. Este modêlo será enviado para Lisboa. Os meus cavalos acompanharão o meu entêrro sem puxar ao meu carro, o meu criado de quarto levará numa pequena gaiola uma das minhas aves favoritas. Proíbo expressamente que se convide seja quem fôr para o meu entêrro. Os meus criados acompanharão o meu corpo no meu entêrro; será o último testemunho de reconhecimento por todas as bondades que tive para com eles. […] O meu entêrro terá logar às três horas da tarde, à hora em que os corvos do Louvre têm o costume de vir procurar o seu jantar”[…]. Servir-se-ão do meu caixão que tem relação com o meu trabalho das sciências naturais. Êste caixão encontra-se em minha casa, bem como a mortalha. […] Depositar-se-ão no meu caixão as aves contidas nos quatro túmulos que ornam as minhas colecções de história natural.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Gama Machado parece ter ainda determinado que lhe metessem no caixão um volume com as obras de Lucrécio, o seu autor favorito!...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-6480089320236685805?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/6480089320236685805/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=6480089320236685805&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/6480089320236685805'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/6480089320236685805'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2008/01/o-excntrico-conselheiro-gama-machado.html' title='O excêntrico conselheiro Gama Machado'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/R5zHxyER1SI/AAAAAAAAAQg/MYDtA8sSe3Q/s72-c/Gama+Machado+3M.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-427827290655813251</id><published>2008-01-12T00:13:00.000Z</published><updated>2008-12-11T11:01:51.696Z</updated><title type='text'>O mito das lâmpadas eternas</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/R4gINBFquMI/AAAAAAAAAPo/9zTKUD5UGcU/s1600-h/Fogo+Eterno+RM.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5154378793249061058" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/R4gINBFquMI/AAAAAAAAAPo/9zTKUD5UGcU/s400/Fogo+Eterno+RM.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;Hoje mais do que nunca, a concretização do sonho alquímico envolvendo a descoberta de um combustível inconsumptível, faria as delícias de qualquer macro- ou micro-economista. Com esse achado, ficariam resolvidos todos os problemas levantados pela crise petrolífera que desgasta as economias das nações desenvolvidas e vicia as dos países produtores de petróleo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na esperança de que o despertar deste mito possa ter alguma utilidade para economistas e inventores modernos, relatemos o que se pensava nos séculos XVI e XVII acerca das lâmpadas eternas e do seu inesgotável depósito de combustível. De acordo com H. Carrington Bolton num artigo intitulado &lt;em&gt;Legends of sepulcral and perpetual lamps&lt;/em&gt;, publicado no &lt;em&gt;Monthly Journal of Science&lt;/em&gt; de Novembro de 1879:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Durante os séculos XVI e XVII parece ter existido uma crença, muito real e amplamente dominante, na efectiva existência de lâmpadas eternas. Muitos escritores eruditos defendiam que os antigos conheciam a preparação de um combustível fluido, que, enquanto ardia e produzia luz, não diminuía nem em quantidade nem em potência. Lâmpadas alimentadas por esse maravilhoso líquido foram colocadas em túmulos pelos antigos romanos, e continuaram acesas até ao momento em que um qualquer explorador descuidado violava os espaços subterrâneos dos defuntos, permitindo a entrada do ar e provocando assim o tremeluzir da chama e a sua rápida extinção. Estas lâmpadas maravilhosas ardiam com uma luz tanto mais brilhante quanto menos ar houvesse, extinguindo-se inevitavelmente com a entrada de ar.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Foram muitas e variadas as tentativas dos alquimistas antigos na busca de receitas para o milagroso combustível que alimentava as chamas eternas. Algumas dessas receitas ficaram registadas em livros que chegaram até aos nossos dias, mas, até hoje, ainda se não descobriu nenhuma que funcionasse… &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-427827290655813251?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/427827290655813251/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=427827290655813251&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/427827290655813251'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/427827290655813251'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2008/01/o-mito-das-lmpadas-eternas.html' title='O mito das lâmpadas eternas'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/R4gINBFquMI/AAAAAAAAAPo/9zTKUD5UGcU/s72-c/Fogo+Eterno+RM.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-1014937975506330368</id><published>2008-01-02T16:08:00.000Z</published><updated>2008-12-11T11:01:51.907Z</updated><title type='text'>A Aritmética binária ou diádica</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/R3u6IBFquHI/AAAAAAAAAPA/RQYB3YmVogs/s1600-h/Leibnitz+arith+bin.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5150915245722220658" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/R3u6IBFquHI/AAAAAAAAAPA/RQYB3YmVogs/s400/Leibnitz+arith+bin.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A aritmética binária ou diádica poderá ter origens remotas, mas a sua formulação explícita e rigorosa foi feita por Leibnitz em 1702 numa comunicação à Academia de Ciências de Paris com o título &lt;em&gt;Explication de l'Arithmétique Binaire&lt;/em&gt; e que aparece publicada em &lt;em&gt;Histoire de l’Academie Royal des Sciences, Anné 1703&lt;/em&gt;. Nesta última publicação surge ainda um comentário à memória de Leibnitz intitulado &lt;em&gt;Nouvelle Arithmetique Binaire&lt;/em&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O Sr. Leibnitz depois de ter estudado a mais simples e a mais curta de todas as progressões possíveis[para bases aritméticas], que é aquela que termina em Dois, achou-a muito rica e muito abundante nessas espécies de propriedades acidentais. Ele não terá em toda a sua aritmética senão dois caracteres 0 e 1. O zero terá a poder de multiplicar todos por Dois, da mesma forma que na aritmética ordinária ele multiplica todos por Dez. 1 será um, 10 dois, 11 três, 100 quatro, 101 cinco, 110 seis, 111 sete, 1000 oito, 1001 nove, 1010 dez. etc., o que está inteiramente fundamentado nos mesmos princípios que as expressões da Aritmética vulgar.&lt;br /&gt;É verdade que esta aritmética será muito incómoda, pela enorme quantidade de caracteres que necessita, mesmo para números muito pequenos. Por exemplo, precisa de quatro caracteres para exprimir o oito, que nós exprimimos por um único. Também o Sr. Leibnitz não pretende fazer passar a sua Aritmética para o uso popular; ele diz apenas que, para investigações difíceis, ela terá vantagens que a outra não tem e conduzirá a especulações mais elevadas.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Também o próprio Leibnitz enumera, na sua memória, algumas vantagens da nova aritmética:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mas o cálculo por Dois, isto é por 0 e por 1, recompensa a sua extensão; é mais fundamental para a ciência e proporciona novas descobertas de utilidade imediata para a prática dos números e sobretudo para a Geometria; e a razão é que os números estando reduzidos aos princípios mais simples, como 0 e 1, parece por toda a parte uma ordem maravilhosa.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O autor do comentário retira da memória de Leibnitz uma história envolvendo a inscrição antiga descoberta pelo Pe. Bouvet, um jesuíta missionário na China, a qual continha uma escrita codificada com mais de 4 mil anos. Esta inscrição era constituída por segmentos de recta contínuos e interrompidos. Em 1701 ─ depois de ter conhecimento da aritmética binária que o próprio Leibnitz lhe tinha comunicado ─ o Pe. Bouvet interpretou aqueles símbolos de acordo com a referida aritmética, atribuindo o símbolo 1 aos segmentos contínuos e o símbolo 0 aos interrompidos, e mostrou que eram equivalentes aos números da aritmética vulgar. Se esta interpretação estiver correcta, o imperador Fohi, fundador das ciências na China, terá precedido Leibnitz na invenção da aritmética binária.&lt;br /&gt;No comentário à memória de Leibnitz, é ainda revelado que o Sr. De Lagni, um professor de Hidrografia em Rochefort ─ que aparentemente não teve conhecimento dos trabalhos de Leibnitz ─ tentava explorar as capacidades da aritmética binária para simplificar as operações de multiplicar e dividir. Sobre esta questão, De Lagni escreveu um artigo, divulgado em Rochefort, e enviou uma memória à Academia de Ciências de Paris. Na opinião deste professor, as operações de multiplicar e dividir feitas com os logaritmos não eram suficientemente credíveis. Ele detectara defeitos e inconvenientes nos logaritmos para os quais não achava outro remédio senão utilizar uma aritmética binária, pois “na aritmética binária as multiplicações e as divisões fazem-se necessariamente por adições e subtracções”, natural e directamente, sem os procedimentos artificiais ligados ao cálculo logarítmico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar das reservas de De Lagni, os logaritmos continuaram a merecer a preferência dos matemáticos e operadores até há bem poucos anos. Só na segunda metade do século XX, e depois de ter sido adoptada nos computadores, a aritmética binária foi destronando de forma definitiva os logaritmos. Hoje, ninguém recorre às tábuas de logaritmos para fazer contas; utilizamos a máquina de calcular que realiza todas as operações com a aritmética binária. Em face da indispensabilidade dos computadores modernos para o avanço científico, poderemos concluir que Leibnitz tinha razão ao afirmar que esta aritmética ─ mais tarde aperfeiçoada por Boole (1815-1864) ─ era fundamental para a ciência.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-1014937975506330368?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/1014937975506330368/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=1014937975506330368&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/1014937975506330368'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/1014937975506330368'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2008/01/aritmtica-binria-ou-didica.html' title='A Aritmética binária ou diádica'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/R3u6IBFquHI/AAAAAAAAAPA/RQYB3YmVogs/s72-c/Leibnitz+arith+bin.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-1379662364082875149</id><published>2007-12-26T00:46:00.000Z</published><updated>2008-12-11T11:01:52.108Z</updated><title type='text'>A globalização não é invenção recente</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/R3GmOBFquFI/AAAAAAAAAOw/3GTYEaYccx8/s1600-h/carav.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5148078608801773650" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/R3GmOBFquFI/AAAAAAAAAOw/3GTYEaYccx8/s320/carav.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;Há quem defenda que a globalização foi iniciada pelos portugueses e espanhóis, no período dos Descobrimentos. Há quem ache que é uma invenção do século XXI, mas parece que já se revelava em meados do século XX. De acordo com a Gazeta de Física de Outubro de 1948, na edição francesa das Selecções Readers’s Digest de Maio de 1948 faz-se uma interessante descrição de um dia do homem “moderno” nestes termos:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Ao acordar ele está em pijama (veste de origem malaia). Olha para o relógio (invenção europeia da idade média) e vai para a casa de banho (porcelana da China, escova de dentes inventada na Europa no século XVIII, sabão dos Gauleses, «W.C.» imaginado por um romano original, navalha de barba: liga de ferro e carvão descoberta na Índia).&lt;br /&gt;O pequeno almoço recorda-lhe inovações de outros povos e de outras épocas: o garfo (criação italiana da idade média), o café (planta da abissínia descoberta pelos árabes), o açúcar (descoberta nas Índias) as filhozes (escandinávias), a manteiga (na origem, um cosmético oriental), o «bacon» (suínos comestíveis do Sudeste asiático, fumados segundo um processo em uso na Europa setentrional).&lt;br /&gt;Depois, no comboio (invenção inglesa), instala-se a fumar um cigarro (herança mexicana), lê o jornal (impresso em caracteres cridos pelos Semitas, graças a um processo alemão, sobre uma matéria inventada pelos chineses), etc. etc. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Passados 60 anos, não aumentou o número de países de onde são originários os objectos usados pelo homem moderno… Nota-se, porém, alguma preponderância dos objectos “made in China” ou em países vizinhos, sem marca ou com os nomes de empresas multinacionais …&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-1379662364082875149?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/1379662364082875149/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=1379662364082875149&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/1379662364082875149'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/1379662364082875149'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2007/12/globalizao-no-inveno-recente.html' title='A globalização não é invenção recente'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/R3GmOBFquFI/AAAAAAAAAOw/3GTYEaYccx8/s72-c/carav.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-5216402962046847135</id><published>2007-12-23T17:46:00.000Z</published><updated>2008-12-11T11:01:52.312Z</updated><title type='text'>A Fé e a Ciência</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/R26f2xFquCI/AAAAAAAAAOY/4GxJ-f_lq0Y/s1600-h/Virgem+M.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5147227187369916450" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/R26f2xFquCI/AAAAAAAAAOY/4GxJ-f_lq0Y/s400/Virgem+M.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Acreditar ou não acreditar é uma liberdade e, aparentemente, uma necessidade de todos os homens. Os nossos objectos de fé tomam os mais variados matizes e incluem tanto questões de carácter natural como sobrenatural: as primeiras são predominantemente objecto das ciências, as segundas das religiões.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;São muito populares as crenças em Deus ou no Diabo, nos extraterrestres, nas ondas telepáticas, nas viagens no tempo, ou nas super-cordas … As enormes diferenças entre estes tipos de crenças podem classificar-se, no entanto, em termos de perenidade ou caducidade. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Uma teoria científica em fase de desenvolvimento e de comprovação experimental é motivo de fé para os cientistas que nela trabalham. Mas quando a teoria é efectivamente testada, a fé dos cientistas esfuma-se e transforma-se em verdade ou erro. O objecto de fé desaparece para dar lugar a outro e os cientistas iniciam nova peregrinação com renovada fé. É por meio deste processo dinâmico que a ciência evolui: uma fé transitória transforma-se em verdade supostamente perene, outros motivos de fé surgem para serem mais tarde abandonados na roda da fortuna… &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;A fé do sobrenatural, e em particular a fé religiosa, rege-se por regras distintas. Tal como a religião, a fé religiosa é estática. Os dogmas de fé são imutáveis. Nenhum dogma de fé religioso é validável racional ou cientificamente e qualquer tentativa nesse sentido acaba no ridículo. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não deixa de ser admirável que um cientista possa abraçar estes dois tipos de fé ─ a científica e a religiosa ─ e consiga mantê-las em perfeita comunhão. Até ao século XX, quando todos os cientistas tinham uma religião, foram inumeráveis estes exemplos. O caso de Michael Faraday (1791-1867) é paradigmático: “quando entrava no oratório esquecia totalmente o laboratório”. Nos nossos tempos, porém, muitos cientistas foram incapazes de conciliar estas duas espécies de fé. Actualmente, é comum encontrar cientistas que declaram o seu ateísmo ou agnosticismo, o que parece ser uma atitude intelectual mais coerente, ou talvez não … de acordo com a fé religiosa! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-5216402962046847135?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/5216402962046847135/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=5216402962046847135&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/5216402962046847135'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/5216402962046847135'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2007/12/f-e-cincia.html' title='A Fé e a Ciência'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/R26f2xFquCI/AAAAAAAAAOY/4GxJ-f_lq0Y/s72-c/Virgem+M.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-2030116218027281556</id><published>2007-12-15T01:02:00.000Z</published><updated>2008-12-11T11:01:52.465Z</updated><title type='text'>As experiências de Bernarr Macfadden no Estoril</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/R2MoPxFqt_I/AAAAAAAAAOA/W1dMlCxPdL0/s1600-h/Macfadden.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5143999450727495666" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/R2MoPxFqt_I/AAAAAAAAAOA/W1dMlCxPdL0/s400/Macfadden.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Em 1931, Bernard Adolphus Mcfadden (1868-1955) ─ o mediático promotor da educação física e do culturismo americano que adoptou o “forte” nome Bernarr Macfadden ─ realizou em Portugal, mais concretamente no Estoril, um programa experimental de 6 meses com 50 crianças, entre os 8 e 12 anos, “dos asilos da Assistência Pública” com o objectivo de “demonstrar a eficácia de uma diatética cientificamente regulada” e “do seu método de cultura física”.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Para isso teve o apoio da Junta de Educação Nacional (JEN), que obteve do Ministério da Guerra a cedência do edifício do Banhos da Poça e que destacou uma professora oficial do Ministério da Instrução Pública para acompanhar as crianças. Todas as restantes despesas ficaram a cargo do benemérito e multimilionário americano. O projecto tinha sido previamente acordado entre Bernarr Macfadden e um representante da JEN, o Dr. Fernando Lobo de Ávila Lima, que se deslocou propositadamente a Nova Iorque gastando dos cofres da JEN a quantia de 6.000$00 em despesas de viagem.&lt;br /&gt;A actividade de Macfedden em Portugal, e também na Suiça, integrava-se num programa de lançamento da sua Fundação que era apoiada por uma fortuna de 5 milhões de dólares suportada pelo imobiliário e publicações periódicas (incluindo um tablóide nova-iorquino pornográfico).&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Na inauguração da “colónia” juvenil portuguesa a 12 de Novembro de 1931, o Secretário Geral da JEN pronunciou um discurso de boas vindas ao Sr. Macfadden, elogiando “o seu elevado exemplo de filantropia” combinado com “o mais magnificente exemplo de nobreza moral”. Agradecia reconhecidamente ao Sr. Macfadden o ter escolhido o nosso país para as suas experiências e lembrava que a JEN ─ na sua nobre missão de “elevar o carácter dos portugueses e de promover a melhor reorganização e o aperfeiçoamento progressivo de todos os métodos de educação intelectual, moral e física”─ estaria disponível para colaborar noutras experiências pedagógicas semelhantes.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Qual seria o método do Sr. Macfedden? Das palavras do Secretário Geral da Junta poder-se-á concluir que nem este responsável sabia: &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;O Sr. Macfadden e os seus colegas &lt;/em&gt;[o Dr. Clington e o Sr. De Vitalis]&lt;em&gt; vão tentar um novo método de educação, vão aplicar este método a um grupo de crianças e só depois de os resultados obtidos lhes terem dado a contraprova real do seu valor, é que eles nos explicarão em que é que consiste realmente o método, como funciona e como deveria ser aplicado.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/div&gt;&lt;/em&gt;&lt;div&gt;Talvez a revelação do método e os resultados “muito satisfatórios” que o Secretário Geral da JEN dava como certos, se encontrem no livro que Thomas Dixon publicou em 1934. Não deixa, porém, de ser preocupante que o Estado Português tivesse confiado 50 crianças “pobres e débeis” ao Sr. Macfadden, cujos métodos, baseados em jejuns e exercícios físicos, eram contestados pelos seus contemporâneos. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-2030116218027281556?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/2030116218027281556/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=2030116218027281556&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/2030116218027281556'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/2030116218027281556'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2007/12/as-experincias-de-bernarr-macfadden-no.html' title='As experiências de Bernarr Macfadden no Estoril'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/R2MoPxFqt_I/AAAAAAAAAOA/W1dMlCxPdL0/s72-c/Macfadden.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-6773555108413261390</id><published>2007-11-27T23:10:00.000Z</published><updated>2008-12-11T11:01:52.631Z</updated><title type='text'>A crise universitária de há 100 anos</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/R0yndwyB1OI/AAAAAAAAAN4/6S6N5UZob-g/s1600-h/estudante+2R.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5137665404675675362" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/R0yndwyB1OI/AAAAAAAAAN4/6S6N5UZob-g/s400/estudante+2R.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Há 100 anos havia uma única universidade em Portugal ─ a velha Universidade de Coimbra. Os alunos e os jovens candidatos a doutores e a professores, mais progressistas, queixavam-se que a Universidade ainda funcionava como nos tempos da Reforma Pombalina (1772), sem que os ventos do progresso que varreram o século XIX tivessem tido sobre ela qualquer efeito benéfico... Os juramentos religiosos mantinham-se desde há séculos, a prepotência dos lentes continuava a dominar a vida académica e as matérias ensinadas eram cada vez mais inúteis …&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A “injusta” reprovação, nos actos de doutoramento, do licenciado em direito José Eugénio Ferreira ─ aparentemente por causa do “seu feitio independente” que “nunca em baixezas rastejara ante a catedra” ─ causou nos estudantes de Coimbra uma forte reacção de descontentamento.&lt;br /&gt;Este acontecimento, ocorrido a 1 de Março, foi a gota de água que originou as manifestações estudantis tanto contra os lentes (particularmente os de Direito) como contra o próprio sistema de ensino. A primeira manifestação surgiu mal os estudantes souberam da reprovação do referido licenciado e, de imediato, a exigência de reformas radicais se tornou a palavra de ordem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta manifestação, espontânea, percorreu a cidade e continuou pela “Estrada da Beira” até à residência do “injustiçado”, que discursou, exigiu reformas radicais para a Universidade, transformando-se assim em herói e paladino da “moderna tendência do ensino”. Nessa mesma noite, a reunião estudantil ─ que tomou a forma de assembleia geral ─ continuou no Ginásio, e nela se decidiu organizar uma manifestação de protesto a ter lugar no dia seguinte dentro das instalações da Universidade. Os lentes, que entravam para dar as suas aulas, foram brindados com “Fora! Fora!” e, muito provavelmente, com outros “mimos” menos inocentes e decentes…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perante estes inéditos e graves acontecimentos, a Universidade interrompeu as aulas e pouco depois fechava-as oficialmente. Os estudantes foram obrigados a deixar a cidade e a manterem-se afastados fora de perímetro de alguns quilómetros. Decidiram então dirigir-se para Lisboa com o objectivo de ouvir, no Ateneu Comercial de Lisboa, uma conferência de Teófilo Braga realizada a 11 de Março. Na opinião dos estudantes, este ilustre académico teria sido igualmente injustiçado pelos lentes. Da capital, regressaram às suas terras, dado que, por ordem da Universidade, não podiam voltar a Coimbra. Mesmo assim, alguns tentaram furar o cerco; foram seguidos, presos e, encarcerados durante alguns dias como autênticos malfeitores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Realizaram-se comícios no Porto e em Lisboa durante este período de suspensão de aulas. Outras escolas superiores se alvoroçaram. Os processos disciplinares contra os estudantes mais activos decorriam aceleradamente e, como consequência, alguns deles foram expulsos da Universidade por períodos que chegaram a atingir os dois anos. Foi o caso do anarquista Campos Lima, que nos conta as peripécias desta luta estudantil no livro &lt;em&gt;A Questão da Universidade (Depoimento d’um estudante expulso)&lt;/em&gt;, publicado na Livraria Clássica Editora de Lisboa no mesmo ano de 1907.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sequência destes acontecimentos o jovem lente republicano Bernardino Machado demitiu-se em 17 de Abril. Finalmente, a Universidade foi reaberta a 23 de Maio para a realização de exames, a grande maioria dos estudantes cedeu à pressão e o vetusto e contestado sistema de ensino manteve-se forte como sempre. Só a República o conseguiu eliminar... O parlamento e o governo, onde legislavam muitos ex-alunos de Coimbra, criaram duas novas universidades ─ a de Lisboa e a do Porto… contra a vontade dos lentes de Coimbra, naturalmente! ...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-6773555108413261390?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/6773555108413261390/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=6773555108413261390&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/6773555108413261390'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/6773555108413261390'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2007/11/crise-universitria-de-h-100-anos.html' title='A crise universitária de há 100 anos'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/R0yndwyB1OI/AAAAAAAAAN4/6S6N5UZob-g/s72-c/estudante+2R.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-8609498895388154318</id><published>2007-11-18T23:52:00.000Z</published><updated>2008-12-11T11:01:52.780Z</updated><title type='text'>Divulgação científica em Portugal ─ tentativas falhadas</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/R0DRR3rhPdI/AAAAAAAAANg/SX_qrQblTsI/s1600-h/Nature+M+RM.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5134333680136830418" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/R0DRR3rhPdI/AAAAAAAAANg/SX_qrQblTsI/s400/Nature+M+RM.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ao longo da História, a sociedade portuguesa tem manifestado pouco interesse pela ciência e, consequentemente, não tem usufruído dos meios de promoção cultural, postos à sua disposição, como é o caso das revistas de divulgação científica.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;José António de Sousa Moreira conta-nos a tentativa falhada do lançamento de uma revista de divulgação de astronomia no Porto, no último quartel do século XIX:&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Mas eu creio mesmo que o povo pouco interesse dedica a trabalhos que visem á sua instrucção.&lt;br /&gt;Eu, que vou vivendo á sombra do meu nada, descontente pella indifferença que vejo consagrar ás cousas mais uteis e elevadas, concebi um dia a loucura de publicar uma revista de astronomia popular intitulada «Viagens ás terras do céo», que annunciei como poude, prestando-me ainda assim bons serviços para a propaganda a illustrada imprensa d’esta cidade, que para logo comprehendeu a alta importancia da publicação.&lt;br /&gt;A tal revista a effectuar-se, diz-m’o a consciencia, que não preencheria de certo o fim proposto, mas enfim era uma tentativa arrojada no meio egoista e indifferente que nos vae matando para tudo que se eleve um pouco acima da materialidade do commercio indigena, que só conhece as libras esterlinas pondo de parte as estrellas… Pois em pouco tempo o desalento invadiu-me e eu lamentei o mau êxito da tentativa. E sabem porque? Porque só me vieram expontaneamente, imaginem quantas assinaturas: ─ três!! Com tão bons elementos poder-se-hia encetar a publicação? É de gratidão mencionar os nomes dos cavalheiros que pretenderam auxilial-a; foram os exc.mos snrs. Domingues Alexandrino da Silva, desta cidade, o administrador do concelho d’Almada e José Ribeiro Pinto, telegraphista de Amarante. Dos 500:611 individuos que sabem lêr, segundo a estatística moderna, só três assignaram!... Mas ainda não desesperei de vêr a lume a publicação, quando for outra a orientação do ensino popular e se generalisar mais a noticia n’ella… lá para a era de 2:000.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nessa mesma época ─ quando era muito intensa a actividade editorial de divulgação científica nos principais países da Europa e nos E.U.A. ─ também os estudantes universitários portugueses pareciam desinteressar-se pela cultura científica, não destoando da sociedade em que se integravam. Havia, naturalmente, excepções, que apenas confirmavam a regra … &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;É paradigmático o caso da revista &lt;em&gt;O Pantheon&lt;/em&gt; ─ &lt;em&gt;Revista Quinzenal de Sciencias e Lettras do Porto&lt;/em&gt;, que era dirigida por José Leite de Vasconcelos e Mont’Alverne de Sequeira quando ainda eram estudantes da Escola Médico-Cirúrgica e na qual colaboraram mais alguns estudantes. Esta revista, destinada ao público académico, teve uma vida efémera: apareceu em Novembro de 1880 e acabou em Outubro de 1881. No último número, o 24º, o director-proprietário Montalverne de Sequeira queixava-se do facto de terem sido "os estudantes portuenses, nossos collegas, os assassinos d'esta revista, e os culpados de não termos alargado mais a area dos nossos desejos para o desenvolvimento d'esta modestissima publicação". Fundamentava esta acusação no desinteresse dos colegas que a não assinavam. Acusava-os ainda "da modorra que os inhibe de fazer outra coisa, que não seja decorar os livros da aula".&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Já ultrapassámos o ano 2000 apontado por José António de Sousa Moreira como o ano da esperança. Após 120 anos, será que mudou alguma coisa na sociedade portuguesa e no meio estudantil universitário? … &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-8609498895388154318?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/8609498895388154318/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=8609498895388154318&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/8609498895388154318'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/8609498895388154318'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2007/11/divulgao-cientfica-em-portugal.html' title='Divulgação científica em Portugal ─ tentativas falhadas'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/R0DRR3rhPdI/AAAAAAAAANg/SX_qrQblTsI/s72-c/Nature+M+RM.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-8391343476398025555</id><published>2007-11-01T19:10:00.000Z</published><updated>2008-12-11T11:01:52.921Z</updated><title type='text'>Os limites da Ciência</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RyomZom7ZaI/AAAAAAAAANI/gEoDEEda7d4/s1600-h/Escada+Fluk.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5127953347554010530" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RyomZom7ZaI/AAAAAAAAANI/gEoDEEda7d4/s320/Escada+Fluk.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A recente conferência organizada pela Fundação Calouste Gulbenkian sobre os limites da ciência (&lt;em&gt;A Ciência terá limites?,&lt;/em&gt; 25-26 de Outubro) e a repercussão mediática que causou puseram em confronto posições filosóficas antagónicas. Na sequência deste movimento, foram publicadas muitas opiniões e observações sobre a ciência, o seu valor e os seus limites.&lt;br /&gt;Num lado, estão aqueles que afirmam que a ciência é a única forma de obter conhecimento válido e que haverá ciência enquanto houver homens e mistérios para desvendar. No outro lado, estão aqueles que pensam que o conhecimento pode ser obtido por distintas vias, que o domínio da ciência é limitado e que está a esgotar-se, conduzindo ao aniquilamento da própria ciência. São duas posições extremadas entre as quais se encontram posturas intelectuais intermédias com diferentes gradações de cientismo ou cepticismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para todos, a real ou a virtual incapacidade da ciência para clarificar os mistérios da natureza pode atribuir-se às deficiências do método científico, à carência de meios técnicos e tecnológicos ou à ausência de áreas de estudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não são novas as discussões sobre os limites da ciência. Mal se percebeu que a recém nascida “ciência moderna” era um meio eficaz de obtenção de conhecimento, surgiram vozes denegrindo o seu valor e utilidade e expondo os seus limites. “Como poderia a ciência contribuir para a salvação da alma, o objectivo único da nossa vida terrena?”─ perguntava-se. Foi particularmente nos séculos XVIII e XIX que muito se discutiu o valor e os limites do conhecimento científico em comparação com o conhecimento revelado!... Posteriormente, o místico, o metafísico e o poético procuraram impor-se como qualificativos do conhecimento humano, procurando fazer prevalecer os seus valores e argumentos e estabelecendo limites ao conhecimento científico. Assim se exprimia o nosso poeta José Régio em 1929:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Senhora Dona Ciência, o seu nariz é curto. E os seus olhos não vão mais longe do que a ponta do seu nariz. As suas descobertas… não foram feitas por si. Os seus códigos são provisórios ─ como sabe. As suas explicações não provam nada, porque de resto nada se prova. E o pior é que nem explicam!&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Não é igualmente nova a ideia do esgotamento das áreas científicas. No séc. XIX, alguns cientistas pensaram ter atingido os limites do conhecimento científico em determinadas áreas do saber. Cauchy (1789–1857) julgava que se tinha atingido a verdade total sobre a teoria ondulatória mecânica da luz ao afirmar que “não admitia poder aprender sobre a luz mais do que já sabia”. Henrich Hertz (1857-1894), revelando apesar de tudo alguma prudência, afirmava em 1888 perante a associação alemã de cientistas que a nova teoria ondulatória electromagnética da luz se tinha tornado, “humanamente falando, uma certeza”. O físico Albert Michelson (1852-1931), o primeiro prémio Nobel americano (1907) afirmou que “as futuras verdades da física se deveriam procurar na 6ª casa decimal”. Quando Max Planck (1858-1947) procurou o seu professor Philipp von Jolly (1809–1884) para o aconselhar sobre a orientação a dar aos seus estudos, este ter-lhe-ia apresentado a física como uma ciência praticamente esgotada!… Nesta altura, ninguém imaginava ─ nem os próprios físicos ─ quanto a física viria a desenvolver-se no século XX!… &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Conhecedores destes factos históricos, os cientistas actuais não se atrevem a afirmar que a ciência está esgotada, mas há jornalistas e pensadores como John Horgan e George Steiner que o fazem. Para além de desconhecerem a ciência, parecem desconhecer igualmente a sua história. Esta história mostra-nos que no desenvolvimento da ciência existem períodos de estabilidade e de alguma estagnação a que se seguem períodos de inesperadas revoluções. Aqueles que, como Jhon Horgan, pensam que a física está esgotada poderão inesperadamente ter uma enorme surpresa. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Apesar do muito que conhecemos sobre a Natureza desconhecemos muito mais; quanto mais avançamos no conhecimento, mais áreas desconhecidas surgem perante nós. Newton afirmava referindo-se às descobertas científicas feitas na sua juventude:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sinto-me como se tivesse sido uma criança a brincar na praia e que se divertia ao achar, de vez em quando, uma pedrinha mais polida ou uma concha mais bonita do que o habitual, enquanto o grande mar da verdade se estendia, desconhecido, perante mim.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O físico João Caraça afirmou há dias num canal de televisão que “os limites da ciência são os limites da imaginação” e, ao concordarmos com esta afirmação, poderemos concluir que haverá ciência enquanto houver homens. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Parafraseando Henrich Hertz, “humanamente falando” não há limites para a ciência.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-8391343476398025555?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/8391343476398025555/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=8391343476398025555&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/8391343476398025555'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/8391343476398025555'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2007/11/os-limites-da-cincia.html' title='Os limites da Ciência'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RyomZom7ZaI/AAAAAAAAANI/gEoDEEda7d4/s72-c/Escada+Fluk.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-7402946289027317910</id><published>2007-10-13T23:42:00.000Z</published><updated>2008-12-11T11:01:53.135Z</updated><title type='text'>A socialização da ciência ─ uma conferência de Abel Salazar</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RxFZNIa8_KI/AAAAAAAAAM4/hvUn9b-A1Uw/s1600-h/social+ciencia+R.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5120972333430668450" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RxFZNIa8_KI/AAAAAAAAAM4/hvUn9b-A1Uw/s320/social+ciencia+R.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Numa conferência realizada na Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto, em 28 de Julho de 1933, a propósito do centenário da Biblioteca Municipal do Porto, Abel Salazar exprimiu a sua concepção de socialização da ciência como um estado mental social que deveria ser a base das futuras sociedades.&lt;br /&gt;Abel Salazar distinguia duas vertentes da socialização da ciência: a &lt;em&gt;socialização técnica&lt;/em&gt; e a &lt;em&gt;socialização intelectual&lt;/em&gt;. Reconhecia em 1933 que a primeira era já um facto consumado em várias nações, nas quais incluía a Rússia, mas achava que a segunda não tinha sido ainda realizada.&lt;br /&gt;Na opinião de Abel Salazar era importante para o progresso humano, em todos os seus aspectos económico: ético, moral e espiritual, que as sociedades adquirissem uma mentalidade científica e abandonassem de vez a mentalidade metafísica. Afirmava ele o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Recordemos que a metafísica é o dogma, e a procura do absoluto, que é a opinião personalista, ditatorial, autocrática, enquanto a ciência é a dúvida, o relativo, a impersonalidade, o anonimato, a negação da autoridade intelectual, etc. A metafísica, em suma, é aristocrática, a ciência democrática; a primeira é uma ambição, a segunda uma abdicação; uma tende a levar o homem para fora das realidades da vida, a outra a colocá-lo no centro destas realidades.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Numa época em que o fundamentalismo religioso é um problema de segurança global, talvez valha a pena reflectir sobre o que Abel Salazar afirmava em 1933:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A ciência é o melhor neutralizante da emoção, e portanto do sentimento religioso; assim, pela sua própria estrutura, e pela sua acção modeladora, é um dos elementos capitais na solução do problema religioso…&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para se atingir o estado de socialização da ciência, Abel Salazar esclarecia que “criar uma mentalidade científica não é a mesma coisa que vulgarizar ciência” e insistia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Socializar a ciência é pois educar cientificamente a humanidade; e para isto na basta vulgarizar a ciência, desenvolver a extensão universitária, criar cursos, bibliotecas. […] A educação científica de caracter social tem por finalidade modelar a mentalidade publica adentro do espírito científico, e conduzi-la a um critério científico do homem, da sociedade e do universo, e ao mesmo tempo a uma ética científica. Nisto está contido potencialmente uma filosofia social com os seus conceitos de Ordem, de Liberdade, de Dever, de Justiça, etc.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;A mentalidade metafísica encontrava-se ─ afirmava Abel Salazar ─ no lado oposto desta visão científica. A universalidade e o humanismo da ciência “não são compatíveis com as estruturas e idéas tradicionais da sociedade” nem com “as Seitas religiosas” e acrescentava:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Por outro lado ainda a ciência é a negação das élites, da autoridade pessoal, e conjuga o personalismo com a impersonalidade colectiva, o que ainda a torna incompatível com certas idéas correntes.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Reconhecia por isso as dificuldades que existiam no seu tempo para a implementação da socialização da ciência:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A ética científica é incompatível com a ética católica; e a socialização científica incompatível com o Capital […] O capital financeiro arma-se com a ciência e com a técnica quer para a paz quer para a guerra.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Abel Salazar não era homem para desistir:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A ciência tem &lt;/em&gt;[…] &lt;em&gt;de destruir a mentalidade burguesa e católica, como outrora anulou a mentalidade aristocrática e teológica; tem que substituir o humanismo ao nacionalismo, e transformar os conceitos absolutos em relativos; e, acima de tudo, tem de fornecer uma ética.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com ideias tão invulgares, não admira que o decreto de depuração, assinado por António de Oliveira Salazar em 1935, o tivesse exonerado do lugar de professor na Faculdade de Medicina do Porto, onde aliás tinha tentado difundir aquelas ideias por meio de um &lt;em&gt;Curso de Política Cultural&lt;/em&gt; que a Faculdade, naturalmente conservadora, nunca autorizou.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No início do século XXI, a socialização da ciência não está completa entre nós, mas já se avançou bastante na sua implementação. Abel Salazar ficaria feliz se pudesse observar os progressos que entretanto foram conseguidos, mas certamente não desistiria de continuar a lutar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-7402946289027317910?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/7402946289027317910/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=7402946289027317910&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/7402946289027317910'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/7402946289027317910'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2007/10/socializao-da-cincia-uma-conferncia-de.html' title='A socialização da ciência ─ uma conferência de Abel Salazar'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RxFZNIa8_KI/AAAAAAAAAM4/hvUn9b-A1Uw/s72-c/social+ciencia+R.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-5866362647250957649</id><published>2007-10-08T16:02:00.000Z</published><updated>2008-12-11T11:01:53.154Z</updated><title type='text'>A libertação mental do homem e o nascimento da ciência moderna</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RwpZIIa8_II/AAAAAAAAAMo/mYR4bOt1wI4/s1600-h/272975475_fb9ae01391+MM.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5119001922694347906" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RwpZIIa8_II/AAAAAAAAAMo/mYR4bOt1wI4/s320/272975475_fb9ae01391+MM.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;Uma das questões mais interessantes da História da Ciência está relacionada com as causas conducentes ao aparecimento da ciência moderna na Europa. Pergunta-se porque razão a ciência não surgiu no seio de nações, como a China e a Índia, que tinham graus de desenvolvimento social, cultural e económico semelhantes aos da Europa? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O regime de opressão mental imposto pelos poderes religiosos, civis e militares foi durante séculos semelhante em todas as nações tanto europeias como orientais. Noutras palavras, durante séculos não houve lugar para novas ideias. O pensamento estava agrilhoado não só pelo medo mas também pela inércia. A estabilidade era um bem precioso para os poderes estabelecidos. Não havia necessidade de procurar novas explicações porque, fundamentalmente, tudo estava explicado. Tudo o que os nossos sentidos experimentavam já tinha sido objecto da reflexão de homens ilustres, que nos tinham legado as suas sábias conclusões. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nos séculos XV e XVI ocorreu na Europa ocidental um movimento político-económico de enormes precursões ─ os Descobrimentos ─ que pôs o homem europeu em contacto com realidades que não faziam parte da experiência nem do conhecimento dos mestres antigos. Novos céus e estrelas foram observados; mares totalmente novos, navegados; nações e civilizações ignotas, encontradas; novas formas de animais e plantas contempladas com pasmo e incredibilidade. Começou a pensar-se que, afinal, o mundo era maior, mais complexo e mais diversificado; que o conhecimento não cabia no pequeno baú preparado pelos mestres antigos; que se desconhecia muito mais do que aquilo que se conhecia. Perante esta avassaladora experiência, a mente do homem europeu começou a libertar-se da opressão e da inércia e atreveu-se a desbravar terrenos inexplorados, tendo surgido novas ferramentas para a busca da verdade. Libertada, a mente humana tornou-se imparável; estimulada, a imaginação irrompeu por áreas obscuras. A ciência de Galileu e Newton acabou naturalmente por surgir… &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A libertação mental do homem não só esteve na origem da ciência moderna mas também foi imprescindível para o seu desenvolvimento. Portugal e Espanha, que foram os pioneiros dos Descobrimentos, cedo sacrificaram a liberdade mental a um auto-imposto regime de terror inquisitório. Novamente atrofiada a liberdade de pensar, nem portugueses nem espanhóis conseguiram liderar o movimento científico. Pior, não conseguiram sequer acompanhá-lo. A ciência moderna, desenvolvida na Europa mentalmente libertada, passou-nos ao lado durante o século XVII e nas primeiras décadas do século XVIII. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Cento e cinquenta anos de desinteresse nacional pela ciência foi fardo demasiado pesado de que os portugueses não conseguiram libertar-se na Reforma Pombalina, no período liberal da segunda metade do séc. XIX, nos anos de 1960, nem sequer nos nossos dias… O país continua a achar que a ciência nacional é uma actividade de valor menor e portanto uma actividade dispensável. A propaganda política ─ diga-se ─ esforça-se por apregoar o contrário, mas efectivamente pouco faz para alterar a realidade…&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-5866362647250957649?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/5866362647250957649/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=5866362647250957649&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/5866362647250957649'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/5866362647250957649'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2007/10/libertao-mental-do-homem-e-o-nascimento.html' title='A libertação mental do homem e o nascimento da ciência moderna'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RwpZIIa8_II/AAAAAAAAAMo/mYR4bOt1wI4/s72-c/272975475_fb9ae01391+MM.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-1334878511081744939</id><published>2007-10-02T16:10:00.000Z</published><updated>2008-12-11T11:01:53.306Z</updated><title type='text'>O bicentenário das invasões napoleónicas: pilhagens dos soldados franceses</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RwJuTYa8_FI/AAAAAAAAAMQ/rtWjWKamBSE/s1600-h/Junot+Portugal.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5116773405898374226" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RwJuTYa8_FI/AAAAAAAAAMQ/rtWjWKamBSE/s320/Junot+Portugal.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Há 200 anos, o general francês Junot invadiu Portugal à frente de um exército, instalou-se em Lisboa e iniciou um governo napoleónico tomando o modesto título nobiliárquico de duque de Abrantes. A história da invasão e retirada deste primeiro exército foi escrita por um dos auxiliares de Junot, o tenente-general e barão Thiébault, tendo sido publicada em 1817 com o título &lt;em&gt;Relation de l’expédition du Portugal, faite en 1807 et 1808 par le Ier corps d’observation de la Gironde, devenue armée de Portugal&lt;/em&gt;. Para além de todas as peripécias da caminhada, esta obra revela-nos um Portugal pobre, conformado, desorganizado e abandonado à sua sorte pelo próprio rei D. João VI. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Com o fim desta primeira invasão, no ano seguinte, outras se lhe seguiram e, durante anos, o nosso país esteve mergulhado numa crise social e institucional profunda. Os soldados franceses enquanto ocuparam o país furtaram objectos que eram muitas vezes vendidos logo de seguida para fazer dinheiro. Outros objectos mais valiosos foram, no entanto, pilhados com o objectivo de seguirem para Paris. Entre eles encontravam-se instrumentos científicos que, na época, abundavam em França, mas que os militares acharam oportuno retirar das mãos dos portugueses. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Do Gabinete de Física Experimental da Universidade de Coimbra foram saqueados pelas tropas do marechal Massena instrumentos ─ que tinham sido comprados a fabricantes londrinos como William e Samuel Jones ─ entre os quais um óculo astronómico, um óculo de Galileu e dois microscópios, avaliados na época em 62 mil e 400 réis. Segundo relata Costa Lobo, do Observatório Astronómico da Universidade Napoleão desejou ainda possuir uma pêndula Berthoud, de grande valor, que até chegou a estar empacotada para seguir para França. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os instrumentos científicos não eram naturalmente as únicas peças valiosas que despertavam a cobiça dos invasores. Diz-se que muito ouro e prata, bem como valiosos manuscritos com iluminuras da autoria de monges portugueses acompanharam os soldados na sua retirada. A este propósito, Celestino Borges escreveu em 1951 o seguinte: &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;É rico o espólio que nos resta, disperso por museus e arquivos, e não pouco se perdeu nas invasões francesas, arrastado na voragem vandálica e bruta dos soldados, que não contentes com roubar manuscritos inteiros, que figuraram mais tarde em exposições de Paris, cortaram-lhes as folhas para abaixa-luzes de candieiros.&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;As guerras alimentaram-se sempre de pilhagens, tanto nas épocas bárbaras como nas épocas a que chamamos civilizadas. As pilhagens foram também sistematicamente praticadas pelos soldados portugueses nos períodos heróicos das conquistas …&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-1334878511081744939?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/1334878511081744939/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=1334878511081744939&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/1334878511081744939'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/1334878511081744939'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2007/10/o-bicentenrio-das-invases-napolenicas.html' title='O bicentenário das invasões napoleónicas: pilhagens dos soldados franceses'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RwJuTYa8_FI/AAAAAAAAAMQ/rtWjWKamBSE/s72-c/Junot+Portugal.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-4794949579228503118</id><published>2007-09-28T23:04:00.000Z</published><updated>2008-12-11T11:01:53.510Z</updated><title type='text'>A uniformização dos sistemas de pesos e medidas</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/Rv2Kuoa8_DI/AAAAAAAAAMA/Z7AUIVDy7ms/s1600-h/Pesos+babilonicos.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5115397285491833906" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/Rv2Kuoa8_DI/AAAAAAAAAMA/Z7AUIVDy7ms/s320/Pesos+babilonicos.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A adopção do sistema métrico, como sistema universal de pesos e medidas ─ uma das iniciativas da Revolução Francesa ─ foi extremamente importante para a ciência, indústria e comércio. Não há ainda dois séculos, era enorme a confusão entre os várias medidas que serviam para avaliar grandezas físicas (comprimentos, volumes, massas, etc.), porque os padrões variavam de país para país, de região para região, de cidade para cidade. Toda esta confusão resultava do facto de cada localidade ter desenvolvido os seus próprios padrões desde os tempos remotos em que se iniciaram as primeiras trocas comerciais. Hoje dificilmente poderemos imaginar como seria o nosso mundo sem um sistema unificador e universal como o sistema métrico. São extremamente interessantes os factos históricos relacionados com a adopção deste sistema, mas não é menos interessante a história dos sistemas de pesos e medidas que o precederam. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No Antigo Egipto, a unidade de comprimento era a orgya (1,847220 m), que correspondia à estatura média do homem egípcio, a que se acrescentava 1/8 ou 1 pé (0,205246 m) para se obter o número sagrado 9 (oitavos). Segundo autores do séc. XIX, teriam derivado desta unidade de medida egípcia todas as outras, incluindo as usadas noutras nações. Entre 2500 e 2400 a.C. foram legalmente fixadas na Mesopotâmia unidades de comprimento, peso (ver figura) e capacidade, tendo sido adoptado nessa altura, como unidade de comprimento, o pé de uma estátua de Gudea que foi governador de Lagash, uma cidade dessa região. Várias nações indígenas da América usavam padrões de medida baseados nas dimensões de partes do corpo para pequenos comprimentos, ou dias de viagem para grandes distâncias, tendo algumas delas totalmente desconhecido os pesos e as balanças. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Na Europa, as primeiras tentativas de uniformização de pesos e medidas surgiram durante a Idade Média. Em 1215 estabeleceu-se na Inglaterra a uniformidade de pesos e medidas. Phillipe-Le-Long pensava fazer o mesmo em França quando morreu em 1322, e a mesma intenção tiveram Luís XI, Francisco I, e Luís XIV. Sob o governo de Colbert, realizou-se em França uma reforma dos padrões de medida e organizou-se uma tabela comparativa das várias medidas em uso em todo o país (1683). Porém, este levantamento teve na prática muito pouco impacto… &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em Portugal, foram tentadas algumas medidas de uniformização dos pesos e medidas nos reinados de D. Afonso III e D. Afonso IV com a adopção oficial de determinadas unidades de origem estrangeira, mas que ainda eram variáveis de umas cidades para outras. Nas cortes de Elvas (1361) no reinado de D. Pedro I tomou-se uma decisão de uniformização de pesos e medidas, mas aparentemente sem efeitos práticos. Sá a partir do séc. XVI é que surgiram as primeiras medidas sérias de estandardização.&lt;br /&gt;A reforma de D. Manuel I, na sequência das Ordenações Manuelinas de 1499, conseguiu estabelecer com muito sucesso, a nível nacional, novos padrões de pesos, cujas cópias foram distribuídas por todos os concelhos. No que respeita aos padrões de volume, não se conseguiu estabelecer a desejada uniformização, que apenas viria a ser alcançada no reinado de D. Sebastião. Em 1572, Pedro Nunes foi encarregado por este rei de proceder à reforma dos pesos e medidas e, em 27 de Janeiro de 1575, foi publicada uma lei determinando que em todas as cidades, vilas e lugares, “as medidas de pão, vinho, azeite, &amp;amp; mais cousas que por elas se medem sejam iguais, tamanhas em hum lugar como em outro, sem auer nellas diferença alguma”. O êxito desta reforma foi significativo e talvez se deva à iniciativa de distribuir cópias dos padrões reais por todos os concelhos. No entanto, com o decorrer do tempo o caos instalou-se de novo no País. A avaliação da situação foi iniciada por volta de 1770 pelo cônsul britânico no Porto, John Whitehead, que estudou durante alguns anos os padrões de pesos e medidas usados em Portugal, aferindo e comparando os de vários municípios e construindo novos padrões. O Marquês de Pombal ficou-lhe de tal forma reconhecido que o fez sócio correspondente da Academia de Ciências de Lisboa em 1786. Marino Miguel Franzini (1779-1861) filho do matemático italiano Miguel Franzini ─ que o Marquês de Pombal convidara para Portugal quando da Reforma da Universidade e Coimbra em 1772 ─ organizou uma tabela de pesos e medidas que Adrien Balbi publicou em 1822 com as respectivas equivalências para o sistema francês.&lt;br /&gt;Este sistema francês, isto é, o sistema decimal de pesos e medidas, teve uma história muito interessante que não cabe neste curto relato. Nesta história (ver Histórias da Luz e das Cores ,vol. 2), constata-se que Portugal foi um dos primeiros países a adoptá-lo como sistema único nacional. Em 22 de Dezembro de 1852, um decreto de D. Maria II adoptou-o como oficial, estabelecendo o prazo de dez anos para a sua implantação definitiva e exclusiva. Só em 1859, porém, saiu um “Decreto que manda por em vigor os novos pezos e medidas, pelo systema metrico decimal” mas que se aplicava apenas às medidas de comprimento. Para facilitar o uso dos novos padrões anunciava-se que: &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;A inspecção Geral dos Pezos e Medidas, estabelecida no Ministério das Obras Publicas, fornece medidas de madeira, correntes de latão, e de ferro, a todas as repartições publicas, e aos particulares; que as requisitarem pelos preços de tabella que são os seguintes: Metro cylindro de madeira de carvalho 240 [réis], Dito com virolas de latão 400 […] &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Embora com alguma lentidão, o sistema métrico foi-se instalando definitivamente em Portugal. O vereador da Câmara do Porto Francisco José de Araújo, responsável pelo pelouro dos Pesos e Medidas, afirmava em 1882:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;O modo suave como se conseguiu introduzir entre nós o systema metrico, grato é dizel-o, honra a todos, povo e authoridades. A authoridade porque foi benevola sem fraqueza, e o povo porque, não obstante o espirito rotineiro que o domina, cedeu sem violencia de habitos inveterados, que herdára de seus avós. Pouco resta, portanto, acrescentar ao que está feito para concluir a reforma dos pesos e medidas, e esse pouco conseguir-se-ha em breve pelos meios adoptados até aqui. O ponto está que a fiscalização não cesse, nem afrouxe. A fiscalização é precisa não só para isso e até então, mas tambem depois para conservar e consolidar um melhoramento que tanto tempo tem levado a implantar, e é de incontestavel vantagem para o commercio. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nestes assuntos de mudanças radicais, os portugueses nunca foram suficientemente lestos, mas a verdade é que, por razões naturalmente diferentes, os ingleses e os americanos ainda não adoptaram o sistema métrico como sistema legal e único nas suas relações comerciais…&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-4794949579228503118?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/4794949579228503118/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=4794949579228503118&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/4794949579228503118'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/4794949579228503118'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2007/09/uniformizao-dos-sistemas-de-pesos-e.html' title='A uniformização dos sistemas de pesos e medidas'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/Rv2Kuoa8_DI/AAAAAAAAAMA/Z7AUIVDy7ms/s72-c/Pesos+babilonicos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-8974113507996001470</id><published>2007-09-13T14:59:00.000Z</published><updated>2008-12-11T11:01:53.682Z</updated><title type='text'>Histórias da Luz e das Cores</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RulRkSx28BI/AAAAAAAAALo/cqXbRoPpgS0/s1600-h/Vol+2+Capa+M.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5109704936186638354" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RulRkSx28BI/AAAAAAAAALo/cqXbRoPpgS0/s320/Vol+2+Capa+M.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Acaba de ser publicado o 2º volume de &lt;em&gt;Histórias da Luz e das Cores&lt;/em&gt;, dedicado ao desenvolvimento científico, técnico e tecnológico do século XIX. Da sua leitura ressalta, claramente, que este século foi uma época dourada para a ciência e, em particular, para a ciência da luz e das cores. Observou-se, por um lado, um extraordinário progresso no conhecimento científico, constatou-se, por outro, a existência de uma saudável cumplicidade entre a ciência e a sociedade. O progresso científico-tecnológico deste período pode avaliar-se pelo elevado número de publicações e patentes. As ligações entre a sociedade e a ciência podem apreciar-se pela quantidade e qualidade de inventos, livros, revistas e artigos de divulgação científica com a marca do século XIX.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A atmosfera científico-tecnológica, que se viveu nesta época, teve amplas consequência culturais, levando ao aparecimento de uma arte e de uma filosofia fortemente influenciadas pela ciência: o &lt;em&gt;naturalismo&lt;/em&gt; artístico e literário e o &lt;em&gt;positivismo&lt;/em&gt;. A arte naturalista enalteceu a ciência, a filosofia positivista assumiu-a como paradigma do desenvolvimento e do progresso humanos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No século XIX, quem praticava a ciência entregava-se-lhe com paixão; quem procurava inovar nas tecnologias trabalhava com obsessão; quem desfrutava das actividades dos cientistas e inventores apreciava-as com reconhecimento. Muitos procuraram imortalizar-se através da ciência fazendo-lhe importantes doações financeiras e materiais. Em nenhum outro século se verificou uma tão grande confiança na ciência por parte do cidadão comum, do homem culto ou da classe dirigente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Uma análise cuidada das &lt;em&gt;Histórias da Luz e das Cores&lt;/em&gt; poderia levar-nos a outras importantes conclusões sobre as complexas relações entre a ciência, o indivíduo e a sociedade. Passarei essa tarefa para os leitores mais interessados, pois muitas histórias deste livro foram deliberadamente deixadas num estado analítico, letárgico ou difuso. O leitor poderá assim, através de uma leitura inteligente, fragmentá-las e reconstrui-las de acordo com os seus valores éticos ou culturais. Independentemente da atitude mais ou menos interactiva dos leitores, espera-se que este volume, lhes proporcione, de forma leve e agradável, uma visão realista, embora limitada, da atmosfera científico-tecnológica em que viveram os pais e os avós dos nossos tetravós… &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-8974113507996001470?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/8974113507996001470/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=8974113507996001470&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/8974113507996001470'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/8974113507996001470'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2007/09/histrias-da-luz-e-das-cores.html' title='Histórias da Luz e das Cores'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RulRkSx28BI/AAAAAAAAALo/cqXbRoPpgS0/s72-c/Vol+2+Capa+M.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-2949779571683384807</id><published>2007-09-01T22:53:00.000Z</published><updated>2008-12-11T11:01:53.872Z</updated><title type='text'>António Cabreira ─ um polígrafo matemático</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RtnxE9537FI/AAAAAAAAALI/Tn1XZWryKz0/s1600-h/cabreira+e++brazao.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5105376720240241746" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RtnxE9537FI/AAAAAAAAALI/Tn1XZWryKz0/s400/cabreira+e++brazao.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Muitos portugueses se têm distinguido pela sua capacidade polígrafa, isto é, por escreverem sobre os mais diversificados temas: literatura, arte, antropologia, sociologia, história, crítica e análise política; abundaram particularmente no fim do século XIX e princípios do século XX. Um desses homens foi António Cabreira (1868-1953), que teve no entanto a particularidade de se ter dedicado também à matemática. Antonio Thomaz da Guarda Cabreira de Faria e Alvellos Drago da Ponte frequentou a Escola Politécnica de Lisboa, “onde se habilitou com o 2º anno de mathematica, afim de seguir para o curso de engenheiro constructor naval”. “Tendo adoecido gravemente, em 1892, foi aconselhado pelos medicos a abandonar os estudos escolares”.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A sua obra escrita impressiona pela quantidade e pela diversidade dos temas tratados. Foram notáveis a sua capacidade organizativa e os contactos sociais que soube estabelecer e cultivar: criou muitas e variadas instituições; estabeleceu relações pessoais e profissionais com muitas mais; recebeu condecorações de várias delas, criou inúmeras amizades e simpatias ao mesmo tempo que despertou “muitas invejas” e acirrou fortíssimas inimizades. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Por iniciativa própria ou dos amigos, fez a divulgação das suas obras em livros e folhetos, criando-se dele uma imagem pública de grande dinamismo e exagerado protagonismo científico-cultural. Emílio Augusto Vecchi (1854-?), um dos seus melhores amigos, publicou em 1907 &lt;em&gt;Antonio Cabreira ─ noticia succinta da sua vida e obras&lt;/em&gt;. “Por iniciativa dos seus condiscipulos no Liceu de Lisboa, em 1888-1889” saiu em 1914 uma publicação com 680 páginas, intitulada &lt;em&gt;Antonio Cabreira ─ seus serviços e consagrações&lt;/em&gt;, onde se descreve toda a sua obra de forma exaustiva e apologética. O Dr. António Cabreira comemorou as suas “bôdas de prata academicas” em 1922 com um discurso auto-elogioso, perante a Academia Real de Ciências de Lisboa, de que era sócio correspondente desde 1897, tendo-o publicado sob o título &lt;em&gt;Discurso comemorativo das suas bôdas de prata académicas e epítome dos trabalhos apresentados na Academia das Sciencias de Lisboa&lt;/em&gt;. Esta comemoração terá provocado reacções menos amistosas contra o vaidoso académico, pois no “proemio” do seu livro A&lt;em&gt; Pedra d’escândalo ou etiologia e cautério duma avariose mortal&lt;/em&gt; (1924) escreveu o seguinte: &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Depois do vómito negro que certa fauna exótica teve, por ocasião das minhas bodas de prata académicas, ─ cuja celebração brilhantíssima a levou ao paroxismo da torpeza, ─ outra crise entrou ela a curtir perante os meus novos triunfos, desculpando-se, porém, das agonias com a obra de acção, visto não poder rilhar a doutrinaria. E, desde então, diversas almas castradas do sentimento português começaram a entumescer, a olhos vistos, imprimindo, já, esgares á mascara e parvoíces ao verbo. O pus não se conteve de maduro e veio rebentar, em curto intervalo de tempo, pela língua dum político e pela pena dum erudito, sem falar, já na vilanagem de carão lavado e consciência suja que aluga ou explora, por conta própria, esses dois instrumentos da Maldade Humana. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O &lt;em&gt;político&lt;/em&gt; e “parteiro” ─ como também lhe chamava Cabreira ─, era o médico e catedrático Augusto de Vasconcelos (1867-1951); o &lt;em&gt;erudito&lt;/em&gt; era o padre, doutor em teologia e catedrático de Letras, José Maria Rodrigues (1857-1942); a eles dedicou Cabreira a melhor da sua mais sarcástica prosa. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O denunciador da pouca qualidade dos seus trabalhos matemáticos foi Rodolfo Guimarães (1866-1918), que não ficou, igualmente, sem resposta: António Cabreira refutou um a um todos os argumentos de Guimarães em duas publicações &lt;em&gt;Quelques mots sur les mathématiques en Portugal&lt;/em&gt; (1905) e &lt;em&gt;Les Mathématiques en Portugal&lt;/em&gt; (1910), onde auto-elogiou a “original e importante” obra matemática que estava a realizar. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os amigos não se esqueceram das suas “bôdas de ouro cientificas” fazendo-as coincidir com a cerimónia de inauguração de um busto de António Cabreira em Tavira, sua terra natal, no ano de 1946. Este acontecimento ocorreu na sequência de um nobre gesto de António Cabreira: a doação à Câmara Municipal tavirense do “palacete onde nasceu e passou os doirados dias da infância”. Esta doação, feita em 1944, destinava-se à instalação da biblioteca, do museu e do arquivo da sua terra. As cerimónias, cheias de pompa e circunstância, foram minuciosamente descritas numa publicação do &lt;em&gt;Instituto António Cabreira&lt;/em&gt; intitulada &lt;em&gt;António Cabreira ─ Inauguração do busto em Tavira, Ecos das bôdas de oiro cientificas, Outras manifestações de aprêço&lt;/em&gt;. Este livro, como muitos outros foi edição do autor. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Debrucemo-nos agora sobre a actividade científico-literária do Dr. António Cabreira. Para além das brochuras publicadas por sua conta, houve trabalhos publicados nas “principais publicações scientificas e literárias do país e nalgumas das mais importantes de Espanha, França e Alemanha, e em diversos jornais portugueses”. No &lt;em&gt;Discurso Comemorativo&lt;/em&gt; de 1922, anteriormente referido, surgem os títulos e sumários dos seus trabalhos e na contracapa surge impressa uma tabela com a lista de assuntos e o número das publicações. Sabemos desta forma que tinha publicado na matemática: teoria dos números (5), análise algébrica, geométrica e infinitesimal (11), estática gráfica (1), geometria pura (18), geometria refractiva (1), mecânica (4), astronomia (7). Para além da matemática surgem os temas de: climatologia (1), antropologia (2), colonisação (3), seguros (4), finanças e economia pública (3), jurisprudência (7), história (31), relatórios científicos e escolares (21), arqueologia (4), política interna e externa, e orgânica política e militar (8), orgânica geral (20), romance (2) e filosofia (7). No total António Cabreira possuía, em 1922, 160 publicações, mas no ano seguinte tinha já 164 e “4 publicações seriais doutrinarias e de combate”. Em 1941 publicava a solução da quadratura do círculo em &lt;em&gt;Teoria e solução da quadratura do círculo e da circulatura do quadrado: por meio da régua e do compasso&lt;/em&gt; (publicação do autor). Este era um problema geométrico que tinha ocupado os grandes filósofos durante dois mil e quinhentos anos, mas que nenhum conseguira resolver. Não satisfeito com tão grande feito, juntou ainda no mesmo artigo a solução da “circulatura do quadrado” (o problema inverso)… &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Até à data da sua morte, em 1952, publicou muitos mais artigos, mas o que fica dito revela bem quão prolífico e polígrafo foi António Cabreira. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;As suas iniciativas para a criação de instituições foram igualmente muito fecundas. Em 1923, tinha fundado “16 Institutos, visando o progresso das Sciências, a valorisação regional, o ensino gratuito, em todos os graus e de caracter comercial, colonial e militar; a propaganda da Defeza Nacional e social e a manutenção dos Principios e do culto Catolicos”. De entre eles contam-se o &lt;em&gt;Real Instituto de Lisboa&lt;/em&gt;, a &lt;em&gt;Academia de Ciências de Portugal&lt;/em&gt;, e vários institutos anexos a esta academia, entre os quais, o &lt;em&gt;Instituto Teofiliano&lt;/em&gt; e o &lt;em&gt;Instituto António Cabreira&lt;/em&gt;. Este último foi “constituído em homenagem ao seu ilustre patrono, Dr. António Cabreira; a sua acção incidia sobretudo, no estudo da sua valiosa obra e na divulgação dos seus relevantes serviços à Ciência e à Pátria”. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Com tão relevantes serviços, não faltaram a António Cabreira títulos e honras: Primeiro Secretário Perpétuo e Segundo Presidente da Academia de Ciências de Portugal; Sócio Correspondente da Academia de Ciências de Lisboa, das Academias Nacionais de História e das Ciências da Venezuela, das Academias de Ciências de Barcelona, Toulouse, Montpelier, Dijon e Nápoles, da Sociedade de Físico-Matemáticas de Kasan e do Instituto de Coimbra; Membro Honorário da Academia Estrela de Itália, da União Latino-Americana e do Instituto Grã-Ducal de Luxemburgo; Secretário da Secção de Matemáticas da Sociedade de Geografia de Lisboa; Professor de Ciências; Doutor em Matemática honoris causa pela Universidade do Arizona; Fundador e Antigo Director do Instituto Real de Lisboa; Condecorado com o Mérito de 1ª Classe do Chile e com a Medalha de Honra da Universidade de Amesterdão; Comendador da Ordem Militar de S. Tiago da Espada; Membro da Ordem de Santa Maria do Castelo; Cavaleiro da Legião de Honra; Benemérito da Instrução Nacional; Antigo Delegado da Imprensa Portuguesa aos Congressos Internacionais de Roma, Berna e Viena e, finalmente, Conde de Lagos. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;As actuais “mentes brilhantes” portuguesas são pálidas anãs vermelhas, quando comparadas com este sol flamejante que foi António Cabreira… Ao contemplar os muitos planetas, sombrios e corroídos de inveja, que lhe diminuíam o brilho, chamou à sua terra, satirizando Tomás Ribeiro, “um bananal à beira mar plantado”… &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-2949779571683384807?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/2949779571683384807/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=2949779571683384807&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/2949779571683384807'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/2949779571683384807'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2007/09/antnio-cabreira-um-matemtico-polgrafo.html' title='António Cabreira ─ um polígrafo matemático'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RtnxE9537FI/AAAAAAAAALI/Tn1XZWryKz0/s72-c/cabreira+e++brazao.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-3108542295000357442</id><published>2007-08-27T18:01:00.000Z</published><updated>2008-12-11T11:01:54.062Z</updated><title type='text'>O estudo da Física experimental em Portugal</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RtMTKt537EI/AAAAAAAAALA/vUfhKcMUays/s1600-h/DeRePhysica.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5103443877582859330" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RtMTKt537EI/AAAAAAAAALA/vUfhKcMUays/s320/DeRePhysica.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Só muito depois do surgimento das ciências modernas, é que os portugueses tiveram oportunidade de poder estudar no seu país estas matérias. Quem, na primeira metade do século XVIII, pretendesse estudar &lt;em&gt;Física experimental&lt;/em&gt; ─ assim era designada a &lt;em&gt;nova Física&lt;/em&gt; ─ ou se limitava a assuntos muito elementares, dados nos colégios oratorianos, ou, para obter conhecimentos mais profundos, tinha que se ausentar para além dos Pirinéus. É isto que nos revela uma carta escrita pelo frade franciscano Giovanni Vincenzo Antonio Ganganelli (1705-1774) dirigida a Furtado de Mendonça, a viver no Rio de Janeiro, e assinada no Convento dos Santos Apóstolos de Roma, em 10 de Janeiro de 1758.&lt;br /&gt;Furtado de Mendonça teria escrito ao erudito franciscano pedindo-lhe um conselho sobre a maneira de melhor educar o filho que mostrava ter uma grande inclinação para a Física. Pelo teor da resposta, o nobre português teria certamente perguntado ao frade italiano se deveria enviar o filho para Paris como, aliás, lhe teria já recomendado um aio.&lt;br /&gt;Frei Ganganelli, que seria eleito papa em 1769 com o nome de Clemente XIV, escreveu o seguinte a meio da missiva:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;V. Excellencia me adverte, que ao presente apenas há huma mera possibilidade para introduzir nesse paiz [Brasil] a verdadeira Theologia, a Tactica, e as Mathematicas. Eu o creio, e discorrendo pelo que passa em Portugal posso assentar, que essa colonia deve estar bem pouco adiantada. Eia pois, Senhor, faça V. Excellencia passar seu filho á França; e como elle tem disposições para a Fisica, achará alli com que a cultivar pelas lições do celebre Nollet. Eu sei por meio de Italianos a qualidade de acolhimento, que faz aos estrangeiros este sabio Fisico, o qual não deixará de receber com o mesmo agrado a hum Brasiliense, que leva consigo hum grande nome, e que deseja honrallo. V. Excellencia póde dar-lhe, e fazer-lhe dar cartas de recommendação para Sua Excellencia, M. de Sousa, e isto he mais que bastante para não carecer de meios de se instruir, e de prosperar seu desejo. Suas noções de Algebra lhe serão uteis; e quanto menos elle for novo nas sciencias, tanto maiores progressos fará nellas, assistindo no lugar do mundo, em que ellas se cultivão com mais fructo.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Foram sensatos estes conselhos de Fr. Ganganelli, um ano antes da expulsão dos jesuítas (1759) de todo o território nacional. Esta Ordem religiosa dominava o ensino português e, particularmente, o brasileiro, e não era sua prática ensinar as novas ciências. O mesmo se passava na Universidade de Coimbra que se regia por estatutos antiquados, condicionados à teologia e à filosofia escolástica. Este estado de coisas era muito criticado pelos “estrangeirados”, como António de Verney, que, nos seus escritos, apresentavam soluções concretas para resolver o atraso da educação portuguesa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Com a ajuda destes homens, o Marquês de Pombal, reformou o ensino pré-universitário, criou o Colégio do Nobres (1766) e reformou a Universidade (1772). Porém, o ensino da Física moderna iniciou-se apressada e atabalhoadamente, com bases muito pouco sólidas. Religiosos reconvertidos e um ou dois lentes especialmente contratados não chegaram para concretizar eficazmente a revolução pombalina. Por causa de intrigas ou por outras razões, o livro &lt;em&gt;De Re Physica&lt;/em&gt; de Luís António Verney nunca foi adoptado como livro oficial como era a expectativa do autor quando o publicou. A Física nunca foi uma ciência que tivesse entusiasmado os jovens estudantes, até hoje…&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-3108542295000357442?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/3108542295000357442/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=3108542295000357442&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/3108542295000357442'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/3108542295000357442'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2007/08/o-estudo-da-fsica-experimental-em.html' title='O estudo da Física experimental em Portugal'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RtMTKt537EI/AAAAAAAAALA/vUfhKcMUays/s72-c/DeRePhysica.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-4707382062784240785</id><published>2007-08-21T11:27:00.000Z</published><updated>2008-12-11T11:01:54.265Z</updated><title type='text'>O padre Amadeu de Vasconcelos (Mariotte) ─ um divulgador da ciência</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RsrO-N537AI/AAAAAAAAAKg/AtS99EM-070/s1600-h/Mariotte+Sciencia+Todos+R.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5101117096230120450" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RsrO-N537AI/AAAAAAAAAKg/AtS99EM-070/s400/Mariotte+Sciencia+Todos+R.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Numa época em que ainda persistia a ideia da incompatibilidade entre a religião e a ciência, o padre portuense Amadeu Cerqueira de Vasconcelos (1878-1952) foi capaz de conciliar as actividades de divulgador científico com as de apologista do catolicismo, lutando assim contra “a apregoada antinomia entre a sciencia e a fé”.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Amadeu de Vasconcelos era filho de um professor primário, Lionídio Cerqueira de Vasconcelos, que foi director e proprietário do &lt;em&gt;Campeão Escolar&lt;/em&gt;, um jornal fundado em 1904, um baluarte na defesa dos interesses dos professores primários e da educação, em geral, e uma voz crítica das políticas de ensino primário em Portugal. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Amadeu de Vasconcelos viveu longos períodos da sua vida em Paris e aí escreveu e publicou vários dos seus livros e artigos ─ em Português e Francês ─ em prol da ciência, contra a maçonaria e a favor do catolicismo e de um nacionalismo original. Como se pode ler na &lt;em&gt;Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira&lt;/em&gt; este padre “tratou os mais variados assuntos culturais, artísticos, políticos e doutrinários com inegável brilho e grande competência”. Foi director do jornal católico Novidades, durante 14 anos e em 1948 professou na Ordem Beneditina com o nome de Padre Amadeu de Nossa Senhora. Recolheu-se então ao Convento de Singeverga tendo colaborado intensivamente no &lt;em&gt;Mensageiro de S. Bento&lt;/em&gt; ─ &lt;em&gt;Revista Beneditina e Missionária&lt;/em&gt;, que iniciou a publicação em 1948. No primeiro artigo que escreveu nesta revista, em Dezembro de 1949, intitulado &lt;em&gt;Portugal Arauto do Evangelho e da Ciência&lt;/em&gt;, defendia o pioneirismo de Portugal na criação da ciência moderna, uma tese que preparava e que veio a apresentar, por intermédio da Sociedade de Geografia de Lisboa, num congresso internacional de geografia realizado em 1952, em Washington. Nos restantes artigos que publicou no &lt;em&gt;Mensageiro de S. Bento&lt;/em&gt; tratou apenas temas relacionados com a história e a actividade religiosa ou missionária da sua ordem.&lt;br /&gt;Para além de um escritor prolífico, O padre Amadeu de Vasconcelos foi crítico severo da sociedade civil e eclesiástica do seu tempo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No Porto, teve acesas polémicas com as autoridades episcopais, os professores do seminário, o secretário do bispo e o próprio bispo. As agressões verbais e escritas chegaram a tal ponto que o secretário episcopal o padre Manuel Pereira Lopes ─ um jovem arrogante e pedante, acabado de regressar de Roma com um doutoramento em Teologia ─ prometeu ajustar contas com o incómodo padre ameaçando “partir-lhe a cara em plena rua”. A ameaça, prometida e muito anunciada, concretizou-se no dia 2 de Julho de 1907. O próprio bispo D. António Barroso rematou a agressão física com uma agressão moral: “uma pena de suspensão de 30 dias”, que foi muito criticada nos jornais da época e que reforçou o sentimento anti-clerical que então existia no Porto e em quase todo o país. O padre Amadeu de Vasconcelos não se resignou com tais humilhações, como o demonstram os vários artigos, que publicou na imprensa, e os manuscritos, que tencionava publicar em 1908 e nos quais revela dramaticamente a sua revolta contra o “cynismo” do bispo e o “pedantismo” do seu secretário “bruta-montes”.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Muitos foram os assuntos que abordou na sua extensa obra escrita. Publicou livros de crítica social, política, filosófica e religiosa: &lt;em&gt;A Universidade Antagónica do Espírito Moderno&lt;/em&gt; (compilação de 7 artigos saídos em &lt;em&gt;A Voz Publica&lt;/em&gt;, 1908), &lt;em&gt;A Mentalidade dos Livres Pensadores Portugueses&lt;/em&gt; (cartas, 1912), &lt;em&gt;Os Meus Cadernos&lt;/em&gt; (publicação semanal/quinzenal, 1913-16, 1919, 1923-25) ─ obra esta que influenciou o movimento nacionalista do integralismo lusitano, embora tivesse criticado António Sardinha em &lt;em&gt;O Nacionalismo Rácico do Integralismo Lusitano&lt;/em&gt; (1917) ─, &lt;em&gt;A Vida Intelectual de Paris&lt;/em&gt; (quinzenal, 1922), &lt;em&gt;Paris: Rempart de l'Esprit Quand Même&lt;/em&gt; (1941), &lt;em&gt;Fim da Civilização Ocidental e Nascimento da Civilização Ecuménica&lt;/em&gt; (1942), &lt;em&gt;L’Age Maçonnique&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Idade Maçónica&lt;/em&gt; (1943), &lt;em&gt;O sr. Júlio Dantas : Rosseau e "os Seus Cadernos"&lt;/em&gt; (1945)&lt;em&gt;.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No que respeita à divulgação científica, a sua actividade foi igualmente notável. Publicou vários livros, panfletos e artigos que contribuíram certamente para elevar o nível da cultura científica portuguesa. Podem ler-se alguns dos seus artigos em jornais como o &lt;em&gt;Campeão Escolar&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;O Bem Publico&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;A Voz Publica&lt;/em&gt;. Entre os seus livros contam-se três volumes do &lt;em&gt;Anno Scientifico e Industrial&lt;/em&gt; referentes aos anos de 1903, 1904 e 1905, publicados respectivamente em 1904, 1905 e 1906, &lt;em&gt;O Radium&lt;/em&gt; (1907), &lt;em&gt;A Telegrafia sem Fio&lt;/em&gt; (1907), &lt;em&gt;A Aerostação&lt;/em&gt; (1908), &lt;em&gt;A Aviação&lt;/em&gt; (1909), A&lt;em&gt; Conquista dos Pólos&lt;/em&gt; (1910), &lt;em&gt;Os Cometas&lt;/em&gt; (1910), &lt;em&gt;Qual é a Forma da Terra&lt;/em&gt; (1915), &lt;em&gt;O Ar Liquido &lt;/em&gt;e &lt;em&gt;Os Submarinos&lt;/em&gt; (1916). Foi director e redactor único de revistas de divulgação científica como &lt;em&gt;Universo&lt;/em&gt; (quinzenal, 1909) e &lt;em&gt;Sciencia para Todos&lt;/em&gt; (1910, 1925). Escreveu ainda livros didácticos que foram adoptados no ensino oficial: &lt;em&gt;Lições Praticas de Sciencias Naturaes&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Noções de Physica&lt;/em&gt; (em colaboração com Eduardo Ferreira dos Santos Silva, 1906) e &lt;em&gt;Lições Practicas de Physica&lt;/em&gt; (1919). Todas estas obras tiveram várias edições.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O padre Amadeu de Vasconcelos, que também usou os pseudónimos &lt;em&gt;Mariotte&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Remy Lusol&lt;/em&gt;, era um homem recto, conservador, nacionalista, defensor da verdade e, nas sua próprias palavras, “desconhecia a cobardia”. A ciência ─ cujo objectivo único é a busca da verdade ─ encontrou nele um divulgador notável merecendo por isso todo o nosso respeito e admiração. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-4707382062784240785?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/4707382062784240785/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=4707382062784240785&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/4707382062784240785'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/4707382062784240785'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2007/08/o-padre-amadeu-de-vasconcelos-mariotte.html' title='O padre Amadeu de Vasconcelos (Mariotte) ─ um divulgador da ciência'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RsrO-N537AI/AAAAAAAAAKg/AtS99EM-070/s72-c/Mariotte+Sciencia+Todos+R.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-6619676646717048837</id><published>2007-08-15T17:37:00.000Z</published><updated>2008-12-11T11:01:54.447Z</updated><title type='text'>A magia à portuguesa no século XXI</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RsM7Qlz_tZI/AAAAAAAAAKY/DXcKKnyEJmg/s1600-h/Magico+M.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5098984359327675794" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RsM7Qlz_tZI/AAAAAAAAAKY/DXcKKnyEJmg/s400/Magico+M.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Em 11 de Agosto de 2007, num Sábado, foi com alguma incredibilidade que vi durante o &lt;em&gt;Jornal da Noite&lt;/em&gt; da SIC, uma reportagem intitulada a “&lt;em&gt;Magia à portuguesa ─ consultas custam entre 50 e 70 euros&lt;/em&gt;”. Toda a peça jornalista, longa e detalhada, apresentou a actual “magia portuguesa” como uma actividade séria e credível. Segundo afirmaram os mágicos entrevistados, a eles recorrem “pessoas de todas as classes sociais” com o objectivo de resolverem problemas de saúde, de negócios e de amor. Nesta actividade, como em muitas outras ─ disseram eles ─ há trapaceiros que desacreditam a nobre ciência do prognóstico mágico; a magia branca, “baseada nas forças da luz”, e a magia negra, “baseada nas forças das trevas”, têm entre nós muitos charlatães… As pessoas deveriam saber distinguir entre os verdadeiros ─ como os que apareceram na televisão ─ e os falsos mágicos. Os entrevistados (com nomes exóticos, especialistas de Tarot e videntes a quem os búzios e os pêndulos desvendam os mais recônditos segredos…) manifestaram-se contra a concorrência desonesta e a jornalista concordou, alertando o público para que não se deixe enganar. É lamentável que a jornalista não tivesse informado os telespectadores que a magia é globalmente uma fraude, contrária a todos os princípios científicos pelos quais se deve reger qualquer sociedade civilizada.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Com o objectivo de publicitar a sua actividade, os mágicos portugueses não se contentam, porém, com a publicidade televisiva. Frequentemente me chega à caixa do correio informação enganosa como esta:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Em muitos anos de trabalho o Mestre XXXX ajudou milhares de pessoas a recuperar casamentos, amores desfeitos, familiares que se afastaram, jovens com problemas de droga e adaptação, vitima de trabalhos de magia ou espiritualmente doentes. O poder dos rituais de magia é tão forte que consegue afastar clientes, bloquear negócios, levar à falência e destruir vidas. Para resolver estes problemas é preciso apelar ás forças ocultas do Mestre que tem um dom transmitido pelos seus ancestrais há muitas gerações. Trata em poucos dias e com eficácia qualquer seja o seu problema…&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;O Professor YYYYYYYY é a pessoa certa para o ajudar a mudar a sua vida. Se o seu problema, é falta de sorte, negócios, dificuldade em engravidar, álcool e drogas, impotência sexual, problemas familiares, não perca a esperança. O Professor YYYYYYYY, é o seu amigo e confidente … &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;/em&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Durante a Idade Média, a chamada &lt;em&gt;Idade das Trevas&lt;/em&gt;, bruxas e bruxos como estes, possuidores dos mesmos dons e com semelhantes práticas, eram queimados em Autos de Fé por terem pactos com o diabo… No século XXI, os mesmos visionários ou impostores querem fazer crer que podem controlar forças ocultas, benéficas e maléficas, em benefício dos seus clientes pela módica quantia de 50 a 70 euros segundo a reportagem da SIC. O negócio aparentemente prospera. A televisão, meio de comunicação poderoso e universal, promove-o em “prime time” e o povo, crente e ignorante (como se quis demonstrar na referida reportagem…), aguarda a primeira oportunidade para consultar o mágico…&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Transcrevendo uma frase que li não sei onde: “tudo está fora do seu devido lugar neste país: até ele próprio”! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-6619676646717048837?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/6619676646717048837/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=6619676646717048837&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/6619676646717048837'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/6619676646717048837'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2007/08/magia-portuguesa-no-sculo-xxi.html' title='A magia à portuguesa no século XXI'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RsM7Qlz_tZI/AAAAAAAAAKY/DXcKKnyEJmg/s72-c/Magico+M.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-423393884905202807</id><published>2007-08-02T16:54:00.000Z</published><updated>2008-12-11T11:01:54.589Z</updated><title type='text'>A riqueza ou a pobreza dos cientistas</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RrIPBVz_tXI/AAAAAAAAAKI/8Ihyeew6V1c/s1600-h/Science+Money+R.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5094150644218967410" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RrIPBVz_tXI/AAAAAAAAAKI/8Ihyeew6V1c/s400/Science+Money+R.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Existe na sociedade portuguesa um preconceito segundo o qual quem trabalha com gosto não tem direito moral para exigir uma remuneração elevada. Noutras palavras, deve sentir-se feliz quem é pago para fazer o que gosta, mesmo que a recompensa do seu trabalho não atinja o nível determinado pelos critérios de valor e produtividade. Dado que determinadas actividades só podem ser eficazmente realizadas por quem tenha para elas uma marcada inclinação e gosto, todos os profissionais felizes são estigmatizados por aquele infeliz preconceito. Entre estas actividades encontra-se naturalmente a investigação científica…&lt;br /&gt;A ideia do filósofo pobre, mas feliz, consolidou-se em Portugal por influência dos movimentos humanista e romântico e tem as suas raízes na Grécia Antiga, onde muito filósofos viviam totalmente desprendidos das coisas materiais. Na &lt;em&gt;Nova Floresta&lt;/em&gt;, O Pe. Manuel Bernardes (1644-1710) discursa sobre o desapego dos bens temporais e exemplifica com a postura de um filósofo grego:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Mais he o que fez Crates Filosofo Cynico, que reduzindo todos seus bens a moeda, a lançou ao mar, dizendo: Antes que vós me afogueis, vos afogo. Se bem outros dizem, que poz o dinheiro na maõ de hum contratador com pacto, de que seus filhos fossem Filósofos, o distribuísse a pobres, porque tendo sciencia naõ lhes estava bem ter fazenda: mas se fossem idiotas, lhos restituísse, para naõ ficarem destituidos totalmente; porque naquelles termos tambem os julgava por pobres, e os preferia por filhos.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Esta posição de Crates não foi consensual entre os filósofos gregos… João de Barros (1496?-1570) na apologia da &lt;em&gt;Quarta Década&lt;/em&gt; faz uma referência à postura filosófica de Aristóteles perante a riqueza, referência essa que foi comentada pelo Pe. Thomaz Aranha num sermão pregado em 1653 em memória do Príncipe D. Teodósio, amante da ciência e vítima da tuberculose quando tinha apenas 19 anos:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Como Aristóteles tinha experimentado, em quanto andou por casas de Principes, ser genero de catiueiro esperar suas esmolas, tratou de enriquecer muito para as não mendigar delles, &amp; para melhor estudar; &amp; segundo seu estado, foi tam sobejamente rico, que o tachou hum Philosopho disso, que o viera a ver a Grecia, obrigado da sua fama, ao qual elle respondeo, que nam era rico por deleitaçaõ de ter riquezas, mas porque nam queria, que ignorantes Principes fossem senhores delle por bens de Fortuna, pois elle era senhor dos mesmos Principes por dote de entendimento, &amp;amp; que era cousa contra natureza o ser a ignorância senhora da sciencia; &amp; que a pobreza catiuaua a liberdade do engenho na accupação do necessario; &amp; de se auer por maxima de prudencia, entre os prudentes, que mais conuem ter para saber, que saber para ter: trabalhou Seneca por acquirir fazenda, tanto que se escreue valer a sua sete contos, &amp;amp; meio de ouro da nossa moeda.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Havia, pois, na Antiguidade opiniões distintas sobre a relação que deveria existir entre a filosofia e a riqueza: uma atitude romântica perfilhada por Crates e uma postura independente e libertadora seguida por Aristóteles e Séneca. Entre estas duas posições, outras houve, mas a referida dualidade continuou ao longo dos tempos: a resignação católica contribuiu para um reforço da versão cratesiana, a reforma protestante deu alento à versão libertadora do peripatético.&lt;br /&gt;Até meados do século XIX a investigação científica foi sobretudo uma actividade de amadores com bens de fortuna para a suportar, ou de alguns poucos profissionais que trabalhavam directamente nas cortes ou nas instituições apoiadas por reis, príncipes e imperadores. No século XX, a actividade científica vulgarizou-se e os cientistas começaram a ser cada vez mais dependentes dos proventos do seu trabalho especializado. A vassalagem aos “Principes”, que tanto preocupava Aristóteles, generalizou-se e a investigação científica ficou condicionada à disponibilidade financeira dos governos ou dos magnatas que acharam nela uma boa oportunidade de investimento. As baixas remunerações e a precariedade do trabalho tornaram-se comuns e perduraram com o suporte de preconceitos ético-científicos absurdos. Um famoso anatomista e embriologista americano, Franklin P. Mall (1862-1917), chegou a declarar:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Quando ouço um jovem perguntar-me se a carreira científica lhe dará compensações materiais, concluo que o jovem estará apto para todas as carreiras menos para a de investigador.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Alfredo Bensaúde tinha opinião semelhante sobre o ensino universitário ao afirmar, em 1917, que o aumento de vencimentos dos professores poderia ter como efeito piorar o ensino em vez de melhorá-lo. A razão era simples: tais aumentos poderiam atrair pessoas mais pelo dinheiro do que pela vocação.&lt;br /&gt;Conveniências ou preconceitos à parte, houve sempre em Portugal quem pensasse que o trabalho científico merecia ser justamente compensado pelo seu valor tanto material como cultural. Incluíam-se neste grupo investigadores como José Antunes Serra do Centro de Estudos de Ciências Biológicas da Universidade de Coimbra que, em 1957, afirmava o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Esta questão da paga dos cientistas e dos trabalhadores científicos em geral só será resolvida quando os dirigentes políticos e financeiros se compenetrarem do valor da ciência, isto é, quando os chamados «valores espirituais» se cotarem pelo autêntico valor que têm.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nestes tempos de globalização, em que a importância da investigação científica é apregoada aos quatro ventos, continuamos a conviver em Portugal com a precariedade do trabalho científico. A grande percentagem dos jovens cientistas portugueses são bolseiros ou são pagos a recibos verdes!… A sociedade portuguesa sente-se de consciência tranquila porque estes jovens estão a fazer aquilo de que gostam…&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-423393884905202807?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/423393884905202807/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=423393884905202807&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/423393884905202807'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/423393884905202807'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2007/08/riqueza-ou-pobreza-dos-cientistas.html' title='A riqueza ou a pobreza dos cientistas'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RrIPBVz_tXI/AAAAAAAAAKI/8Ihyeew6V1c/s72-c/Science+Money+R.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-3414548938322821950</id><published>2007-07-23T09:49:00.000Z</published><updated>2008-12-11T11:01:54.768Z</updated><title type='text'>A preguiça e a vaidade dos portugueses</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RqR7v1z_tWI/AAAAAAAAAKA/-rKQrIk_UMc/s1600-h/Galantes+oculos+R.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5090329540664735074" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RqR7v1z_tWI/AAAAAAAAAKA/-rKQrIk_UMc/s400/Galantes+oculos+R.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Num serão do Clube Literário do Porto, em 12 de Julho, teve lugar uma tertúlia à volta de um livro publicado pela Editora da Universidade do Porto intitulado &lt;em&gt;Histórias da Luz e das Cores&lt;/em&gt;. Nessa tertúlia esteve presente o professor Carlos Fiolhais que muitos consideram justamente “o mais mediático” físico português. Os seus artigos de jornal, os livros que tem publicado e as intervenções que tem feito na televisão, na rádio e na internet têm tido um significativo impacto social e têm feito dele o mais consistente divulgador da física e da ciência em Portugal.&lt;br /&gt;No decorrer da tertúlia, admiraram-se os presentes quando Carlos Fiolhais revelou, pela leitura de um texto do referido livro, que o conde Francesco Algarotti (1712-1764), homem muito viajado, descreveu Lisboa “como uma cidade de óculos e de mendigos”. Desta forma metafórica, o conde italiano revelava aos seus leitores duas qualidades bem portuguesas: a &lt;em&gt;preguiça&lt;/em&gt; ─ visto que muitos dos esmoleiros podiam perfeitamente trabalhar ─ e a &lt;em&gt;vaidade&lt;/em&gt;, já que a maioria dos “gafados” usavam óculos só para dar ares de intelectualidade …&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A mendicidade foi “moda” que se instalou em Portugal a partir do séc. XIV. Foi abençoada pela prática mendicante de frades e rapidamente foi imitada com proveito por oportunistas sem qualquer vontade de trabalhar. Num artigo publicado no Archivo Historico Portuguez de 1916, intitulado &lt;em&gt;Majestade e Grandezas de Lisboa em 1552&lt;/em&gt;, Gomes de Brito revela que havia desde o século XIV um grande número de mendigos em Lisboa. Pedia-se esmola “pelas alminhas”, para as almas, santas e santos, resgates, beatificações, confrarias, igrejas, conventos e festas … ou porque se era doente, coxo, cego ou aleijado. Revoadas de maltrapilhos invadiam a cidade pela manhã, calcorreavam os lugares estratégicos, batiam às portas, gemiam nas ruas, perseguiam os transeuntes e, no fim do dia, desapareciam na escuridão para reaparecerem no dia seguinte e começarem tudo de novo.&lt;br /&gt;Comprovada a caridade esmoler dos bons cristãos lusitanos, o número de pedintes engrossava todos os dias, ano após ano, geração após geração. Nos séculos XV e XVI, foi necessário criar medidas e leis para controlar a mendicidade que já começava a incomodar seriamente toda a gente. De acordo com Gomes de Brito, em 1552 tinha “ a cidade [de Lisboa] mil homens e molheres pobres, que amdão pela çidade pedindo esmola, e temno por oficio, que tirã muito dinheiro para suas mãtenças“… mas havia quem avaliasse o seu número em quatro mil. Em 1604 e 1760, o número de pedintes cresceu de tal forma que foi necessário promulgar de novo as leis antigas que proibiam a mendicidade, mas que ninguém cumpria... Os peditórios continuariam porém a ser permitidos, tal como no passado, apenas em situações excepcionais em que o confrade, o doente ou o estropiado comprovassem a necessidade absoluta de esmolar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Sobre a outra singularidade lisboeta relatada pelo conde Algarotti ─ a praga dos óculos ou das “gafas”─ o melhor é mesmo ler as páginas 518 e 519 do 1º volume das &lt;em&gt;Histórias da Luz e das Cores&lt;/em&gt; … Acrescentaremos apenas que tanto se valorizou em Portugal o estatuto social dos óculos que o conseguimos exportar para outras culturas com elevado sucesso, o que foi sublinhado por Eça de Queiroz em &lt;em&gt;Os Maias&lt;/em&gt;:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;É o que sucede com os pretos já corrompidos de São Tomé, que vêem os europeus de lunetas ─ e imaginam que nisso consiste ser civilizado e ser branco. Que fazem então? Na sua sofreguidão de progresso e de brancura, acavalam no nariz três ou quatro lunetas, claras, defumadas, até de cor. E assim andam pela cidade, de tanga, de nariz no ar, aos tropeções, no desesperado e angustioso esforço de equilibrarem todos estes vidros ─ para serem imensamente civilizados e imensamente brancos...&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Há sempre imitações tão boas ou melhores do que os originais !…&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não sei se a aversão dos portugueses à actividade laboral teve imitações noutras paragens por onde andámos, ou se ela era autóctone … A verdade porém é que, em países lusófonos, os valores do trabalho também não são muito apreciados, lá tal como cá. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-3414548938322821950?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/3414548938322821950/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=3414548938322821950&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/3414548938322821950'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/3414548938322821950'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2007/07/preguia-e-vaidade-dos-portugueses.html' title='A preguiça e a vaidade dos portugueses'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RqR7v1z_tWI/AAAAAAAAAKA/-rKQrIk_UMc/s72-c/Galantes+oculos+R.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-3658475994842173943</id><published>2007-07-15T00:17:00.000Z</published><updated>2008-12-11T11:01:54.934Z</updated><title type='text'>A missão da Universidade na opinião de José Ortega y Gasset</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/Rplse5cjI6I/AAAAAAAAAJ4/e6wH7ZstuNY/s1600-h/Ortega+M.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5087216532164125602" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/Rplse5cjI6I/AAAAAAAAAJ4/e6wH7ZstuNY/s400/Ortega+M.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; O espanhol Ortega y Gasset (1883-1955), com uma educação influenciada pela chamada “geração de 98”, foi um dos pensadores europeus mais lúcidos e interventores da primeira metade do século XX. Estudou na Alemanha e durante a guerra civil espanhola exilou-se em França e na Argentina, e, regressado à Europa, passou três anos em Portugal. Em Lisboa deu um curso livre de “especulação e problematização histórica” que teve um grande “êxito mundano”.&lt;br /&gt;Em 1922 publicou um livro intitulado &lt;em&gt;España Invertebrada&lt;/em&gt; que provocou uma enorme polémica. Artigos em jornais e revistas e vários ensaios de carácter filosófico, sociológico e político constituem o essencial da sua obra. Um dos seus ensaios, &lt;em&gt;Misión de la Universidad&lt;/em&gt;, ─ baseado numa prelecção feita perante os universitários madrilenos em 1929 ─ foi traduzido para português e publicado por Sant’Anna Dionísio.&lt;br /&gt;O que pensava sobre a missão educativa que devia ter a universidade pode resumir-se nas seguintes princípios: “transmissão de cultura, ensino dedicado às profissões liberais, investigação científica e formação de novos homens de ciência”. A Universidade devia transformar o estudante médio num homem culto e num bom profissional, limitando o grau de dificuldade dos seus cursos a este objectivo. A universidade devia ser, porém, “inexorável nas suas exigências perante o estudante”:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;As disciplinas de cultura e os estudos profissionais deverão ser oferecidos sobre forma pedagogicamente racionalizada ─ sintética, sistemática e completa ─, e não sob a forma que a ciência abandonada a si mesma preferiria: problemas especiais, «fragmentos» de ciência, exercícios de investigação &lt;/em&gt;[...]&lt;em&gt;. Não se vê razão alguma de peso para que o homem médio necessite ou deva ser um homem&lt;/em&gt; [investigador]&lt;em&gt; científico.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso “a investigação científica não pertence de maneira imediata e constitutiva às funções primárias da Universidade”. Embora “a cultura e profissão não sejam ciência [investigação científica], aquelas nutrem-se principalmente desta”.&lt;br /&gt;Perante esta necessidade a Universidade deve rodear-se de centros e laboratórios de investigação onde os seus professores mais dotados e vocacionados para a investigação façam ciência. No entanto “não é admissível que se confunda o centro da universidade com essa zona circular das investigações que deve rodeá-la”. “Todos os estudantes superiores do tipo médio deverão ir e vir desses acampamentos à Universidade, e vice-versa”, mas a investigação científica deve ser realizada apenas por uma elite que garante a qualidade científica, “porque a vocação para a ciência é especialíssima e rara” :&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A ciência&lt;/em&gt; [investigação científica]&lt;em&gt; é coisa tão alta e delicadíssima que ─ quer queiramos, quer não ─ exclui de si o homem médio. Implica uma vocação peculiaríssima e nada frequente na espécie humana. O sábio é o monge moderno. Pretender que o estudante normal seja um espírito científico investigador é, ─ está bem de ver, ─ uma pretensão ridícula que somente pode ter sido acolhida e agasalhada (as veleidades agasalham-se como os catarros e outras inflamações) pelo utopismo característico das gerações anteriores à nossa. […] De resto, não é desejável que o estudante normal seja um espírito científico, nem mesmo idealmente. A ciência é uma das coisas mais altas mas não é a única.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Ortega y Gasset insiste que: “o ensino superior e a investigação se prejudicam mutuamente quando se pretende fundi-las, em vez de deixá-las ao lado uma da outra, em permuta de intensos influxos, mas permuta muito livre; constante mas espontânea.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Ortega y Gasset a ideia de cultura que a universidade deveria dar aos seus alunos era muito abrangente e nela incluía ─ além das ideias da história, filosofia e da ciência da vida ─ as ideias da física:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A física e o seu modo mental de ser e de ver é uma das grandes rodas íntimas da alma humana contemporânea &lt;/em&gt;[…]&lt;em&gt;. Um homem pode ignorá-la &lt;/em&gt;[…]&lt;em&gt; quando esse homem é um humilde pastor nos vales serranos, ou um labrouste adstrito à gleba, ou um operário manual escravizado pela máquina. Se se trata, porém, de um senhor que se diz médico, ou magistrado, ou general, ou filólogo, ou bispo ─ isto é, que pertence à classe dirigente da sociedade ─ ,se tal senhor ignora o que é hoje o universo físico para o homem europeu, teremos que o considerar como um perfeito bárbaro, por muito que saiba das suas leis, ocupações, ou santos padres &lt;/em&gt;[…].&lt;em&gt; Quem não possuir a ideia física (não a ciência física mesma, mas sim a ideia vital do mundo que ela criou) &lt;/em&gt;[…] &lt;em&gt;não é um homem culto &lt;/em&gt;[…].&lt;em&gt; É inverosímil que um homem possa ser de facto, nessas condições, um bom médico, ou um bom juiz, ou um bom técnico.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Ortega y Gasset não aborda o problema que hoje tanto preocupa os nossos governantes: o financiamento do ensino superior. Apesar desta falha lamentável do pensador, não deveriam os nossos reformadores ler com alguma atenção as ideias que ele exprimiu e que Sant’Anna Dionísio entendeu transladar para português? Afinal a Universidade europeia é uma instituição com mais de oitocentos anos… e só passaram oitenta desde que foram tão claramente expressas as ideias de um vizinho espanhol que conhecia razoavelmente bem o nosso país.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-3658475994842173943?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/3658475994842173943/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=3658475994842173943&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/3658475994842173943'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/3658475994842173943'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2007/07/misso-da-universidade-na-opinio-de-jos.html' title='A missão da Universidade na opinião de José Ortega y Gasset'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/Rplse5cjI6I/AAAAAAAAAJ4/e6wH7ZstuNY/s72-c/Ortega+M.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-6292166853123692330</id><published>2007-07-02T18:41:00.000Z</published><updated>2008-12-11T11:01:55.093Z</updated><title type='text'>A propósito da reforma da educação superior em Portugal</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RolJdJGp1cI/AAAAAAAAAJw/szoYB065OCI/s1600-h/barbecue+party_1963.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5082674419473176002" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RolJdJGp1cI/AAAAAAAAAJw/szoYB065OCI/s400/barbecue+party_1963.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Há cerca de sessenta anos, o engenheiro civil Fernando Vasco Costa esteve durante seis meses na Faculdade de Engenharia de Cornell nos Estados Unidos como bolseiro do Instituto de Alta Cultura (IAC), para poder avaliar o sistema de ensino de engenharia nas universidade americanas. Com base nas suas observações escreveu em 1948 um artigo na &lt;em&gt;Técnica ─ Revista de Engenharia dos Alunos do Instituto Superior Técnico&lt;/em&gt; (IST). Após a leitura deste texto é interessante verificar que, sessenta anos depois, o sistema americano mantém as suas bases e práticas sem alterações significativas. Sobre o ambiente universitário Vasco Costa escreve o seguinte :&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Os professores de Cornell, aliás como os da maioria das universidades americanas, dedicam-se exclusivamente ao ensino e à investigação. Durante a estadia do autor em Cornell foi atribuído a um dos professores o prémio Nobel da Física. […]&lt;br /&gt;Os alunos de Cornell, apesar de não terem normalmente mais de 20 horas de aula por semana, puxam mais por si, e aprendem mais, do que os alunos do IST. Na nossa escola os alunos chegam a ter mais de quarenta horas de aula marcadas no horário!&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A relação entre alunos e professores americanos parece ter surpreendido o visitante português há sessenta anos. O mesmo aconteceu com o autor destas linhas há trinta, e continua ainda a acontecer à nova geração dos estudantes portugueses na América (http://campus-textos.blogspot.com/2007/06/por-marcus-dahlem-aluno-de-doutoramento.html ). Eis a descrição de Vasco Costa a propósito daquele assunto:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;As relações existentes entre professores e alunos da Cornell são muito diferentes daquelas que se verificam nas nossas escolas. Elas são caracterizadas por grande à-vontade, consideração, franqueza e ausência absoluta de formalismo.&lt;br /&gt;As primeiras impressões de um estrangeiro perante o à-vontade dos estudantes americanos não podem ser favoráveis. Durante a aula o aluno procura as posições mais cómodas, em particular para os pés, boceja, chega a espreguiçar-se e interrompe com frequência a lição, levantando um braço, para declarar que não percebe a exposição.&lt;br /&gt;Qualquer má impressão desaparece, porém, perante as vantagens da franqueza das relações entre professores e alunos e a verdadeira consideração, que estes manifestam por aqueles. Os professores, por seu lado, não pretendem aparentar mais do que sabem. É com a maior naturalidade que, uma vez por outra, ao responder na aula a um aluno que lhe pediu um esclarecimento, o professor declara que não sabe e que vai estudar o assunto para a aula seguinte. A exposição feita na aula tem sempre por único objectivo esclarecer os alunos e não o servir de pretexto à exibição da ciência do professor.&lt;br /&gt;Os alunos apenas mostram respeito pelos professores quando ele existe de facto. Dado o cuidado posto no recrutamento do pessoal docente, na Universidade de Cornell, esse respeito existe quase sempre.&lt;br /&gt;A frequência com que os alunos procuram os professores nos seus gabinetes, por iniciativa própria, que para lhes pedirem esclarecimentos sobre as lições, quer para lhes pedirem conselhos particulares, é uma manifestação desse respeito.&lt;br /&gt;À lealdade das relações entre professores e alunos julgamos poder atribuir, em parte, o facto de se não copiar nos exames. Na faculdade de engenharia tinha sido até adoptado para os exames o regime conhecido por “honour system”. Consiste este regime em alguns alunos tomarem a responsabilidade do comportamento dos colegas e o professor abandonar a sala depois de passados os pontos de exame. O sistema funcionava a contento geral e falava-se em o adoptar nas outras faculdades.&lt;br /&gt;Os professores convidam para sua casa, com certa frequência, os alunos, especialmente os dos últimos anos do curso. Nestas reuniões, nada cerimoniosas, professores e alunos conversam com o maior dos à-vontades sobre os mais variados assuntos. Os alunos ficam a saber que os professores são homens que deles apenas se distinguem por possuírem mais conhecimentos e maior experiência de vida. Os professores têm ocasião de conhecer os interesses e as necessidade dos alunos e de ganhar a sua confiança.&lt;br /&gt;Para a estreiteza de relações entre professores e alunos contribui ainda a existência de conselheiros expressamente nomeados para atender alunos e resolver os seus problemas pessoais, mesmo quando alheios ao estudo, tais como os relativos a finanças, saúde e emprego.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Implementar entre nós estes hábitos americanos não será tarefa fácil porque todos os valores culturais da sociedade portuguesa se têm desenvolvido no sentido oposto. Nos anos que se seguiram ao 25 de Abril houve bastantes colaborações informais entre alunos e professores e então teria sido muito fácil alargá-las a toda a universidade. As várias reformas universitárias que se seguiram não lhes deram porém o devido valor e para dificultar tudo, a sociedade tornou-se progressivamente menos informal.&lt;br /&gt;Com a reforma que se anuncia, a universidade transformar-se-á numa entidade empresarial de serviços educativos onde não haverá lugar para actividades extra-curriculares informais; os professores como funcionários serão contratados para transmitir os conhecimentos; os alunos, que são os clientes de tais serviços, estarão apenas interessados em obter uma competência profissional (ou apenas um canudo…). Neste ambiente não haverá lugar para uma vivência informal entre professores e alunos à moda americana, porque, por um lado, continua a não existir uma atmosfera exterior que lhe seja favorável e, por outro, não haverá, da parte dos professores e alunos, gosto, motivação, necessidade ou disponibilidade para a implementar. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-6292166853123692330?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/6292166853123692330/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=6292166853123692330&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/6292166853123692330'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/6292166853123692330'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2007/07/propsito-da-reforma-da-educao-superior.html' title='A propósito da reforma da educação superior em Portugal'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RolJdJGp1cI/AAAAAAAAAJw/szoYB065OCI/s72-c/barbecue+party_1963.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-6638249397114887446</id><published>2007-06-24T22:15:00.000Z</published><updated>2008-12-11T11:01:55.342Z</updated><title type='text'>A reforma da universidade portuguesa</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/Rn7uCanTu8I/AAAAAAAAAJo/AxozUQIZnlo/s1600-h/Universidade.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5079759154991840194" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/Rn7uCanTu8I/AAAAAAAAAJo/AxozUQIZnlo/s400/Universidade.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Discute-se neste momento a reforma da universidade e do ensino superior, em Portugal, e é confrangedor ouvir os argumentos que publicamente apresentam os mais altos responsáveis por essa reforma. Na opinião destes reformadores, a universidade portuguesa está pesada, esclerosada, autista, mal governada, improdutiva, e desperdiça valiosos fundos do erário público. Por isso, a reforma é urgentemente necessária; deve ser profunda, mas deve ser feita “à la carte” de acordo com os gostos e posses de cada instituição. Para que a universidade saia desta letargia improdutiva é urgente ─ dizem os reformistas ─ encontrar formas de governo ágil, de flexibilizar o seu funcionamento, responsabilizar os seus agentes, facilitar a autonomização das suas unidades orgânicas e dar à sociedade civil a possibilidade de influenciar efectivamente a sua governação.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nesta reforma, o reitor será nomeado e demitido por um conselho geral formado por professores, alunos e personalidades exteriores à universidade. As faculdades poderão autonomizar-se das respectivas universidades, se assim o entenderem e se o governo o aprovar. As universidades ou institutos universitários públicos ─ por decisão do seu conselho geral e aprovação do governo ─ poderão transformar-se em fundações públicas regidas pelo direito privado como estará a acontecer em países exemplares como a Suécia e a Alemanha onde existem justificadas expectativas de sucesso. As fundações propostas pela reforma serão administradas por um conselho de cinco curadores nomeados pelo governo que ─ talvez para evitar a partidarização ─ deverão ser propostos pelo conselho geral da fundação. Os orçamentos destas fundações deverão ser realizados por financiamentos próprios e pelo financiamento estatal com origem em contractos plurianuais, de acordo com regras transparentes, como aliás exige a boa democracia. Os professores deixarão de ser funcionários públicos; darão as suas aulas e/ou farão a sua investigação seguindo as orientações dos órgãos próprios da instituição fundacional… naturalmente. Os alunos deverão ser seleccionados à entrada, de acordo com os critérios estabelecidos pela fundação que serão exigentes… naturalmente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;De acordo com a reforma proposta pelo governo, as instituições, até agora impotentes de se renovarem e inovarem, poderão demonstrar todas as suas capacidades de desenvolvimento e libertar-se finalmente do espartilho imposto pelos estatutos que elas próprias aprovaram e pelas regras monolíticas do Estado. Mas a reforma permitirá ainda que outras instituições universitárias, através dos seus estatutos internos, se mantenham mais ou menos imutáveis. Desde que demonstrem perante o governo a sua eficiência produtiva, estas instituições mais conservadoras não serão descriminadas tanto institucional como financeiramente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;É intelectualmente pouco séria a análise feita pelos autores desta reforma, por não terem divulgado, discutido e combatido as principais causas das dificuldades por que passam as universidades portuguesas: critérios de financiamento desadequados; financiamento efectivo sistematicamente inferior ao que a lei estabelece; atribuição de competências sem contrapartidas financeiras; atrasos nas iniciativas e decisões ministeriais; financiamento irregular ao sabor das prioridades dos ministro ou dos défices; pagamentos atrasados; legislação contabilística anacrónica, desajustada, impeditiva da flexibilidade que agora se pretende exaltar. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Se as universidades portuguesas funcionam mal não é essencialmente por causa dos seus estatutos ou da irresponsabilidade dos seus professores, funcionários, alunos ou dirigentes mas sim dos empecilhos criados pelo próprio Estado, da escassez do financiamento a que têm direito e do não cumprimento dos compromissos assumidos por vários governos. São estas dificuldades ─ que não se limitam infelizmente à área da educação ─ que impedem o bom funcionamento das universidades. O governo quer ultrapassá-las da forma mais fácil: descartar a responsabilidade, directa e universal, do ensino superior. Ao passar esta responsabilidade para entidades autónomas a quem será distribuída uma cota financeira que julgar suficiente, o governo pode seguidamente lavar as mãos como Pilatos e dizer que o estado da educação superior ─ que vai ser uma trapalhada com esta reforma ─ é da responsabilidade dos outros.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Será difícil avaliar o futuro das fundações universitárias portuguesas, propostas nesta reforma. Num país socialmente desenvolvido e com bases educacionais sólidas, elas poderiam efectivamente contribuir para o desenvolvimento da investigação científica e para a formação de elites. O problema é que Portugal não é um país socialmente desenvolvido… Olhe-se para o estado da sua economia e da sua indústria bem como para o nível de desenvolvimento político e cultural dos portugueses. Numa conferência proferida em 1929, e publicada no livro “Missão da Universidade”, José Ortega y Gasset afirmou o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Não censuro que nos informemos, pondo os olhos no que fez o vizinho exemplar; pelo contrário, importa fazê-lo, mas de modo que não se julgue que tal nos exime de resolver, por nós mesmos, originalmente, o nosso próprio destino” […]. Ainda que fossem perfeitas a escola secundária inglesa e a Universidade alemã, tais instituições seriam intransferíveis, porque são somente uma porção de si mesma. A sua realidade íntegra é o país que as criou e mantém.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Em vez de reformar as universidades e o ensino superior, não seria mais urgente e eficaz, neste momento, reformar o próprio Estado ou, se esta tarefa for considerada impossível, começar por reformar o Governo e, se isto não for também possível, ao menos tentar reformar as instituições governamentais? É que sem estas reformas o ensino superior vai continuar a ser ineficiente, tal como o resto do país…&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-6638249397114887446?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/6638249397114887446/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=6638249397114887446&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/6638249397114887446'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/6638249397114887446'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2007/06/reforma-da-universidade-portuguesa.html' title='A reforma da universidade portuguesa'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/Rn7uCanTu8I/AAAAAAAAAJo/AxozUQIZnlo/s72-c/Universidade.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-4918995958237742075</id><published>2007-06-16T20:41:00.000Z</published><updated>2008-12-11T11:01:55.511Z</updated><title type='text'>O Aproveitamento Político da Ciência</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RnRNgKnTu7I/AAAAAAAAAJg/24vO_n4IEmw/s1600-h/Salazar+2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5076767894953769906" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RnRNgKnTu7I/AAAAAAAAAJg/24vO_n4IEmw/s400/Salazar+2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;Os benefícios produzidos pela ciência são cobiçados por todos: pelo homem da rua que quer ver resolvidos os seus problemas diários, a médio e longo prazo, pelos investidores que pretendem ver aumentados os seus proventos e pelos políticos que desejam manter e redobrar o seu poder.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O aproveitamento político da ciência vem dos tempos que antecederam a própria ciência moderna, quando príncipes e reis começaram a suportar financeiramente as actividades de homens que cultivavam as ciências e as técnicas, com o objectivo de aumentar o seu prestígio, perante súbditos e adversários, e de realizar sonhos de grandeza. Nos séculos mais próximos do nosso tempo, o apoio que os governos de todas as nações começaram a dar à investigação científica não era propriamente dominado por objectivos desinteressados, de puro amor à verdade científica e ao incremento da cultura das nações, mas, prioritariamente, por objectivos utilitaristas.&lt;br /&gt;Em Portugal o apoio institucional à investigação científica iniciou-se somente em 1929 com a criação pelo Estado Novo da Junta de Educação Nacional (JEN). Os objectivos desta Junta eram a “organização de trabalho científico nacional, a preparação da reforma dos métodos pedagógicos e a expansão da cultura portuguesa”. Porém, em face das contradições e dos obstáculos que o regime foi promovendo, conclui-se que a criação desta Junta foi uma decisão com objectivos puramente políticos, forçada pelos exemplos que vinham dos outros países europeus e, muito particularmente, da vizinha Espanha. Noutras palavras, o Estado Novo não sentiu realmente a necessidade de criar um corpo de cientistas portugueses, de estimular a ciência nacional e, muito menos ainda, de tentar criar uma sociedade regulada pelos princípios da ciência e de estabelecer uma economia fundamentada na ciência e na tecnologia. A criação da Junta de Educação Nacional foi efectivamente um acto com motivações e objectivos mais políticos do que científicos.&lt;br /&gt;Vejamos o que pensavam dois homens com responsabilidades no regime salazarista sobre a utilidade da ciência.&lt;br /&gt;Num Colóquio da Junta de Investigações Coloniais realizado em 1950 confrontaram-se opiniões de cientistas e políticos sobre os objectivos da ciência. De um lado, estava Orlando Ribeiro, geógrafo notável da época, que valorizava o valor cultural embora não desprezasse o valor económico da ciência; de outro, perfilava-se Marcelo Caetano (1906-1980), ex-ministro das colónias (1944-1947) e ex-director do Instituto de Alta Cultura que sucedeu à Junta de Educação Nacional em 1936. Sobre a investigação científica na “Metrópole” e a ciência colonial ─ que era o tema central do Colóquio ─ Marcelo Caetano pensava o seguinte:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;A investigação na Metrópole pode viver no plano puramente desinteressado das Academias ou das Universidades; mas em África, não são só as Academias, não são só as Universidades que estão em causa. […]&lt;br /&gt;Os títulos de soberania no século passado assentaram na ocupação efectiva, nos tratados, nas convenções, nas sentenças arbitrais. Hoje, os nossos títulos de soberania têm que ser reforçados pela ocupação científica. Quer dizer, a investigação científica colonial é um objectivo político de primeira grandeza a atingir pelo Estado e é por isso que o Ministério das Colónias está directamente interessado nela sob um aspecto que na Metrópole é desconhecido, ou pelo menos subalternizado. No Ministério da Educação Nacional, a investigação científica pode, na ordem das preocupações, ocupar o quarto, o quinto, o sexto lugar; no Ministério das Colónias trata-se de uma preocupação de primeiro plano.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não há dúvida que, para Marcelo Caetano, a investigação científica era fundamentalmente um recurso que se devia desenvolver ou atrofiar de acordo com os objectivos políticos. Muito mais tarde, em 1968, Marcelo Caetano acabou por suceder a Salazar na Presidência do Conselho de Ministros, e não consta que as suas ideias sobre a ciência tenham mudado…&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Franco Nogueira (1918-1993) foi diplomata e Ministro dos Negócios Estrangeiros de Salazar entre 1961 e 1969, e é considerado, com justiça, o seu melhor biógrafo. Embora não tivesse partilhado todos os pontos de vista do ditador, é mesmo assim considerado um dos seus herdeiros políticos. Afastado da política com o marcelismo, ocupou imediatamente o cargo de administrador estatal da Companhia de Caminho de Ferro de Benguela… Ontem, tal como hoje!...&lt;br /&gt;Em 13 de Fevereiro de 1969, Franco Nogueira proferiu uma conferência na Academia de Ciência de Lisboa intitulada “Coordenadas da Crise Contemporânea” em que exprime as suas ideias sobre a utilidade da ciência e da técnica:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Buscou-se na ciência e na técnica a resposta aos anseios insofridos. A ciência e a técnica, todavia, são monopólio dos povos ricos e altamente desenvolvidos. Mas estes têm subordinado aquelas a considerações de ordem política nacional. Tanto na União Soviética como nos Estados Unidos da América e na China, permite-se de certo a liberdade de criação e de investigação científica: mas essa liberdade concede-se para que aos governos seja mais fácil apoderarem-se dos resultados alcançados. Verifica-se assim uma pressão contínua na ciência e na técnica para que estas progridam pragmaticamente no sentido mais útil ao poder político. A ideia de que a ciência, por si, revela a verdade do mundo constitui uma cândida ilusão.[…]&lt;br /&gt;A tecnologia não consolida a autoridade, nem protege a liberdade, nem assegura a paz; e nem tão pouco resolve as dificuldades materiais das existência quotidianas, lùgubremente descoloridas e sem horizonte.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Esta última frase é de alguma forma desconcertante para todos aqueles que acreditam no progresso científico e tecnológico. Para Franco Nogueira, qual seria pois a utilidade da tecnologia? ─ Apenas... para a consolidação do poder político! …&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-4918995958237742075?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/4918995958237742075/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=4918995958237742075&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/4918995958237742075'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/4918995958237742075'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2007/06/o-aproveitamento-poltico-da-cincia.html' title='O Aproveitamento Político da Ciência'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RnRNgKnTu7I/AAAAAAAAAJg/24vO_n4IEmw/s72-c/Salazar+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-7094555996482057185</id><published>2007-06-01T14:52:00.000Z</published><updated>2008-12-11T11:01:55.659Z</updated><title type='text'>O que aconteceu há 60 anos</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RmA1GHpyoeI/AAAAAAAAAJQ/KXaZUE2C72c/s1600-h/Tomada+Lisboa+1147+MC.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5071111559668998626" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RmA1GHpyoeI/AAAAAAAAAJQ/KXaZUE2C72c/s400/Tomada+Lisboa+1147+MC.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;A leitura de um folheto contendo o programa das comemorações do 8º centenário da tomada de Lisboa aos mouros ─ que tiveram lugar no Porto em 7 de Junho de 1947 com a presença do Presidente da República General Óscar Carmona ─ fez-me recordar um decreto de Salazar que afectou severamente a ciência portuguesa, publicado na imprensa nacional a 15 de Junho desse mesmo ano, isto é, oito dias depois.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nunca foi tolerável para o regime salazarista o pleno desenvolvimento da ciência nacional, porque, com a ciência, coabita a liberdade de opinião e de expressão, um valor inaceitável num regime ditatorial.&lt;br /&gt;Em 1934, houve uma tentativa falhada de golpe contra a ditadura militar aliada a Salazar. A obstinação deste político em silenciar toda e qualquer oposição ou crítica levou-o à publicação do decreto de 16 de Maio de 1935 que teve como consequência a demissão de 33 funcionários civis e militares, entre os quais se contavam os professores universitários Abel Salazar (1889-1946), Aurélio Quintanilha (1892-1987), Manuel Rodrigues Lapa (1897-1989), Sílvio Lima (1904-1993), bem como os professores do ensino primário Jaime Carvalhão Duarte, Costa Amaral e Manuel da Silva. Nesta época, era Ministro da Instrução Pública e Belas Artes Eusébio Tamagnini de Matos Encarnação.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Em 1947, ocorre uma tentativa de revolta militar contra o regime salazarista ─ a &lt;em&gt;abrilada&lt;/em&gt; ─, seguida de greves estudantis em Lisboa a 10 de Maio. Para erradicar de vez uma oposição inteligente e esclarecida, Salazar fez publicar, em 15 de Junho de 1947, uma nota oficiosa do Conselho de Ministros, que ordenava a demissão de 11 oficiais do Exército e de 21 professores universitários, impondo-lhes uma aposentação compulsiva ou a rescisão dos contratos. Foram então afastados do ensino universitário ─ quase todos em 18 de Junho ─ os professores: Ruy Luís Gomes, Mário Silva, Celestino da Costa, Cândido de Oliveira, Pulido Valente, Fernando Fonseca, Adelino da Costa, Cascão de Ansiães, Torre de Assunção, Flávio Resende, Ferreira de Macedo, Peres de Carvalho, Marques da Silva, Zaluar Nunes, Rémy Freire, Crabée Rocha, Dias Amado, Manuel Valadares, Armando Gibert, Lopes Raimundo, Laureano Barros, José Morgado e Morbey Rodrigues. Com esta decisão, Salazar destruiu uma geração de investigadores portugueses, muitos deles formados no estrangeiro, que iniciavam um interessante trabalho de consolidação da ciência portuguesa em várias áreas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O critério seguido por Salazar para a “limpeza” das universidades foi eliminar as maiores competências científicas e pedagógicas, atingindo assim os professores com melhor curriculum científico e aqueles que maior influência exerciam sobre os seus jovens alunos. A pedido do ditador, a lista desses professores foi ignobilmente preparada e fornecida às autoridades pelos próprios directores das Faculdades, demonstrando, assim, que muitos docentes universitários nunca deixaram de dar apoio ao regime salazarista… Oficialmente, porém, a razão invocada para a demissão dos professores universitários era o suposto apoio destes professores aos distúrbios estudantis contra o governo. Segundo a nota, esses professores “ostensiva ou veladamente animaram a agitação e os agitadores”. Decreta-se que são afastados “do exercício das funções públicas os indivíduos que se têm salientado pela prática de actos sediciosos e deram provas inequívocas de oposição activa aos princípios fundamentais da constituição política”. Era na altura Ministro da Educação o professor Fernando Andrade Pires de Lima (1906-1970) da Faculdade de Direito de Coimbra que tomara posse em 4 de Fevereiro desse ano e que continuou a exercer este cargo até Julho de 1955.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Para manter sólido o seu regime político, Salazar atrasou a industrialização, a ciência, a cultura e o bem-estar do povo em nome dos “mais elevados e nobres” valores e interesses da nação portuguesa. Ainda hoje sentimos os efeitos dessa política de grave miopia, porque esta incapacidade, que tudo desfoca, alastrou progressivamente a toda a sociedade e a todas as instituições que dela emanam.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não deixa de ser interessante que dois acontecimentos tão simbólicos: a comemoração, no Porto, do 8ºcentenário da tomada de Lisboa aos mouros e a concretização de uma política de suicídio nacional tivessem ocorrido há 60 anos num intervalo de apenas nove dias! … &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-7094555996482057185?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/7094555996482057185/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=7094555996482057185&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/7094555996482057185'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/7094555996482057185'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2007/06/o-que-aconteceu-h-60-anos.html' title='O que aconteceu há 60 anos'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RmA1GHpyoeI/AAAAAAAAAJQ/KXaZUE2C72c/s72-c/Tomada+Lisboa+1147+MC.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-6388797114129115396</id><published>2007-05-26T14:59:00.000Z</published><updated>2008-12-11T11:01:55.797Z</updated><title type='text'>Casos de bibliomania</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RlhTfnpyoaI/AAAAAAAAAIw/0KwFZbK_f8s/s1600-h/Lusiadas+Didot+Mateus+2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5068893183290810786" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RlhTfnpyoaI/AAAAAAAAAIw/0KwFZbK_f8s/s320/Lusiadas+Didot+Mateus+2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Os bibliófilos, que são uma importante força impulsionadora da cultura, existem em número elevado em todo o mundo e também, felizmente, em Portugal. No entanto, os bibliófilos compulsivos por desgraça ou por fortuna ─ os bibliómanos ─ constituem apenas uma minoria. Muitas histórias se contam sobre estes homens, constituindo um acervo anedótico muito considerável. Houve bibliómanos que pretenderam produzir um livro perfeito, imaculado, sem o mínimo defeito, e outros que pretenderam coleccionar exemplares de tudo o que se publicava. A experiência de qualquer bibliófilo normal mostra que tais objectivos são de difícil se não impossível concretização. Apesar disso, tem havido sempre alguém que não desiste destes objectivos e de outros não menos ambiciosos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Uma tentativa célebre para fazer sair uma edição imaculada de um livro deve-se a D. José Maria de Sousa Botelho Mourão e Vasconcelos (1758-1825), conhecido por Morgado de Mateus, que em 1817 pretendeu que a sua magnífica edição dos Lusíadas ─ actualmente muito rara e valiosa ─ não tivesse um único erro tipográfico. Para isso empenhou-se pessoalmente com trabalho e dinheiro, recorrendo à assistência de um cuidadoso revisor, um tal Menia, e de um famoso impressor parisiense, Didot. A meio da edição, verificou-se que na fase da composição, uma das letras da palavra &lt;em&gt;Lusitano&lt;/em&gt; fora mal colocada pelo tipógrafo fazendo que, nas primeiras cópias, surgisse uma, embora única, gralha. Este lamentável erro foi corrigido, mas ninguém parece ter dado toda a importância ao facto de Camões ser cego do olho direito. Numa das gravuras, em que o poeta é representado na gruta de Macau, o olho direito aparece bem representado mas sem qualquer sinal de cegueira. É de referir que na produção do livro estiveram envolvidos quatro desenhadores (Gerard, Fragonard, Visconti e Desenne) e 12 gravadores.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Uma outra tentativa de produzir um livro perfeito terá ocorrido na Escócia. O famoso editor Foulises (ou Foulis) de Glasgow tentou publicar um trabalho que deveria ser um espécimen perfeito de rigor tipográfico. Para isso tomaram-se todos os cuidados, sendo a revisão entregue a seis revisores experimentados que demoraram horas de leitura a rever cada página e a quem não foi exigida pressa no trabalho. Completada esta primeira revisão, cada uma das páginas foi afixada durante duas semanas nas paredes do átrio da universidade com a promessa da atribuição de um prémio de 50 libras a quem descobrisse alguma gralha. Como ao fim de duas semanas ninguém tivesse relatado nenhum erro, Foulis, confiante, mandou imprimir e distribuir o trabalho. Para surpresa de todos, não tardou que se descobrissem vários erros, um dos quais na primeira linha da primeira página!...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Um bibliófilo tão compulsivo como o bibliómano Sir Thomas Phillipps (1792-1872) será difícil de encontrar ou mesmo imaginar. Esta “doença” ter-se-lhe-ia manifestado durante a meninice com a obstinação de querer possuir tudo quanto estivesse escrito em papel, incluindo documentos e livros, tendo mesmo confessado a amigos que o seu &lt;em&gt;maior desejo era possuir uma cópia de todos os livros publicados no mundo&lt;/em&gt;!... Impulsionada por este desejo, a colecção de Phillipps cresceu ao longo dos anos tendo atingido 100 mil livros e 60 mil documentos, à custa, naturalmente, de muito dinheiro. Sucessivas falências e constantes perseguições de credores fizeram parte da vida agitada deste obcecado coleccionador. Muitos dos pacotes e caixas, que todos os dias chegavam a sua casa, nem sequer eram abertos, sendo muitos deles logo metidos em grandes caixões, semelhantes a urnas funerárias, pois desta forma poderiam ser retirados com maior facilidade no caso de um incêndio ─ uma tragédia "mais que provável" que angustiava os dias do coleccionador. Todos os compartimentos da sua casa estavam abarrotados de caixas, livros e papéis sendo uma tarefa impossível para os visitantes encontrar fosse o que fosse. Para afastar borboletas e outros insectos cujas larvas adoram comer papel… Phillipps espalhava pelas várias salas ramos que podiam ser usados para enxotar tão indesejáveis intrusos. Cresceu de tal forma esta colecção que a casa de Middle Hill não aguentou o peso, e os soalhos começaram a ceder debaixo de centenas de toneladas de papel. Crê-se que esta degradação da casa teria sido porém propositada, com o objectivo de os seus bens, e muito particularmente os seus livros, não caírem nas mãos de James Halliwell, o genro que nunca tolerou e a quem chamava “ladrão de livros”. Perante a derrocada eminente da casa, Sir Thomas Phillipps decidiu transferir, em 1863, todos os seus livros e papéis para uma nova propriedade perto de Cheltenham. Para essa operação foram mobilizados 160 homens, 103 vagões puxados por 230 cavalos. Diz-se que durante anos se podiam ainda encontrar destroços dos carros que tinham colapsado sob o peso dos livros. Na nova casa, continuou a fazer crescer a sua colecção até que a morte o libertou de tão compulsiva e angustiante bibliomania, em 1872.Como acontece com quase todas as bibliotecas de bibliófilos defuntos, os familiares directos começaram de imediato a dispersá-la, vendendo-a directamente ou através de inúmeros leilões especialmente organizados. Ainda hoje, são anunciados para venda livros da biblioteca de Sir Thomas Phillipps. Verdadeiras preciosidades foram encontradas na caótica biblioteca deste ilustre coleccionador, como por exemplo um raríssimo manuscrito medieval contendo metade das Metamorfoses de Ovídio que há muito se julgava perdido. Não fora a compulsiva bibliomania de Thomas Phillipps, o manuscrito completo das Metamorfoses ─ cuja 2ª parte se encontrava no Magdalen College, em Oxford ─ nunca teria sido recuperado… &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-6388797114129115396?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/6388797114129115396/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=6388797114129115396&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/6388797114129115396'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/6388797114129115396'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2007/05/casos-de-bibliomania.html' title='Casos de bibliomania'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RlhTfnpyoaI/AAAAAAAAAIw/0KwFZbK_f8s/s72-c/Lusiadas+Didot+Mateus+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-3021202067266957873</id><published>2007-05-14T13:03:00.000Z</published><updated>2008-12-11T11:01:55.940Z</updated><title type='text'>Tempos heróicos da investigação científica</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/Rkhfl4W1wQI/AAAAAAAAAIo/FfcWVqBlVqI/s1600-h/Volta+Pilha+M.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5064402885366104322" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/Rkhfl4W1wQI/AAAAAAAAAIo/FfcWVqBlVqI/s320/Volta+Pilha+M.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Os pioneiros têm que possuir uma resistência e uma heroicidade extraordinárias, porque o arranque de qualquer nova actividade exige enormes esforços e as condições de trabalho são sempre más ou mesmo inexistentes. Na ciência há muitos exemplos de actos heróicos praticados pelos seus pioneiros, alguns dos quais podem mesmo ser classificados de martírio.&lt;br /&gt;Muitos destes actos têm sido relatados em livros e artigos, como é o caso do livro &lt;em&gt;Les Martyrs de la Science&lt;/em&gt; (1879) de Gaston Tissandier, traduzido para Português por Adolfo Portela com o título &lt;em&gt;Martyres da Sciencia&lt;/em&gt;. Nele se faz a descrição do trabalho heróico de dezenas de pioneiros da ciência nas mais diversas áreas, os quais sacrificaram o seu bem-estar e deram inclusivamente a própria vida em prol do desenvolvimento científico. Embora actualmente não seja considerado um acto de heroicidade, há ainda muitos cientistas que se dedicam quase exclusivamente à ciência desvalorizando os aspectos das suas vidas que o cidadão comum mais preza.&lt;br /&gt;É fundamental ter uma percepção correcta das vicissitudes por que passaram os pioneiros da ciência moderna para podermos avaliar, com maior justiça, os legados científicos que nos deixaram.&lt;br /&gt;O desenvolvimento da medicina, como é sabido, é muito dependente do desenvolvimento de outras ciências como a física, a química e a biologia e, sempre que ocorre nestas ciências básicas uma nova descoberta ou invenção, de imediato se procuram tirar delas possíveis benefícios para a prática médica. Assim aconteceu com determinadas inovações na área da electricidade como, por exemplo, a invenção da pilha de Volta ocorrida em 1800.&lt;br /&gt;Em 1801, o médico francês Pierre-Hubert Nysten (1771-1818) realizou experiências pioneiras da acção da pilha eléctrica sobre músculos e órgãos de animais, incluindo os do corpo humano. No seu livro &lt;em&gt;Nouvelles Expériences Galvaniques&lt;/em&gt; (1802) descreve essas experiências e, numa nota de fundo de página, revela as dificuldades que teve de ultrapassar para fazer as suas experiências no cadáver de um condenado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Seja-me permitido fazer uma descrição sucinta dos sacrifícios que tive de fazer e dos perigos por que passei durante esse dia para satisfazer o meu zelo.&lt;br /&gt;Saio de casa às dez horas da manhã, com o aparelho vertical de Volta na mão, para me dirigir a um dos pavilhões da escola de medicina, e aí continuar as minhas experiências. Ao entrar na rua da Observância, ouço anunciar por um apregoador a condenação de um criminoso à pena de morte. Compro a sentença e verifico que deve ser executada no mesmo dia 14 de Brumaire [5 de Novembro]. Dirijo-me ao cidadão Thouret, director da Escola. Manifesto-lhe o meu desejo de tentar no coração do homem as experiências que já tinha realizado no coração de várias espécies de animais. Acrescento que vai ser supliciado um criminoso e que, se tivesse o seu apoio, estava disposto fazer todos os esforços necessários para não deixar escapar uma tal oportunidade. O cidadão Thouret apressa-se a escrever uma nota sobre o assunto ao prefeito da polícia. Dirijo-me à prefeitura; obtenho uma autorização pela qual o corpo do indivíduo que ia ser morto seria colocado à minha disposição depois da decapitação, isto é, desde o momento que fosse conduzido para o cemitério de Sainte-Catherine. Munido da autorização da polícia, chego cedo à praça de Grève; e aí, aguardando o desgraçado que a justiça devia castigar, eu reflicto que o caminho que vai deste lugar ao cemitério é bastante longo; que uma carroça não vai ordinariamente senão a passo do cavalo que a puxa e por consequência com bastante lentidão; enfim que é possível que uma circunstância imprevista retarde de algum tempo a sua partida após a execução. Perante estas dificuldades que podiam comprometer o êxito da minha experiência, penso que devia correr ao Palácio da Justiça com a intenção de as ultrapassar, se para isso encontrasse os meios; transponho a barreira que me levantavam as sentinelas colocadas na grade do Palácio; exorto o condutor da carroça a fazer andar o seu cavalo o mais lestamente possível desde a praça de Grève até ao cemitério e prometo provar-lhe o meu reconhecimento. Com o mesmo objectivo vou encontrar-me com o cabo da brigada de polícias que deveriam escoltar o triste cortejo: faço mais; falo com o executor. Não me resta senão o tempo necessário para voltar ao lugar da execução. Mal havia chegado quando vejo cair o cutelo fatal. Um espectáculo tão arrepiante faz-me tremer de horror. Entretanto retiro-me e corro para o cemitério. Apresento ao porteiro a minha autorização e solicito-lhe um local; responde-me que não há nenhum e objecta-me que eu não posso entregar-me a um trabalho anatómico num lugar público onde chegam constantemente cortejos fúnebres. Vejo no meio do cemitério um grande fosso recentemente escavado com a profundidade de 50 a 60 pés. Rogo ao porteiro para me conceder um pequeno canto. Depois de várias objecções, acede às minhas insistências. Uma parte da fossa só estava escavada até 15 pés do solo. É a essa espécie de plataforma que dou a minha preferência; dava-me a vantagem de usufruir ainda durante algum tempo da luz do dia e de obter mais rapidamente aquilo de que pudesse ter necessidade durante o curso do meu trabalho. Faço aí colocar o cadáver e aí desço eu próprio. Mal chego ao fundo da escada, um odor sepulcral atinge o meu olfacto e a atmosfera húmida daquele lugar de mortos, parando de repente o suor que brotava de todos os pontos da superfície do meu corpo, fez-me experimentar uma sensação semelhante à de um banho de gelo. Por tudo isto pode ainda avaliar-se o perigo a que a minha saúde esteve exposta. Mas isto não é tudo: o meu laboratório, consideravelmente apertado por um enorme montão de pedras tinha no máximo seis pés de comprimento por quatro de largura e o lado do comprimento estava na direcção do fundo da fossa; de maneira que quando queria passar de um lado do cadáver para o outro, encontrava-me no bordo de um precipício repelente onde estive quase a cair várias vezes durante o espaço de tempo que durou a minha experiência. Passo em silêncio as incomodidades relativas à própria experiência, tais como a situação de o cadáver estar colocado sobre a terra, a minha secretária ser composta de 3 ou 4 pedras colocadas umas sobre as outras, o assento vacilante do meu aparelho galvânico, a terra que os obreiros, trabalhando por cima da minha fossa, faziam cair a todo o instante na minha cabeça, etc. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para além dos procedimentos legais e das questões de natureza ética que esta descrição revela, podemos apreciar o espírito de sacrifício e o empenho manifestados pelo autor das experiências. Este é um exemplo paradigmático das claras limitações de toda a espécie que envolveram a actividade médico-científica há apenas 200 anos. É notável o esforço que foi necessário fazer pelos pioneiros da ciência para que hoje possamos beneficiar dos estudos por eles realizados.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-3021202067266957873?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/3021202067266957873/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=3021202067266957873&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/3021202067266957873'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/3021202067266957873'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2007/05/tempos-hericos-da-actividade-cientfica.html' title='Tempos heróicos da investigação científica'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/Rkhfl4W1wQI/AAAAAAAAAIo/FfcWVqBlVqI/s72-c/Volta+Pilha+M.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-6564301576245661706</id><published>2007-05-04T22:34:00.000Z</published><updated>2008-12-11T11:01:56.298Z</updated><title type='text'>O conhecimento da ciência náutica quinhentista portuguesa na primeira metade do século XX</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/Rju4GIW1wPI/AAAAAAAAAIg/t03S2bU0sVs/s1600-h/Fontoura+da+CostaR.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5060841021742891250" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/Rju4GIW1wPI/AAAAAAAAAIg/t03S2bU0sVs/s320/Fontoura+da+CostaR.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nos anos que se seguiram à implementação da República e nos posteriores à 2ª Guerra Mundial, houve uma tentativa de valorização da ciência náutica portuguesa de quinhentos com o objectivo de reabilitar a sua imagem. Nesta iniciativa, apoiada pelo Estado português, distinguiram-se estudiosos como Joaquim Bensaúde (1859-1952), Luciano Pereira da Silva (1864-1926), Abel Fontoura da Costa (1869-1940), Gago Coutinho (1869-1959) e Armando Cortesão (1891-1976), entre outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes dos trabalhos destes autores, a ciência náutica portuguesa era considerada inexistente. Segundo se dizia, os portugueses de quinhentos tinham-se limitado a importar os conhecimentos alheios para os aplicarem nas suas navegações. Esta ideia tinha sido lançada no século XIX por historiadores alemães ─ liderados pelo explorador e naturalista Alexander von Humboldt (1769-1859) autor de O Cosmos ─ que tentaram demonstrar que toda a técnica usada pelos portugueses nos descobrimentos tinha tido origem na ciência náutica alemã. Os fundamentos desta opinião iam buscá-los à actividade de Martinho da Boémia que, a convite D. João II, tinha chegado a Portugal em 1484. Este matemático e astrónomo, que tinha sido discípulo de Regiomontano, assumiu o cargo de cosmógrafo na expedição de Diogo Cão e, por esta razão, os seus compatriotas de oitocentos pensaram que tinha introduzido no nosso país os instrumentos de navegação, as tábuas náuticas e os demais conhecimentos de náutica e de astronomia. Segundo a opinião destes historiadores, toda a preparação técnica dos grandes marinheiros e pilotos portugueses teria tido origem neste sábio alemão e, directa ou indirectamente, na escola alemã em que ele se formara. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Por falta de documentos históricos em favor de uma escola portuguesa ─ resultante, segundo uma ideia comum, do secretismo que sempre acompanhou a nossa exploração marítima ─ não era fácil contrariar a opinião alemã. Para a rebater, porém, Joaquim Bensaúde escreveu em 1912 o livro &lt;em&gt;L'astronomie nautique au Portugal à l'époque des grandes decouvertes&lt;/em&gt; que foi comentado na ISIS, a revista da &lt;em&gt;History of Science Society&lt;/em&gt; dos EUA, por Jean Mascart de forma elogiosa: “a obra que aqui assinalamos […] é a mais importante que foi escrita desde há longo tempo sobre estes assuntos”.&lt;br /&gt;Bensaúde contesta a posição dos académicos germânicos e afirma que, se os portugueses receberam de alguém conhecimentos astronómicos e os instrumentos náuticos, teria sido dos espanhóis (catalães em particular), italianos e franceses, mas nunca dos alemães que não tinham nenhuma experiência marítima.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em 1917, Bensaúde publicou um outro livro &lt;em&gt;Histoire de la science nautique portugaise (Résumé)&lt;/em&gt; também comentado na ISIS, desta vez por George Sarton seu director, onde reforça as mesmas ideias anteriores. Neste livro, Joaquim Bensaúde mostra que as ciências náuticas eram estudadas entre nós desde o tempo do infante D. Henrique, muito antes da chegada de Martinho da Boémia, e continuaram depois a ter um cunho bem português com Pedro Nunes e D. João de Castro.&lt;br /&gt;Bensaúde mostrou ainda que existia em Portugal, ao lado da ciência náutica, um importante movimento cultural abarcando outras áreas, tendo referido as figuras nacionais que mais ilustraram essa época: Gaspar Correia, Damião de Góis, André de Gouveia, Garcia da Orta, Camões. Depois de referir tudo isto, George Sarton termina a sua recensão da seguinte forma:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;É claro que o livro de Joaquim Bensaúde está repleto de factos e de ideias e é eminentemente sugestivo; a nossa única censura é que ele não esteja melhor escrito. O seu autor não tem o talento da ordem e da clareza; mas a sua actividade incansável e perspicácia merecem todo o nosso reconhecimento.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Esta tese de Bensaúde era também seguida por investigadores nacionais como Luciano Pereira da Silva, seu contemporâneo, e foi posteriormente retomada por outros como Fontoura da Costa que apresentou ao III Congresso Internacional de História da Ciência realizado em Lisboa, Coimbra e Porto em 1934, uma comunicação intitulada &lt;em&gt;La science nautique des Portugais à l'époque des découvertes&lt;/em&gt;, publicada nas Actas do Congresso (1936) e nos Anais do Clube Militar Naval (1935). Juntamente com as Actas do Congresso, esta comunicação foi analisada por Sarton na ISIS em 1938. Fontoura da Costa, que mereceu ─ tal como o Presidente da República o general Carmona e Ricardo Jorge ─ a publicação do seu retrato (que em cima se reproduz) nas actas, refere os progressos realizados pelos portugueses em várias áreas das ciências náuticas em particular nos instrumentos de observação, nos astros, na bússola, nas cartas marítimas, nos roteiros e na pilotagem.&lt;br /&gt;Sarton parece que tinha em grande apreço o trabalho de Fontoura da Costa referindo-se em particular à qualidade de &lt;em&gt;A Marinharia dos Descobrimentos&lt;/em&gt; (1934), livro com que o autor obteve reconhecimento nacional e internacional: o título de membro associado da Academia de Ciências de Lisboa e um prémio da Academia da Marinha Francesa. George Sarton (1884-1956) termina o seu artigo da seguinte forma:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A publicação das actas foi feita com muito cuidado pelo Dr. Arlindo Camilo Monteiro. Enviou provas a todos os autores menos a mim! Disto resultou que o texto do meu discurso presidencial contivesse erros bastante desagradáveis. Quanto à ortografia dos nomes dos lugares por si adoptada (depois de MIELI) [pág. XLIII] é de pura infantilidade.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Logo após a sua visita a Portugal realizada durante o congresso, Sarton tinha escrito, em 1935, um pequeno artigo na ISIS sobre os trípticos de Nuno Gonçalves e comentava que tinha aprendido muito na referida visita “mas muito pouco de história da ciência”… &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Em 1951-52, a Agência Geral do Ultramar publicou uma colectânea de trabalhos de Gago Coutinho em dois volumes, intitulada &lt;em&gt;A Nautica dos Descobrimentos; os descobrimentos maritimos vistos por um navegador: colectânea de artigos, conferencias e trabalhos inéditos&lt;/em&gt;, que foi igualmente comentada na ISIS em 1953, pelo almirante e historiador Samuel Eliot Morison (1887-1976). Enquanto relata sucintamente o conteúdo da obra, Samuel Morison ─ que viria a publicar uma biografia de Cristóvão Colombo em 1942 ─ faz o seguinte comentário:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Os portugueses nunca perdoaram a Colombo o ter ganho o “grande prémio” para Espanha, depois de ter aprendido a navegar com eles. Nunca li um artigo ou um livro de autores portugueses ou brasileiros que não seja marcado pelo desejo de provar que Colombo era um português encoberto e portanto um grande homem, ou, ao contrário, um charlatão ou, na melhor das hipóteses, um ignorante cheio de sorte. O almirante [Gago Coutinho] manifesta a sua falta de respeito por Colombo não apenas num capítulo mas ao longo de todo o livro.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Concluída a sua análise, Morison finaliza como a seguinte frase:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Numa palavra, o almirante Gago Coutinho é sempre provocativo, muitas vezes instrutivo e algumas vezes imoderado. O que realmente precisamos para a história desta ciência em particular é uma história douta, temperada e abrangente de todo o período das descobertas oceânicas.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Armando Cortesão escreveu &lt;em&gt;The nautical chart of 1424 and the early discovery and cartographical representation of America; a study of the history of early navigation and cartography&lt;/em&gt; em 1954, uma obra em fólio de grande qualidade gráfica que foi comentada na ISIS por Emile Janssens. Depois de resumir o conteúdo e as principais teses do historiador português ─ descrição da carta náutica onde surge pela primeira vez a palavra “&lt;em&gt;Antilia&lt;/em&gt;” para designar um conjunto de ilhas que serviram para a primeira representação cartográfica da América ─ Emile Janssens afirma o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não se pode dizer que a condução desta investigação tenha levado a provas convincentes das preposições apresentadas. Tem-se o impressão de que as hipóteses se transformam em certezas sem outro suporte que a prévia convicção do autor. Esta convicção parece estar nele enraizada há muito tempo, por toda a espécie de razões sem dúvida sentimentais tanto ─ ou apenas menos ─ quanto científicas.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;E conclui:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O que é certo é que nos encontramos perante uma edição muito bela de um documento interessante e perante uma preciosa colecção de estudos comparativos, realizados com método, de que os historiadores de cartografia poderão fazer um uso fecundo.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Na sua 2ª metade do século XX houve outros historiadores da ciência que escreveram sobre a ciência náutica portuguesa de quinhentos, como o almirante Avelino Teixeira da Mota (1920-1982) e o professor Luís de Albuquerque (1917-1992), entre outros. Todos esperamos que o aparecimento e o estudo de novos documentos históricos dessa época possa revelar a grande dinâmica científica nacional no início do século XVI, mas esperamos também que o conhecimento actual seja suficiente para estimular uma dinâmica semelhante no início deste século XXI.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-6564301576245661706?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/6564301576245661706/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=6564301576245661706&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/6564301576245661706'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/6564301576245661706'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2007/05/o-conhecimento-da-cincia-nutica.html' title='O conhecimento da ciência náutica quinhentista portuguesa na primeira metade do século XX'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/Rju4GIW1wPI/AAAAAAAAAIg/t03S2bU0sVs/s72-c/Fontoura+da+CostaR.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-2906367485861490108</id><published>2007-04-20T14:27:00.000Z</published><updated>2008-12-11T11:01:56.427Z</updated><title type='text'>A irresistível atracção pela ciência e o risco das pseudo-ciências</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RijQ4f1VXRI/AAAAAAAAAIY/WFkOQL0A5Qc/s1600-h/Bernardes+Fisica+Oficial+R.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5055520250759830802" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RijQ4f1VXRI/AAAAAAAAAIY/WFkOQL0A5Qc/s320/Bernardes+Fisica+Oficial+R.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Muitos são aqueles que sentem pela ciência uma atracção que muito rapidamente se transforma em paixão. Contrastando com as paixões amorosas ou artísticas, a paixão científica só poderá realizar-se se for iniciada na adolescência e prosseguida na juventude. Noutras palavras, um apaixonado pela ciência só poderá ter com ela um relacionamento feliz e produtivo se tiver usufruído de uma educação científica nas escolas secundárias e universitárias. Embora necessária, esta preparação não é sequer suficiente; estudos pós-graduados, incluindo o doutoramento, fazem actualmente parte da preparação de qualquer cientista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem passar por este tirocínio de muitos anos de estudo, não é possível que um apaixonado pela ciência venha a produzir trabalho científico de qualidade. Já lá vão os tempos em que nem sequer uma formação secundária era necessária. Um dos mais paradigmáticos e notáveis exemplos é Michael Faraday (1791-1867) que não teve uma educação científica formal e que, apesar disso, foi um dos maiores físicos experimentais do século XIX. Porém, a partir do século XX, a ciência tornou-se uma área tão especializada que os amadores, sem uma educação científica formal, muito raramente conseguem produzir um trabalho científico reconhecido, por mais modesto que seja. Ao convencerem-se do contrário, cometem um erro que é desastroso tanto para eles como para a ciência, acabando por se transformar em agentes da chamada ciência alternativa, ciência marginal ou mais correctamente da pseudo-ciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas livrarias e alfarrabistas, encontram-se inúmeros livros que são testemunho desta falsa ciência, produzida por homens, muitas vezes bem intencionados, com uma forte paixão pelo saber mas que possuem uma profunda ignorância dos temas que abordam. A maioria deles foi totalmente esquecida após a morte, mas os seus livros continuam a divulgar erros, perpetuando assim, de geração em geração, os seguidores da pseudo-ciência. Há um padrão comportamental que identifica todos estes homens: a rejeição das mais recentes teorias científicas, a defesa de velhas concepções abandonadas pela ciência ─ de que o éter é um exemplo ─ a formulação de teorias alternativas sem qualquer fundamento físico ou matemático e o desafio lançado aos cientistas para que contrariem publicamente as ideias, por vezes absurdas, que expõem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para exemplificar, citarei alguns exemplos de pseudo-cientistas portugueses que escreveram sobre física, e muito particularmente sobre o tema da luz, e que revelaram uma forte oposição à “física oficial” que os marginalizava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guerra Junqueiro (1850-1923) foi uma das vítimas da atracção pela ciência. Para além de poeta pretendeu ser filósofo e cientista. O seu tema preferido foi a radioactividade, sobre a qual escreveu artigos e deu conferências, tendo publicado, em 1910, um opúsculo intitulado &lt;em&gt;Theorie des Certaines Actions Radio-Biologiques&lt;/em&gt;. Como não tinha uma preparação científica sólida, o que acabou por produzir resume-se a afirmações vazias sem qualquer valor científico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Augusto Ribeiro Leal no fascículo nº 1 do seu livro de 1917 &lt;em&gt;O Infinito ─ segundo livro, explicando e ampliando o primeiro&lt;/em&gt; dedicado à atracção e gravitação, escreve para consideração dos leitores:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Publicando estas notas explicativas, faço votos para que os homens da Sciência as leiam e as meditem bem, e me digam a sua opinião, franca e sincera, ácerca dêste trabalho, que tantos cuidados e vigílias me tem custado; e prosseguirei na empreza, se ela não fôr taxada de temerária e inutil; e, esperançado em que haverá sempre quem aprecie a causa dos factos, darei publicidade ás minhas constantes lucubrações, a que já de há muito me entreguei. Uma nova doutrina precisa e ser estudada, e é nesse estudo que eu tenho empregado a maior parte do tempo.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Depois de declarar que não perderá tempo em comprovar “a existência de uma coisa universal e por demais conhecida” que é o éter, afirma:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Também me proponho explicar o que a sciência chama atracção, e ainda não explicou. Quem não ficar satisfeito vem para a imprensa com suas dúvidas e eu não deizxarei ninguém sem resposta.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Em 1920, A. A. de Moraes Carvalho ─ muito provavelmente Alberto António de Morais Carvalho (1853-1932) ─ exprimia as suas concepções sobre o mundo físico, a vida e a alma, na obra &lt;em&gt;Le Problème de l’Univers&lt;/em&gt;. É um grande defensor da existência do misterioso éter e divaga sobre a natureza da luz e do calor nestes termos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O éter ou aquilo que é o mesmo, o fluido etéreo, tem uma existência objectiva; não existe apenas na nossa imaginação, não é apenas uma imagem cómoda para a explicação dos fenómenos físicos, ele é uma realidade objectiva, ele é uma substância imaterial; e nós podemos constatar a sua existência, não somente pelos seus efeitos sobre a matéria bruta, mas ainda pelos seus efeitos sobre os nossos sentidos. O fluido etéreo é o próprio calor; condensado, ele torna-se a luz: são certamente duas constatações muito importantes que lançarão uma viva claridade sobre a interpretação de muitos outros fenómenos.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Em 1924 Lopes Veiga, abade de Boelhe (Penafiel), publicou um folheto sobre &lt;em&gt;Mecânica Celeste&lt;/em&gt;, em que defende também a existência do éter nestes termos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Alguns modernos dispensam êste elemento [o éter] e tudo explicam pelo electro-magnetismo; porém os que perfilham esta teoria desconhecem que a electricidade e o magnetismo são o próprio éter em acção.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Duas décadas mais tarde, Garcia Braga, que parece ter sido professor do ensino secundário em Vila do Conde, publicou uma &lt;em&gt;Teoria neo-clássica da propagação luminosa &lt;/em&gt;(1948) onde defende igualmente a teoria do velho éter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O coronel Bernardes de Miranda é autor de vários artigos divulgados na Revista de Artilharia (1928-29) e no Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa (1944). Publicou a sua “grande obra” &lt;em&gt;Nova Explicação do Universo: Teoria Fotónica&lt;/em&gt; em 1943, a qual seria comentada, expandida e aplicada numa dúzia de livros que escreveu sobre física até 1957. Propondo uma nova explicação para o mundo ─ baseada numa teoria fotónica de sua autoria ─ Bernardes de Miranda refuta como erróneo tudo o que diz respeito à física moderna do século XX, centrando-se em particular na Teoria da Relatividade e na Mecânica Quântica:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Já sabemos que um fotão é um agrupamento de protofotões formando uma hélice circular múltipla, como a constituída por ramais torcidos de uma corda.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Defensor da existência do “éter fotónico” constituído por fotões soltos de baixa frequência ─ “os gravitões” ─ e de alta frequência ─ nos quais se incluem “os magnetões”, os agentes do magnetismo ─ o “incompreendido” Bernardes de Miranda escreveu o seguinte em 1953:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A concepção einsteiniana do espaço físico é tida, pelos físicos relativistas, que são quase todos, como genial. […] Existem, porém, espíritos, como o do autor destas linhas, aos quais repugna absolutamente aquela concepção, como muitas outras que Einstein pretende instalar na Física. Elas são, para esses espíritos rebeldes, concepções de ordem metafísica, paradoxais, que brigam com a lógica e com o bom senso.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Mais contundente para com Einstein tinha sido, no entanto, o médico Henrique Cortez (1860-1936) que, para além de discordar da Teoria da Relatividade, duvidava da honestidade intelectual e cívica do grande físico. Em 1923 escreveu o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A fantástica propaganda das teorias de Einstein que a Alemanha tem feito, após a guerra nos países aliados, obedece a um plano de revanche, secretamente elaborado nos cenáculos de Berlim. Eis o que penso; e, se não erro, Einstein figura nesta pochade como Pilatos no credo. Sendo assim, esta propaganda não é scientífica, mas tão sòmente política. Sendo assim, Einstein não é um autor, mas tão sòmente um actor.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Henrique Cortez não se limita a rejeitar a Teoria da Relatividade; ele contesta, efectivamente, quase todos os fundamentos das ciências naturais do seu tempo, incluindo a Física, a Astronomia, a Geologia e a Cosmogonia. No livro póstumo de 1938, &lt;em&gt;Trabalhos Originais sôbre Astronomia Física e Cosmogonia&lt;/em&gt;, publicado pela “inditosa viuva” como préstimo “de sentida homenagem à sua memória”, Henrique Cortez “prova”, com uma simples experiência de um papel fortemente iluminado, que a pressão da radiação luminosa não existe, e depois acrescenta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Provado pois que a tensão da radiação da luz foi uma gaffe dos físicos, cumpre-nos perguntar: em que situação ficam os astrónomos que nela basearam o alongamento das caudas cometárias? Que nos respondam uns e outros.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O Prof. Artur d’Albuquerque foi outro personagem, com manifesta falta de preparação científica, que julgou perceber a estrutura mais profunda da Física e se convenceu poder dela extrair os fundamentos práticos para a realização de extraordinárias invenções que nunca chegou a testar por falta de meios financeiros… Contam-se entre estas invenções uma &lt;em&gt;Bomba Radiognética&lt;/em&gt; (Bomba Atómica), uma ideia concebida e desenvolvida entre 1936 e 1940. As suas concepções teóricas eram igualmente muito ambiciosas; sobre o fotão escreveu o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Pois em que consiste o fótão, senão num centro de fôrça radiante fìsicamente constituída por vários elementos corpusculares activos, e ao mesmo tempo conduzidos pelos seus respectivos movimentos vibrativos?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Em 1945, ou pouco antes, o Prof. Artur d’Albuquerque publicou a &lt;em&gt;Órbita Universal Tratado de Filosofia Complementar&lt;/em&gt; (2ª edição). Segundo ele próprio escreve, trata-se de um tratado de filosofia físico-química e um tratado de investigação científica. Para além de questões de natureza física e química, trata de outros assuntos como a vida, a alma, a transmissão mental (espiritismo), a religião e a filosofia. No seu livro &lt;em&gt;Captação da Electricidade no Espaço, 1944-1947&lt;/em&gt;, o «Prof.» defende a tese segundo a qual a electricidade é:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O supremo fluido energético, que, em quantidade e qualidade se destina a alimentar a vida continua e constante do Universo, dado como fôrça de razão comum supremamente organizada”.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Com base nestas ideias apresentou um plano de uma máquina para a extracção directa da electricidade atmosférica mas que, dada a sua grandeza, se mostrou inexequível…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O recentemente falecido major Manuel da Silva Marques ─ autor de &lt;em&gt;O Universo e a Fotónica&lt;/em&gt; e personagem muito popular nas reuniões da Sociedade Portuguesa de Física ─ era um discípulo de Bernardes de Miranda e é um caso exemplar de contaminação pelas ideias pseudo-cientistas. É de referir que, apesar dos seus protestos junto de reitores e ministros, o major nunca conseguiu apresentar formalmente as suas ideias nas reuniões da Sociedade Portuguesa de Física. Na introdução do seu segundo livro &lt;em&gt;Luz: O que é? Como se movimenta?&lt;/em&gt; escreveu, na dedicatória, o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Dedico esta obra ao genial cientista português António José Bernardes de Miranda, autor da TEORIA FOTÓNICA, o mais importante livro da ciência das ciências, que permitiu que eu descobrisse as mais importantes leis que regem o Universo e em especial a LEI DA IMPULSÃO UNIVERSAL OU TEORIA DO CAMPO UNITÁRIO.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Neste mesmo livro, afirma ainda:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A teoria da Relatividade de Einstein é uma mera e pesada fantasia matemática, que apenas se pode relacionar com a Física, pelo facto de não conter nada de Física.[…]&lt;br /&gt;Eu sei que a velocidade da luz não é sempre constante e que varia segundo a natureza do astro, da sua atmosfera e de outros valores. […] Depois de raciocinar sobre o assunto (do tempo de cada translação da Terra em volta do Sol) e de fazer os meus cálculos obedecendo a uma das leis por mim descoberta, concluí que a velocidade da luz podia ser obtida pelo produto do TEMPO de cada translação da Terra, vezes a VELOCIDADE DA ACÇÃO IMPULSIONANTE DA GRAVIDADE.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Feitas as contas com o tempo sideral, o autor concluía que a velocidade da luz era em Londres 309585,449 km/s e no Porto 309269,868 km/s!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o entusiasmo destes amantes da ciência tivesse sido canalizado para um estudo sério da verdadeira ciência talvez o nosso panorama científico fosse mais rico. As escolas e a sociedade têm, por isso, uma grande responsabilidade na protecção das vocações científicas da adolescência e na criação de condições para que essas vocações possam crescer e frutificar. Se assim for, haverá em Portugal mais amantes do saber, capazes de cultivar a verdadeira ciência, e acabarão os pseudo-cientistas que gastam o seu tempo e esforço inutilmente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-2906367485861490108?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/2906367485861490108/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=2906367485861490108&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/2906367485861490108'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/2906367485861490108'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2007/04/irresistvel-atraco-pela-cincia-e-o.html' title='A irresistível atracção pela ciência e o risco das pseudo-ciências'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RijQ4f1VXRI/AAAAAAAAAIY/WFkOQL0A5Qc/s72-c/Bernardes+Fisica+Oficial+R.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-1649866731879392502</id><published>2007-04-15T00:33:00.000Z</published><updated>2008-12-11T11:01:56.736Z</updated><title type='text'>Abel Salazar e a imagem da ciência</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RiF0uP567UI/AAAAAAAAAIQ/AFuiRQ5MrNo/s1600-h/abel[1M.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5053448594778680642" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RiF0uP567UI/AAAAAAAAAIQ/AFuiRQ5MrNo/s320/abel%5B1M.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;A popularidade da ciência tem oscilado ao longo da História devido a factores alheios à sua natureza. De acordo com Abel Salazar (1889-1946), fisiologista, artista e filósofo, possuidor de uma inteligência arguta e de um espírito crítico indomável, o público vê na ciência o “maravilhoso”, que sempre o fascinou: a magia, o esoterismo, o mistério, o sobre-humano, o poder; numa atitude libertadora o público elegeu a ciência como um deus, mais dócil e humano do que o deus da religião, opressor, implacável e inatingível, mas igualmente dogmático.&lt;br /&gt;Na opinião deste fisiologista portuense, uma tal concepção metafísica de ciência ─ totalmente contrária aos seus verdadeiros princípios ─ saiu das “mãos de pensadores de várias categorias, de escritores e vulgarizadores, de universitários e catedráticos”. Com esta acção impulsionadora “a chamada ciência, invertida no seu critério foi insensivelmente transformada em uma nova dogmática”. Esta imagem da ciência iniciou-se no século XVIII, desenvolveu-se no século XIX e perdurou durante as primeiras décadas do século XX. Nas últimas décadas deste período, a ciência foi além disso motivo de disputas ideológicas e políticas que Abel Salazar bem soube exprimir nestas incisivas palavras:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Políticos e sociólogos, literatos e teólogos, repuxam-na em todos os sentidos, cortejam-na, agridem-na, insultam-na ou desprezam-na. Fazem dela escrava dócil e cortesã desprezível; atraem-na para as Direitas e para as Esquerdas, rotulam-na de Proletária ou de Burguesa. Indicam-lhe caminhos sociais a seguir, e fins políticos a desempenhar; põem-na ao serviço de Deus, fulminam-na em nome de Deus.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Desaparecida a aura “misteriosa” que envolvia a Ciência, o público começou de novo a interessar-se pelos temas sobrenaturais, misturando este interesse com o divertimento acéfalo tão característico dos nossos dias.&lt;br /&gt;Sem a atenção generalizada das classes populares, a ciência deixou de ser motivo de disputa ideológica, continuando a merecer apenas a atenção daqueles que realmente a estimavam e que se preocupam com o progresso do conhecimento humano (os cientistas) e dos outros que sempre a tentaram explorar (investidores, militares, gestores e mercadores). Actualmente a situação tornou-se tão opressiva que os primeiros só são tolerados quando servem os interesses dos segundos. Os governos não estimulam a prática desinteressada da ciência ─ um poderoso tónico do intelecto e da virtude ─ e preocupam-se sobretudo com a criação de utensílios que sejam competitivos e que representem elevado valor acrescentado no mercado global.&lt;br /&gt;Ao longo dos tempos, a natureza intrínseca da ciência não mudou, mas os trajes que lhe vestiram afectaram-lhe a imagem. O manto e a cartola de mágico perturbaram-lhe a seriedade e o rigor. A farda militar afectou-lhe a moralidade e, após as bombas de Hiroshima e Nagasaki, levantou-se contra ela a ira popular. Nos nossos dias, o fato de executivo começa a desfigurar-lhe a face ingénua, bela e popular. O amor pela dama engravatada é mais interesseiro e menos apaixonado. Se não se realçar a beleza natural, genuína e despretensiosa da ciência, com as vestes diáfanas e transparentes da cultura, dificilmente ela conseguirá realizar o papel civilizador e universalista que lhe foi determinado pelos seus fundadores.&lt;br /&gt;Abel Salazar criticou a ciência vestida com o manto e a cartola de mágico, mas certamente que não teria gostado ao vê-la engravatada nas feiras industriais dos países do 1º Mundo. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-1649866731879392502?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/1649866731879392502/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=1649866731879392502&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/1649866731879392502'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/1649866731879392502'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2007/04/abel-salazar-e-imagem-da-cincia.html' title='Abel Salazar e a imagem da ciência'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RiF0uP567UI/AAAAAAAAAIQ/AFuiRQ5MrNo/s72-c/abel%5B1M.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-9201127951461534504</id><published>2007-04-02T13:10:00.000Z</published><updated>2008-12-11T11:01:56.870Z</updated><title type='text'>Os milagres, a ciência e Pedro Amorim Viana</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RhEEXcbQBFI/AAAAAAAAAIA/Pgby5KsevB8/s1600-h/Pedro+Amorim+Viana+B&amp;WR.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5048821458073027666" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RhEEXcbQBFI/AAAAAAAAAIA/Pgby5KsevB8/s320/Pedro+Amorim+Viana+B%26WR.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;Em todas as religiões, os milagres têm constituído o maná de que se alimentam muitos crentes para manter viva a sua fé. Não estranha pois que as hierarquias religiosas tenham criado alguns milagres ou sancionado aqueles que o povo crente foi forjando, por mais absurdos que pudessem parecer.&lt;br /&gt;A partir do século XVIII, o âmbito e a natureza dos milagres foi-se estreitando, pois a ciência moderna foi eliminando muitos dos milagres ao encontrar para eles uma explicação racional. Os que envolvem fenómenos da Natureza, como o “Sol bailante” de Fátima, tornaram-se mais raros, mas as curas milagrosas continuam a ocorrer com grande frequência e continuam a ser divulgadas com destaque na comunicação social. É o caso da mulher paralítica que começou a andar depois de ter evocado Jacinta e Francisco Marto ─ milagre que valeu aos pastorinhos de Fátima a beatificação; é a cura inexplicável de uma freira francesa que sofria de Parkinson, ocorrida exactamente dois meses após a morte João Paulo II ─ o que constitui uma séria prova da santidade deste papa; e são ainda mais 12 possíveis milagres, realizados pela intervenção do mesmo papa, que estão a ser investigados e que poderão ser a justificação para a sua meteórica canonização.&lt;br /&gt;Muitos abusos foram provavelmente cometidos por todas as hierarquias religiosas com o objectivo de robustecer a fé dos seus crentes, mas actualmente a Igreja católica, com alguma prudência, só reconhece um milagre quando a ciência se diz incapaz de o explicar. Perante a incapacidade científica para encontrar uma justificação para um acontecimento devidamente enquadrado na esfera religiosa, a Igreja declara-o como milagre… Como a inexistência de uma explicação racional não valida necessariamente o milagre, é bom clarificar que a decisão da Igreja continua a basear-se em razões estranhas à ciência.&lt;br /&gt;Um milagre é definido como um acontecimento que foge às leis que regulam o funcionamento da Natureza. Só uma entidade superior a ela─ o próprio Deus, segundo os crentes ─ poderá alterar essas leis. Assim sendo, um Santo ao fazer um milagre limita-se e intervir como intermediário entre o suplicante e Altíssimo. De acordo com o cardeal Saraiva Martins, prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, um milagre “é uma espécie de selo que Deus põe e com o qual garante a santidade de determinada pessoa; mas é sempre Deus quem faz o milagre”.&lt;br /&gt;Com os movimentos racionalistas do século XVIII, a verdade dos milagres, mesmo que oficialmente reconhecidos pela Igreja, foi seriamente contestada e muitos se manifestaram contra a possibilidade da sua existência. Porém, acreditar em milagres é, ainda nos nossos dias, um sinal de fé e, para muitos crentes, quem neles não acredita é infiel, agnóstico ou ateu. Porém, existiram sempre alguns crentes em Deus, e na religião católica em particular, que mostraram profundas reservas sobre a possibilidade, tanto física como teológica, da ocorrência de milagres.&lt;br /&gt;Para os que acreditam num Deus criador e interventor, o milagre é tão possível como qualquer outro acontecimento; para os ateus ou agnósticos, o milagre é um acontecimento totalmente improvável, pois acreditam que a natureza se rege por leis rígidas e bem estabelecidas e não poderá modificá-las a seu bel-prazer ou perante a pressão ou o desejo de alguém por mais poderoso que seja. Para estes, um acontecimento que não tenha uma explicação racional é apenas a manifestação do limitado conhecimento que temos da Natureza. Embora seja uma posição maioritária entre homens sem fé, esta opinião tem sido igualmente defendida por homens religiosos. Entre estes últimos conta-se um homem notável que se chamou Pedro Amorim Viana (1822-1901) que, a respeito da sua fé, declarava o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Crêmos que de todas as religiões santas e veneraveis mais ou menos inspiradas por Deus, é a religião christã a mais augusta e pura: ─ cremos que de todas as seitas christãs, é a catholica a que nos offerece mais garantias de duração. Temos fé nas promessas de Christo; Deus não póde frustrar as esperanças ás quaes o seu filho predilecto votou a mais preciosa vida que tem apparecido sobre a terra.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Amorim Viana nasceu em Lisboa e morreu em Setúbal. Formou-se como bacharel em Matemática na Universidade de Coimbra, foi nomeado em 1851 lente substituto de Matemática na Academia Politécnica do Porto e promovido a proprietário da 2ª cadeira em 1858. Por causa da sua grande inteligência e pouca sociabilidade, teve na Academia uma vida conturbada, com incidentes envolvendo a hierarquia académica, os colegas e os próprios alunos. Escreveu alguns artigos científicos da sua especialidade, fundou no Porto a revista “A Peninsula” em 1852 e colaborou em vários jornais. Publicou em 1866 uma obra anónima e polémica &lt;em&gt;A Defesa do Racionalismo ou Análise da Fé&lt;/em&gt;, que lhe deu um estatuto de grande proeminência na filosofia portuguesa de oitocentos. Da 3ª edição ─ na qual consta já o nome do autor ─ retirámos algumas interessantes passagens sobre a questão dos milagres:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A&lt;em&gt; sabedoria e a coherencia da intelligencia suprema revelar-se-hão portanto na inalterabilidade das leis naturaes, que nunca poderão ser violadas. Ora o milagre é sempre uma violação d’essas leis. […] De ser o milagre transgressão das leis naturaes que se não podem transgredir, fica rigorosamente demonstrada a impossibilidade dos milagres.[…]&lt;br /&gt;O milagre existe como existe o mal, como existe o erro, a ignorância e a superstição; não é obra de Deus, é producto espontâneo da imaginação humana.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Amorim Viana deixou na sua obra muitos argumentos para fundamentar os seus pontos de vista de católico progressista. Passaram cerca de 150 anos após a publicação das opiniões “racionalistas” deste matemático filósofo, e a Igreja católica continua a propalar a superstição dos milagres tentando justificá-los agora com a ignorância da ciência.&lt;br /&gt;Pedro Amorim Viana sentir-se-ia certamente muito desapontado se pudesse observar, do local onde sempre acreditou poder viver eternamente, a superstição dos milagres ... É que Deus não precisa de milagres para manifestar o seu poder. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Senhores cardeais, tenham mais respeito pela justiça e pelo poder divinos. Valorizem pelos seus méritos a vida heróica e exemplar dos católicos que aspiram à santidade. Avaliem-nos pelas suas virtudes cristãs, pela vida exemplar que tiveram e pelas obras altruístas que praticaram, mas não lhes exijam que façam milagres...&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-9201127951461534504?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/9201127951461534504/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=9201127951461534504&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/9201127951461534504'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/9201127951461534504'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2007/04/os-milagres-cincia-e-pedro-amorim-viana.html' title='Os milagres, a ciência e Pedro Amorim Viana'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RhEEXcbQBFI/AAAAAAAAAIA/Pgby5KsevB8/s72-c/Pedro+Amorim+Viana+B%26WR.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-8001004594410589255</id><published>2007-03-31T17:22:00.000Z</published><updated>2008-12-11T11:01:57.057Z</updated><title type='text'>A Historia da Ciência e da Técnica</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/Rg6dSsbQBCI/AAAAAAAAAHo/b8H4qNbl9QM/s1600-h/TVFischer+300dpi.BMP"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5048145176817566754" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/Rg6dSsbQBCI/AAAAAAAAAHo/b8H4qNbl9QM/s320/TVFischer+300dpi.BMP" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Os temas abordados pela História da Ciência e da Técnica devem fazer parte integrante da nossa cultura porque nos permitem compreender e apreciar o valor das tecnologias modernas, de que diariamente nos servimos, e antecipar de alguma forma o seu desenvolvimento futuro. As novidades tecnológicas ─ desde as máquinas de Arquimedes, Ctesíbio ou de Herão, passando pelos engenhos de Leonardo da Vinci, até aos mais actuais produtos tecnológicos ─ têm sempre estimulado a curiosidade humana e criado uma grande expectativa de progresso social. A acumulação aditiva de conhecimento, sustentáculo do progresso científico e tecnológico, faz com que as invenções do passado sejam um suporte basilar das invenções presentes e futuras.&lt;br /&gt;A História da Ciência e da Técnica mostra-nos que as velhas invenções ocuparam, no seu tempo, o topo da pirâmide do progresso tecnológico e despertaram o interesse dos nossos antepassados com a mesma intensidade que em nós despertam as mais recentes inovações. Ela revela-nos ainda a evolução extremamente rápida que tem caracterizado as tecnologias baseadas na Ciência, quando comparadas com as velhas tecnologias de experiência feitas...&lt;br /&gt;É surpreendente verificarmos que a lâmpada eléctrica, a T.S.F (rádio), o cinema, a televisão, o micro-ondas, o computador, o telemóvel, a Internet, o iPod e tudo o mais que está para chegar resultou do esforço inventivo de apenas seis gerações. Não é menos surpreendente constatarmos que qualquer actividade, por mais banal e simples que seja, necessita da utilização de técnicas e ferramentas que não existiam há 150 anos. Sem a cultura que nos é dada pela História da Ciência e da Técnica, temos a tendência para desvalorizar e desprezar as velhas invenções, não lhes dando a mínima atenção tanto factual como histórica.&lt;br /&gt;Para revivermos as emoções despertadas pelas invenções nos nossos antepassados do fim do século XIX nada mais adequado do que lermos a descrição de um famoso banquete “tecnológico” que teve lugar em 1891 no “Franklin Experimental Club” de Newark ─ um clube fundado em 1890 pelo engenheiro electrotécnico William J. Hammer (1858-1934) para ensinar electricidade aos jovens. Este “curioso jantar” foi organizado para comemorar o primeiro aniversário do clube e foi descrito em várias revistas e jornais da época. Eis a que foi publicada em La Science en Famille três anos mais tarde com o sugestivo título “um jantar… com a electricidade”:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;A sala do banquete estava iluminada com luz eléctrica, um caminho de ferro miniaturado fazia o serviço de pratos que tinham sido cozinhados com a electricidade. Um autómato representando Benjamin Franklin apresentou fonograficamente votos de boas vindas aos convidados. Durante o jantar, fonógrafos repetiram discursos e trechos de música gravados em Paris, na Exposição Universal de 1889. A electricidade tinha aberto as ostras, cozido os ovos, aquecido o “punch”; no fim do jantar, uma chuva de flores cobriu a mesa. Estas flores, montadas em hastes de ferro, estavam suspensas do tecto por electroímanes; caíram quando o circuito eléctrico foi interrompido. Os convidados abandonaram a mesa ao som de uma marcha tocada ao piano e transmitida telefonicamente.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;A História da Ciência e da Técnica ajuda-nos a perceber o impacto que este banquete teve nos nossos tetravós, a sua percepção de que estava a aproximar-se uma nova era de progresso tecnológico, e a provável previsão que teriam feito sobre os autómatos que abrilhantariam um “jantar tecnológico” organizado pelos seus tetranetos … &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-8001004594410589255?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/8001004594410589255/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=8001004594410589255&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/8001004594410589255'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/8001004594410589255'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2007/03/historia-da-cincia-e-da-tcnica.html' title='A Historia da Ciência e da Técnica'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/Rg6dSsbQBCI/AAAAAAAAAHo/b8H4qNbl9QM/s72-c/TVFischer+300dpi.BMP' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-2324898377100307843</id><published>2007-03-20T00:47:00.000Z</published><updated>2008-12-11T11:01:57.348Z</updated><title type='text'>O valor da ciência pura e aplicada</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/Rf8x5YGMd0I/AAAAAAAAAHc/7RiwZAsSk7s/s1600-h/WattNewcomen.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5043804969468983106" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/Rf8x5YGMd0I/AAAAAAAAAHc/7RiwZAsSk7s/s320/WattNewcomen.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A discussão epistemológica sobre o valor relativo da ciência pura, ou fundamental, e aplicada, ou utilitária, surgiu logo após o aparecimento da ciência moderna, porque, até aí, ciência era especulação pura e tecnologia pertencia às artes manuais. A ciência era feita por filósofos; as tecnologias eram desenvolvidas por habilidosos que usavam e aperfeiçoavam o conhecimento empírico e prático, acumulado ao longo de gerações. Estas duas actividades nada tinham de comum entre si e as comparações não faziam sentido.&lt;br /&gt;Durante os últimos três séculos, a importância relativa da ciência fundamental e a ciência aplicada assumiu diferentes matizes, tendo mesmo surgido opiniões extremadas. Lentamente, porém, foi-se estabelecendo uma opinião consensual sobre a necessidade de um equilíbrio entre estes dois aspectos da ciência que eram, afinal, as duas faces de uma mesma moeda. Foi nos países cientificamente mais evoluídos que essa opinião se estabeleceu mais cedo. Em Portugal não é claro que se tenha estabelecido um consenso suficientemente alargado sobre esta matéria, o que, de alguma forma, mostra o atraso em que nos encontramos em termos de desenvolvimento tanto científico como tecnológico.&lt;br /&gt;As primeiras discussões, envolvendo os intelectuais portugueses, sobre o valor relativa da ciência pura e aplicada (não confundir com ciência teórica e experimental) surgiram sobretudo depois da criação das universidades de Porto e Lisboa em 1911, visto que os professores universitários começaram a ter a obrigação estatutária de fazer investigação científica. Mas foi principalmente depois do estabelecimento da Junta da Educação Nacional ─ criada em 1929 para dar apoio financeiro à investigação científica ─ que essa discussão se intensificou.&lt;br /&gt;Na oração de sapientia “proferida ante o Claustro Pleno da Universidade de Lisboa a 8 de Dezembro de 1925” ─ altura da comemoração do primeiro centenário da Régia Escola de Cirurgia de Lisboa ─ José Matos Sobral Cid, professor de psiquiatria, afirmava o seguinte: &lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Entre nós, governantes e governados, ainda não mediram o valor social e o alcance pratico da investigação, tanto no domínio das sciencias puras como no das applicadas, nem comprehenderam o papel decisivo que as Universidades modernas e as Altas escolas Technicas podem desempenhar na regeneração moral e económica do paiz. […] Há, ainda entre nós, quem pense que a cultura da sciencia pura é uma funcção de luxo, e os encargos que ella acarreta, despezas sumptuárias, que só um paiz desindividado e prospero se póde permitir.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Segundo esta opinião, o cultivo da ciência pura era para os portugueses uma extravagância sumptuária, sem utilidade aparente, mas nem por isso era dado valor suficiente à ciência aplicada. Porém, tal como Sobral Cid, muitos cientistas portugueses já pensavam que a coexistência da ciência pura e aplicada trazia benefícios mútuos que deveriam ser explorados.&lt;br /&gt;Em 1944, Corino de Andrade, a propósito da importância da investigação científica para a melhoria da saúde dos povos, escreveu o seguinte:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A América, a Inglaterra, a Alemanha, a Rússia e outros países, há já muito anos que organizaram todas as modalidades de pesquisa científica, criando institutos de investigação pura e centros de investigação junto das indústrias, dos hospitais, dos serviços de saúde, etc.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;No ano seguinte, Armando de Castro, licenciado em Direito e em Ciências Político-Económicas, defendia a criação de um Instituto Central de Investigação Económica “trabalhando, por um lado, em estreita ligação com todos os produtores e organismos estatísticos, como o Instituto Nacional de Estatística, e com as Universidades, laboratórios, escolas técnicas e Institutos de Investigação Cientifica, por outro”. Cruz Malpique, professor liceal num liceu portuense, fazia parte de um grupo de intelectuais que defendia ser a ciência uma componente cultural de grande relevância e como tal deveria ter um carácter totalmente desinteressado, tendo escrito em 1951 o seguinte:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A investigação há-de ser essencialmente desinteressada. [….] O prazer de descobrir a Verdade ou de criar a Beleza devem sábio e artista considerá-lo como remuneração do seu trabalho.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Neste texto o autor realçava a importância da ciência pura, em particular, dado que o objectivo da ciência aplicada é fundamentalmente de interesse económico.&lt;br /&gt;O Jornal de Letras e Artes publicou em 27 de Junho de 1962 um artigo intitulado A Investigação científica: Problemas da Ciência em Portugal, que contém as ideias de quatro investigadores, que na época eram investigadores, jovens e promissores: Carlos Almaça, zoólogo, Fernando Bragança Gil, físico, Ricardo Quadrado, mineralogista, e Rui Carvalho Pinto, bioquímico. A temática abordada versava várias questões como a distinção entre investigação fundamental e aplicada, as condições gerais necessárias à investigação científica e a função da universidade.&lt;br /&gt;Carlos Almaça afirmava que “sobretudo em países economicamente pouco desenvolvidos, é indispensável a actividade em investigação fundamental, pois dela depende a rapidez e eficiência das aplicações”. Fernando Gil entendia que entre nós se valorizava mais a importância da investigação aplicada “relegando a investigação fundamental para um segundo plano, quando não se chega mesmo a afirmar que ela não é mais do que um ornamento, um luxo, incompatível com o orçamento de um país de modestos recursos”. Ricardo Quadrado entendia não haver “interesse em continuar a especular sobre o papel que cabe à investigação aplicada ou à chamada investigação fundamental ou pura”, visto que “estes dois aspectos da investigação são interdependentes”, podendo-se “quanto muito distinguir entre investigação científica de aplicação a curto prazo e de investigação científica de aplicação a longo prazo”. De acordo com Rui Carvalho Pinto, “a investigação fundamental no nosso país está a trabalhar em condições bastantes mais pobres do que a investigação aplicada, que, por vezes, tem possibilidades materiais razoáveis”, donde poderá concluir-se que em sua opinião haveria por parte das instituições financiadoras uma preferência pela investigação aplicada.&lt;br /&gt;Dando mais valor à ciência pura ou aplicada, todos aqueles que se interessavam pela ciência reconheciam que deveria haver maiores investimentos nacionais na investigação científica. O já citado Cruz Malpique, defensor da ciência desinteressada, defendia em 1969 um investimento forte na ciência nacional e para o justificar apresentava argumentos sólidos, que são, em 2007, particularmente pertinentes:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Em ciência todas as despesas não são demais. Os gastos que se fazem com a investigação científica ─ ainda que sejam astronómicos ─ são os únicos que não empobrecem um país. Pelo contrário: são da força de o enriquecerem. Precisamente quando um país se encontra em ruína, é que não se deve ser unhas de fome nos orçamentos relativos à ciência. Para quê? Para sair da ruína em que se atolou.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Os responsáveis políticos, porém, fizeram sempre orelhas moucas a estas vozes sensatas e os orçamentos destinados à ciência continuaram baixos tanto em períodos de alta como de baixa do crescimento económico.&lt;br /&gt;Com as constantes crises financeiras que se seguiram ao 25 de Abril, a utilidade do financiamento à investigação científica continuou a discutir-se entre nós. Surgiram vozes defendendo que havia outras prioridades para gastar os impostos dos contribuintes, como, por exemplo, o combate ao desemprego, à criminalidade ou à pobreza. Outras, mais moderadas, entendiam que, perante a escassez de recursos, a investigação científica deveria limitar-se à investigação aplicada com perspectivas de dividendos financeiros imediatos. Os investigadores menos jovens lembram-se do movimento revolucionário que os empurrava para a resolução dos problemas técnicos da nossa indústria… Neste período histórico “revolucionário”, a investigação pura era peçonha do capitalismo burguês…&lt;br /&gt;Nos nossos dias, não existem aparentemente preconceitos das entidades financiadores relativamente à investigação pura ou aplicada, mas continuam a existir reduzidos financiamentos para a investigação científica. Os discursos dos ministros em prol do desenvolvimento científico e tecnológico não têm passado de promessas vãs para manipular a opinião pública… e os ministros e todos aqueles que fazem investigação científica em Portugal bem o sabem…&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-2324898377100307843?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/2324898377100307843/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=2324898377100307843&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/2324898377100307843'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/2324898377100307843'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2007/03/o-valor-da-cincia-pura-e-aplicada.html' title='O valor da ciência pura e aplicada'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/Rf8x5YGMd0I/AAAAAAAAAHc/7RiwZAsSk7s/s72-c/WattNewcomen.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-2539770802827278645</id><published>2007-03-03T00:45:00.000Z</published><updated>2008-12-11T11:01:57.503Z</updated><title type='text'>O cinquentenário da televisão portuguesa</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RejF5HdSGoI/AAAAAAAAAHI/lQizzYVDR3k/s1600-h/Dumont+TV+300dpi.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5037493768258984578" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RejF5HdSGoI/AAAAAAAAAHI/lQizzYVDR3k/s320/Dumont+TV+300dpi.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; A televisão é um dos grandes avanços tecnológicos do século XX. Devido à expansão que teve em todo o mundo é, certamente, a invenção com maior impacto em termos culturais desse mesmo século.&lt;br /&gt;Portugal não esteve na linha da frente deste relevante desenvolvimento tecnológico, embora se deva referir a contribuição pioneira de Adriano de Paiva (1847–1907) ─ um professor de Física da Academia Politécnica do Porto ─ para o estabelecimento dos seus primeiros fundamentos em 1878. Nem Adriano de Paiva prosseguiu os seus estudos de telescopia eléctrica ─ por desinteresse ou falta de apoio financeiro ─ nem o público português pôde usufruir da nova invenção antes 1957!... Noutros países como, por exemplo, a Inglaterra, os Estados Unidos, a Itália e a França, houve muito trabalho de investigação e desenvolvimento; as emissões televisivas, mais ou menos regulares, tiveram início nas décadas de 1920 (televisão opto-mecânica baseada no disco de Nipkow) e 1930 (televisão opto-electrónica baseada no iconoscópio), e expandiram-se particularmente depois da 2ª Grande Guerra. Apesar das limitações tecnológicas que condicionavam a qualidade das imagens, o interesse popular por esta nova forma de comunicação cresceu exponencialmente.&lt;br /&gt;As imagens televisivas começaram por ser a preto e branco, tal como a fotografia, mas cedo se encontraram soluções para as imagens coloridas. A primeira patente da televisão a cores é da autoria Otto von Bronk e surgiu em 1902. Uma nova patente foi registada por Vladimir Zworykin, o inventor do iconoscópio, em 1925. Depois da primeira demonstração da televisão a cores ─ utilizando um disco de Nipkow modificado ─ realizada por Baird em 1928, surgiram as primeiras transmissões televisivas a cores, realizadas em 1929 pela Bell Telephone Laboratories entre Washington e Nova Iorque utilizando uma tecnologia baseada no processo aditivo RGB.&lt;br /&gt;As novidades sobre a televisão iam chegando a Portugal, mas nada foi feito para acompanharmos os países mais desenvolvidos neste importantíssimo projecto tecnológico. Nos anos 1920 teria havido um grupo de estudantes de engenharia que decidiram construir um disco de Nipkow e montar um sistema de emissão e recepção televisivas, mas a dificuldade em conseguir o sincronismo entre o emissor e o receptor comprometeu todo o projecto. Ao longo de décadas, os enormes desafios tecnológicos da televisão desencorajaram os poucos técnicos amadores portugueses que se interessaram pelo tema. Os nossos engenheiros profissionais manifestavam, por sua vez, algumas preocupações pelo atraso em que se achava o país relativamente às novas tecnologias televisivas, discutindo-as inclusivamente nos seus congressos. Paulo de Brito Aranha exprimia-se assim no 2º Congresso Nacional de Engenharia realizado em Março 1948:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Confrontando o panorama actual das telecomunicações com os aspectos da posição portuguesa, pode sem dificuldade concluir-se que o País, duma maneira geral, está dignamente actualizado na prática das recentes descobertas da técnica. Existe, todavia, um ramo muito importante ainda não estudado nem ensaiado, a televisão, cujo difícil exercício funde as artes e as técnicas da radiodifusão e do cinema sonoro.&lt;br /&gt;Um voto deve ser formulado para que o Governo não descure de futuro o capítulo da televisão, a que em breve estará universalmente reservado papel social de primeiro plano, e, com esse objectivo, nomeie desde já uma comissão de técnicos especializados encarregada de o aprofundar, tanto sob o aspecto científico como sob os aspectos experimental e económico, afim de se poderem adoptar com a possível urgência as soluções mais convenientes para o País.&lt;br /&gt;É paralelamente de aconselhar que as Escolas Superiores de Engenharia ─ O Instituto Superior Técnico, a Faculdade de Engenharia do Porto e a Escola do Exército ─ desenvolvam quanto possível o estudo das correntes fracas, de modo a assegurar a complexa preparação hoje necessária para as múltiplas sub-especializações que as telecomunicações e os domínios afins imperiosamente exigem.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar destas advertências, só em 1953 é que a Emissora Nacional de Radiodifusão iniciou estudos com vista ao estabelecimento de uma rede metropolitana de televisão.&lt;br /&gt;Depois de se referir às notícias que circulavam sobre o futuro da televisão portuguesa e de ter anunciado “novas câmaras de televisão mais económicas e perfeitas”, um redactor da revista de divulgação científica, o Átomo, comentava nesse mesmo ano: “tais notícias permitem-nos a esperança de que num futuro próximo possamos ter a TV em Portugal”. As insistentes notícias sobre a televisão teriam levantado algumas questões na opinião pública, que o Grémio Concelhio dos Comerciantes de Artigos de T.S.F e Musicais de Lisboa se apressou a esclarecer com a publicação de um folheto intitulado “O que é e o que não é a televisão”(1953). Com uma tiragem de 20 mil exemplares este folheto tentava demonstrar as limitações da televisão relativamente à T.S.F. (a telefonia sem fios ou rádio). Nele se pode ler que “durante muito tempo a TV será no nosso País, apenas uma curiosidade científica, de que o público gostará de tomar conhecimento, mas que só raros acharão bastante interessante para justificar a aquisição dum receptor, mesmo quando se não faça objecção ao seu preço”. Revelavam os autores do folheto que esse preço não seria inferior a 10.000$00 e sublinhavam que era dez vezes superior ao preço de um rádio-receptor. A indesejada concorrência da televisão parecia estar a condicionar as opiniões críticas do Grémio lisboeta !…&lt;br /&gt;A portaria nº 15609 de 19 de Setembro de 1955 fixou as normas de serviço público da televisão a preto e branco, tendo sido estabelecido que um canal deveria ter uma largura de banda de 7 MHz, que o número de linhas por imagem deveria ser 625, que o entrelaçamento deveria ser 2:1 e a frequência das imagens de 25 imagens/s.&lt;br /&gt;A primeira emissão televisiva, em Portugal, foi realizada pela RTP na noite de 4 de Setembro de 1956 na Feira Popular de Lisboa tendo aí sido instalados um estúdio e cerca de 20 receptores distribuídos por vários locais. Fora do espaço da feira, houve quem recebesse estas emissões experimentais em aparelhos que previamente tinham sido vendidos na sequência de uma promoção publicitária feita nos jornais diários da época e que incluía mais de 25 marcas diferentes!...&lt;br /&gt;Dado o êxito das emissões experimentais, o início de emissões regulares a preto e branco ocorreu pouco depois, em 7 de Março de 1957. A televisão a cores teve que esperar ainda duas décadas, tendo surgido entre nós apenas em 1978.&lt;br /&gt;A 7 de Março deste ano de 2007, a RTP comemora, por conseguinte, os 50 anos de vida da televisão portuguesa, produzindo para isso programas especiais, com expectativas de alguma pompa e circunstância.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-2539770802827278645?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/2539770802827278645/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=2539770802827278645&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/2539770802827278645'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/2539770802827278645'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2007/03/o-cinquentenrio-da-televiso-portuguesa.html' title='O cinquentenário da televisão portuguesa'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RejF5HdSGoI/AAAAAAAAAHI/lQizzYVDR3k/s72-c/Dumont+TV+300dpi.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-3229795533604838868</id><published>2007-02-25T02:20:00.000Z</published><updated>2008-12-11T11:01:57.654Z</updated><title type='text'>O mecenato científico em Portugal</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/ReD0JB-7U_I/AAAAAAAAAG8/Ev9Ylfq_YOg/s1600-h/AlegRazao.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5035292819388584946" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/ReD0JB-7U_I/AAAAAAAAAG8/Ev9Ylfq_YOg/s320/AlegRazao.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O mecenato e as doações testamentárias em benefício da ciência não integram a tradição dos países latinos de cultura católica. Em 1919, Agostinho de Campos referia-se este facto nos seguintes termos:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Nos países anglo-saxónicos, e nos Estados Unidos principalmente, a manificência particular desentranha-se em subsídios e legados opíparos às obras escolares e scientíficas. As nações latinas, menos generosas para o bem comum, dão no entanto, lautamente; mas não tanto ao ensino e à sciência, como à assistência e à piedade.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nos países latinos, os milionários preferem doar os seus bens a instituições religiosas ou de benemerência social, na convicção ou esperança de receberem em troca alguma compensação na outra vida… Em França, ocorreu no século XIX um exemplo raro de mecenato científico protagonizado pelo banqueiro Raphael Bischoffsheim que, no ano de 1875 doou uma luneta ao Observatório de Paris e mais tarde financiou a construção e o equipamento do Observatório de Nice, dotando-o ainda de um orçamento anual para o manter em actividade.&lt;br /&gt;No século XIX, os grandes exemplos de mecenato vinham dos E.U.A., um país de forte tradição protestante. Pode mesmo afirmar-se que a astronomia americana atingiu tão elevado grau de desenvolvimento no fim do século XIX em virtude do mecenato e das doações obtidas por subscrição pública.&lt;br /&gt;Para além das suas grandes qualidades científicas, o astrónomo George Ellery Hale tinha uma invulgar capacidade de encontrar mecenas para financiar os seus projectos. Convenceu Tyson Yerkes a financiar o grande telescópio Yerkes, Andrew Carnegie a suportar as despesas para a construção do telescópio de 60 polegadas do Monte Wilson, e John Hooker a financiar o telescópio de 100 polegadas. Finalmente, em 1929 Hale convenceu a Rockefeller Foundation a financiar o telescópio de 200 polegadas do Monte Palomar que, merecidamente, veio a chamar-se telescópio Hale!...&lt;br /&gt;No século XX, a tradição mecenas americana desenvolveu-se mais do que em qualquer outro país. Desde há décadas que as doações destinadas tanto ao ensino como à investigação são uma fatia significativa do orçamento das universidades americanas. Muitas instituições de investigação científica são alimentadas pelas fortunas deixadas por milionários beneméritos, que têm tido uma especial predilecção pela investigação médica. A este propósito John Baker desabafava em 1945:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Os milionários gastam rios de dinheiro com a medicina clínica em vez de o destinarem às ciências basilares, que são a condição essencial da existência dela. […] Deixem lá quem trabalha em medicina clínica ter grandes laboratórios e bons honorários e tudo o mais que deseje. Mas concedam ao investigador das ciências basilares &lt;/em&gt;a liberdade de investigação.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Comparado com o que se passa na América, é insignificante o mecenato científico em Portugal. No entanto houve no século XIX alguns casos, embora poucos e parcos, de mecenato científico. O rei D. Pedro V cedeu da dotação régia 30 contos de réis para a fundação do Observatório Astronómico de Lisboa e mais 4 contos do seu orçamento pessoal para se construir o edifício. Doou ao Museu Nacional uma importante colecção de fósseis e ao Museu da Universidade de Coimbra uma colecção de aves. D. Luiz contribuiu com 13 contos para o Observatório e cedeu ao Museu Nacional o uso de ricas colecções de aves e conchas e ainda outras colecções de minerais, rochas e conchas do Museu Real. Estes são exemplos do mecenato de príncipes portugueses à imitação, em escala reduzida, do que foi praticado pelos príncipes renascentistas…&lt;br /&gt;Para além dos exemplos reais, houve alguns casos isolados de mecenato científico civil. A Sra. D. Rita de Assis de Sousa Vaz deixou um importante legado de 60 contos à Escola Médico-Cirúrgica do Porto. O Sr. Conde de Itacolumi deixou mil libras à Escola Politécnica para a compra de instrumentos. O Laboratório Nobre do Porto foi criado pela Escola Médico-Cirúrgica do Porto, em pareceria com o Hospital Geral de Sto. António, com as sobras de um legado de Bruno Alves Nobre que faleceu em 1891. Este benemérito deixou “o importante legado de 80 contos, com a obrigação da dita Escóla custear, com doze mil reis mensaes, a educação, até completa formatura, de doze pensionistas pobres”. Um regulamento elaborado e aprovado pela Escola e pela testementeira estatuía que “as sobras annuaes que houver do rendimento do Legado Nobre serão empregadas em beneficio do ensino da Escóla Medico-Cirurgica do Porto e pelo modo que esta entender mais conveniente”, e assim nasceu o Laboratório em 1897.&lt;br /&gt;No início do século XX, os governos portugueses tomaram medidas que, de alguma forma, poderiam estimular o mecenato científico, mas parece que não tiveram o sucesso esperado. Nove anos após o decreto de João Franco de 1907 que dava autonomia administrativa e pedagógica às Escolas Superiores e lhes permitia receber doações, Agostinho de Campos comentava:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Já lá vão nove anos bem contados, e não me consta nem creio que qualquer das nossas universidades, faculdades e altas escolas haja colhido de mortos ou de vivos (a não ser do estado, que é um morto-vivo muito pelintra) o mais coçado vintém de esmola e de incitamento.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Uma das raras excepções de mecenato científico das primeiras décadas do século XX foi o Instituto Rocha Cabral, fundado em 1923 e aberto em 1925. A sua fundação foi possível graças à doação de Bento da Rocha Cabral que deixou um legado de 14 mil contos em reacção às crónicas científicas de Ferreira de Mira publicadas no jornal, A Lucta, dirigido por Brito Camacho. Respeitando o testamento do benemérito, a direcção do Instituto foi atribuída ao Dr. Ferreira de Mira. Este centro de estudos de biologia médica era o único instituto de investigação de iniciativa privada existente na época em Portugal. Alguns anos mais tarde e na sequência da desvalorização da moeda durante a 2ª Guerra Mundial, o Instituto necessitou de apoios do Estado para se poder manter em actividade. Legados de muito menor importância foram feitos à Faculdade de Medicina do Porto por Assis Vaz e Alves Nobre, e à Universidade de Coimbra por Sá Pinto. Tal era a escassez das doações nas primeiras décadas do século XX que Joaquim Alberto Pires de Lima comentava em 1929: “os particulares ricos da nossa terra não compreendem a grandeza dos gestos dos ROCKEFELLER e dos CARNEGIE”.&lt;br /&gt;Actualmente, a Fundação Calouste Gulbenkian, a Fundação Champalimaud e a Fundação Ilídio Pinho contam-se entre os mais importantes mecenas da ciência em Portugal. De acordo com os estatutos da Fundação Gulbenkian, os seus fins são “caritativos, artísticos, educativos e científicos”. A Fundação Ilídio Pinho tem como “principal orientação estratégica a promoção da Ciência e da Tecnologia ao serviço do Homem”. Imitando, com pouca originalidade, muitos milionários americanos, António Champalimaud criou uma Fundação para dar apoio às ciências médicas após a sua morte.&lt;br /&gt;Embora a propaganda política pretenda fazer crer que o financiamento estatal para a ciência é abundante e generoso, tal não corresponde efectivamente à realidade. Um mecenato científico robusto ─ que tão importante é em países ricos como os Estados Unidos da América ─ seria para Portugal uma verdadeira bênção do céu… &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-3229795533604838868?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/3229795533604838868/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=3229795533604838868&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/3229795533604838868'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/3229795533604838868'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2007/02/o-mecenato-cientfico-em-portugal.html' title='O mecenato científico em Portugal'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/ReD0JB-7U_I/AAAAAAAAAG8/Ev9Ylfq_YOg/s72-c/AlegRazao.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-1972915097548923134</id><published>2007-02-18T18:59:00.000Z</published><updated>2008-12-11T11:01:58.271Z</updated><title type='text'>O isolamento e a estagnação de Portugal</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/Rdiisx-7U-I/AAAAAAAAAGw/GzF9KBKCiMY/s1600-h/P1010291.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5032951473801745378" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/Rdiisx-7U-I/AAAAAAAAAGw/GzF9KBKCiMY/s320/P1010291.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O isolamento constitui para qualquer nação um importante factor de atraso económico, social e cultural, pois dificulta a troca de ideias com outros povos e a vivência de novas experiências físicas e intelectuais. A História mostra-nos que todas as grandes culturas e civilizações se estabeleceram e fortalecerem pelo contacto com outros povos, pela exploração de terras desconhecidas e pelo confronto com novas experiências. O encontro com civilizações mais desenvolvidas estimulou particularmente o espírito e o engenho dos aventureiros ─ a Índia teve, sobre a cultura portuguesa, um maior impacto do que a África; a desenvolvida civilização inca exerceu, sobre os espanhóis, um maior fascínio do que os índios semi-selvagens da América do Norte.&lt;br /&gt;O controlo das vias de comunicação e em particular das vias marítimas ─ que sempre foi uma importante forma de mobilidade ─ foi o segredo que transformou pequenas nações em grandes impérios. Considerem-se os exemplos do Egipto, Grécia, Fenícia e Roma na Antiguidade; o caso do império árabe na Idade Média; e os exemplos de Portugal, Espanha, Holanda, França, Inglaterra, Japão, União Soviética e Estados Unidos na Idade Moderna e Contemporânea. Do alargamento das fronteiras conseguido pela mobilidade, resultou para todos estes países o progresso económico e social e, juntamente com ele, o progresso das ciências e das artes ─ um progresso conseguido pelo relativo desafogo económico mas também pela mudança de mentalidades fruto de novas experiências.&lt;br /&gt;Perdido o domínio da mobilidade marítima, muitos daqueles países tiveram que desenvolver outras formas de mobilidade que os mantivessem na via do progresso que tinham iniciado. Os povos que o não conseguiram acabaram por ver o seu desenvolvimento a desacelerar ou a regredir.&lt;br /&gt;O caso português é exemplar e dramático. A “idade de ouro” nacional coincidiu com o domínio das rotas marítimas, as viagens por novas terras e o contacto com novas gentes. Regressados, os portugueses eram mais ricos, económica e culturalmente, e transformaram a sua nação num país mais próspero. Quando perdemos a mobilidade marítima, voltámos ao isolamento e à estagnação de que nunca mais saímos, porque não conseguimos criar alternativas à mobilidade perdida.&lt;br /&gt;Forçosamente isolados da Europa por uma Espanha sistematicamente hostil, a ruína do poderio marítimo originou, no caso português, uma decadência muito mais dramática do que no caso de outras ex-potências. Com o isolamento posterior da própria Espanha mais isolados ficámos e, durante séculos, o que se passava fora da península era apenas conhecido através de notícias ou relatos de alguns homens privilegiados. O isolamento territorial e cultural da Península Ibérica nos séculos XVII e XVIII foi trágico porque a estagnação conduziu à regressão e, como bem referiu Ramón e Cajal, a uma espécie de enquistamento intelectual que desprezava tudo o que era estrangeiro. Tudo o que lá se produzia era considerado, por uma grande maioria dos portugueses, inatingível, inútil e nocivo, incluindo naturalmente as frutuosas ideias que se iam desenvolvendo no centro da Europa. Conseguiu-se alguma mobilidade no século XIX com as novas tecnologias de transporte e comunicação mas o enquistamento intelectual estava de tal forma entranhado nos povos peninsulares que tudo o que vinha da Europa progressista era considerado perigoso e revolucionário.&lt;br /&gt;Por imposição de regimes opressores faltou à Península Ibérica a liberdade política, social e intelectual durante muitas décadas do século XX. Com o estabelecimento das liberdades cívicas a partir do último quartel do século XX, deixou de haver razões para a continuação do isolamento mental e respectivas mazelas. Na Espanha este isolamento foi ultrapassado com os consequências que conhecemos. Actualmente os nossos vizinhos preparam-se para uma nova “conquista” embora utilizando meios muito diferentes dos que utilizaram há 500 anos. Um catalizador importante desta mudança foi a reforma política concretizada por governantes e políticos de grande competência e qualidade.&lt;br /&gt;Portugal, por seu lado, continua a viver num estado de apatia económico-social e cultural confrangedor, que um desajeitado governo tenta contrariar com impostos pesados, insegurança e ameaças de maiores dificuldades.&lt;br /&gt;Os portugueses ainda não conseguiram (ou mereceram) ter homens de visão entre os seus governantes e dão sinais claros de não distinguirem os bons dos maus políticos. É sintomático que, num concurso televisivo de grande impacto mediático, se encontrem no grupo dos “dez portugueses mais ilustres” dirigentes de grande visão estratégica, ─ como D. João II (a quem a rainha Isabel a católica, chamava “o Homem”) e o Marquês de Pombal (de razão iluminada, nervos de aço e coração de pedra) ─ um governante provinciano e míope como Oliveira Salazar e um político mesquinho e sectário como Álvaro Cunhal!... &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Apesar do deslumbramento que a muitos portugueses causa o que vem do estrangeiro continuamos a não saber destrinçar o bom do mau, optando muitas vezes pelo pior. O isolamento mental e o enquistamento intelectual dos portugueses tomaram novas formas e estão para durar…&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-1972915097548923134?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/1972915097548923134/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=1972915097548923134&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/1972915097548923134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/1972915097548923134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2007/02/o-isolamento-e-estagnao-de-portugal.html' title='O isolamento e a estagnação de Portugal'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/Rdiisx-7U-I/AAAAAAAAAGw/GzF9KBKCiMY/s72-c/P1010291.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-7147585020902050856</id><published>2007-02-11T01:56:00.000Z</published><updated>2008-12-11T11:01:58.495Z</updated><title type='text'>Os portugueses e as ciências no século XVI</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/Rc574B-7U9I/AAAAAAAAAGk/d3ft15qk4hw/s1600-h/Coloquios.BMP"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5030094036354683858" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/Rc574B-7U9I/AAAAAAAAAGk/d3ft15qk4hw/s320/Coloquios.BMP" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No reinado de D. João III, a Universidade de Coimbra teve um conjunto de professores, portugueses e estrangeiros, de elevada craveira intelectual ─ teólogos, legistas, canonistas, médicos, matemáticos, cosmógrafos, humanistas, cultores de línguas como o grego, o latim e o hebraico ─ que ensinavam um elevado número de estudantes provenientes de toda a parte. Frei Heitor Pinto referiu-se com entusiasmo ao ambiente cultural de Coimbra desta época elogiando a acção impulsionadora de D. João III:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Trabalhã cõmũmente os homens por se esmerar naquellas cousas, a vêem os prĩcipes ĩnclinados &amp; affeyçoados, &amp;amp; em que elles põem os olhos pêra as louuar &amp; fauorecer. D’isto temos experiencia manifesta em Portugal, onde nũnca ouue tãtos letrados, nem tam excellentes, como em tempo do sereníssimo rey dõ Iohão o terceyro d’este nome, que fez a vniuersidade de Coimbra hũa das principaes de toda Europa: pera õde trouxe os principaes mestres &amp;amp; letrados, que auia no mundo. Não se contentou somente, com os que auia em seu reyno, mas alem d’elles mandou vir outros de Salamanca, &amp; Alcala, &amp;amp; Paris, &amp; Bordeos, &amp;amp; Frãdes, &amp; Italia, &amp;amp; Alemanha. Finalmente encheo a vniuersidade das milhores &amp; mais insinhes letras em todas as faculdades, que auia em seu tempo: &amp;amp; ennobreceo seu reyno de todo o genero de boas artes &amp; sciencias, &amp;amp; felo hũa rica feyra vniuersal de todas as excellentes doctrinas, &amp; enriqueceo o de virtudes, que em seu tempo summamente floresceram, &amp;amp; amou a doce paz, &amp; em seu reyno fechou as portas de Iano, &amp;amp; foy pay da patria, &amp; zelador da fe de Christo, &amp;amp; da sancta religião.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;As ciências a que particularmente se refere Frei Heitor Pinto são aquelas que nos dão a “verdadeyra sabedoria per cujo meo alcancemos a eterna bem-aventurança” … Mas também as humanidades, a matemática, a medicina, a filosofia e as ciências práticas (geografia, cartografia e náutica) foram cultivadas entre nós no século XVI.&lt;br /&gt;Na literatura distinguiu-se Francisco de Sá de Miranda (1481-1558) que lia Homero na língua original. Segundo Joaquim de Carvalho, notabilizaram-se ainda pelo conhecimento da língua grega os poetas João Rodrigues de Sá e Menezes (1464/61?-1576/79?) e António Ferreira ( 1528-1569), o médico Ambrósio Nunes (1529-1611), Francisco Giraldes, Jerónimo Lopes, o médico João Rodrigues de Castelo Branco (Amato Lusitano) (1511-1568) , o latinista Jorge Coelho (?-1563), D. Frei António de Sousa (?-1597), o médico, humanista e filósofo António Luís (?-1565) e outros. André de Resende (1500?-1573) foi um ilustre humanista e Damião de Góis (1502-1574), conhecido e muito respeitado pelos intelectuais europeus, foi o mais destacado renascentista português.&lt;br /&gt;Pedro Nunes (1502-1578) foi o matemático português mais ilustre do século XVI, tendo granjeado o respeito dos seus colegas europeus. D. João de Castro (1500-1548) é talvez o mais importante dos nossos homens de ciência natural do século XVI, sendo mesmo considerado pioneiro no estudo do magnetismo terrestre. Duarte Pacheco Pereira (1460-1533), herói militar, foi igualmente navegador e cosmógrafo.&lt;br /&gt;A medicina teve um grande número de ilustres praticantes e estudiosos. Garcia de Orta (1501/2-1568) ganhou nome na Europa com os Colóquios dos Simples e Drogas da Índia, uma obra que foi traduzida para Latim, Italiano e Francês. Outros médicos como António Luís (?-1565), Amato Lusitano, Rodrigo de Castro (1546-1628), Luís de Lemos, Manuel Brudo, Filipe Montalto (?-1616), Rodrigo da Fonseca (?-1622), Francisco Sanches (1550-1622) e mais tarde Zacuto Lusitano (1575-1640) distinguiram-se e foram conhecidos em toda a Europa. Com a sua prática, ensinamentos e escritos, deram uma contribuição valiosa para a ciência médica do seu tempo. Pela ligação directa ou indirecta que tiveram com o judaísmo, muitos destes médicos viveram expatriados devido às perseguições movidas pela Inquisição, instituição de má memória estabelecida em Portugal, no ano de 1536, pelo próprio D. João III.&lt;br /&gt;Como comentador da Física de Aristóteles distinguiu-se em Paris João Ribeiro em 1525, acabando por conseguir em 1527 a cátedra de Lógica na Universidade que estava sedeada nessa época em Lisboa. Na filosofia, sobressaiu o já referido Francisco Sanches que adquiriu toda a sua formação fora da Península em particular na Itália e em França. Autor de &lt;em&gt;Quod nihil scitur&lt;/em&gt; (Que nada se sabe), Francisco Sanches foi o introdutor da dúvida como método e propedêutica da filosofia. Em lógica, física, cosmografia e ciências afins, brilhou Pedro Margalho (?-1556) em Salamanca, nos princípios do século XVI. Nas questões da navegação distinguiram-se vários matemáticos e outros homens com conhecimentos de matemática: o infante cardeal D. Henrique (1512-1580) e infante D. Luis (1506-1555), D. João de Castro (1500-1548) ─ todos eles alunos de Pedro Nunes ─ Frei Nicolau Coelho de Amaral (?-1568), João de Barros (1496?-1570), Martin Afonso de Sousa (1500-1571), Diogo Botelho Pereira, o Pe. António de Castelo Branco (1556-1643), Diogo de Sá e Fernando Alvares Seco, entre outros.&lt;br /&gt;No século XVI, houve mais de cem professores portugueses a ensinar em universidades europeias, entre as quais se contam as de Salamanca, Paris, Roma, Pisa e Lovaina. A partir do último quartel do século XVI o panorama cultural português degradou-se bruscamente. Com a perda da independência, Portugal entrava definitivamente num período de decadência cultural, enquanto que, fora da Península, se iniciava uma nova fase do desenvolvimento das ciências matemáticas e naturais com o surgimento da ciência moderna. Protagonistas da transição entre a ciência antiga e a moderna, os portugueses não souberam ou não quiseram prosseguir na senda do progresso científico. Nos inúmeros escritos que se publicaram e nas muitas conferências que se proferiram entre nós, várias foram as causas apontadas para a decadência que ainda hoje nos condiciona. Passados quatro séculos, não foi possível recriar as condições para que Portugal se possa distinguir de novo entre as nações cultural e cientificamente mais desenvolvidas. As perspectivas de mudança continuam sombrias …&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-7147585020902050856?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/7147585020902050856/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=7147585020902050856&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/7147585020902050856'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/7147585020902050856'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2007/02/os-portugueses-e-as-cincias-do-sculo.html' title='Os portugueses e as ciências no século XVI'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/Rc574B-7U9I/AAAAAAAAAGk/d3ft15qk4hw/s72-c/Coloquios.BMP' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-34415517034696161</id><published>2007-02-04T02:05:00.000Z</published><updated>2008-12-11T11:01:58.695Z</updated><title type='text'>Ciência e Liberdade</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RcVF8bi-5qI/AAAAAAAAAGY/0J_DyBwVclw/s1600-h/LibertyMR.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5027501463517980322" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RcVF8bi-5qI/AAAAAAAAAGY/0J_DyBwVclw/s320/LibertyMR.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A ciência parece desabrochar e frutificar, de forma harmónica e vigorosa, apenas em ambientes de plena liberdade política, religiosa, social e mental. Bernardo Alberto Houssay (1887-1971) prémio Nobel de Fisiologia e Medicina de 1947, afirmou o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A ciência só pode viver e prosperar com vigor numa atmosfera de sã liberdade, já que toda a opressão a empobrece e debilita progressivamente; desperta e mantém vivo o amor à liberdade, privilégio supremo do género humano.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estimulada pela liberdade, a ciência impulsiona por sua vez a liberdade. Como um obscuro Pouydebat afirmava poeticamente em 1882:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ciência e Liberdade! duas irmãs; dupla claridade…&lt;br /&gt;Na sua presença desaparecem erros e tiranias.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O sistema heliocêntrico de Aristarco (310-230 a.C.), surgido na Grécia Antiga durante uma época de superstição religiosa, foi rotulado de herege e por isso não vingou.&lt;br /&gt;A subjugação da filosofia à teologia na cultura islâmica do século XIII provocou a decadência cultural e científica dos países islâmicos que ainda hoje os debilita.&lt;br /&gt;A Inquisição travou os movimentos libertadores da Reforma ─ e, juntamente com esta, o desenvolvimento da ciência ─ ao inibir homens como Copérnico e Descartes e ao obrigar espíritos mais afoitos ─ como Galileu e Giurdano Bruno ─ a abjurar publicamente as sua ideias ou a morrerem consumidos nas fogueiras dos Autos de Fé.&lt;br /&gt;O Iluminismo do século XVIII, alimentado pela ciência, produziu a Revolução Francesa, cujos princípios de “liberdade, igualdade e fraternidade” levaram a própria ciência a um desenvolvimento explosivo na França do século XIX.&lt;br /&gt;Nos períodos que se seguiram à guerra de libertação e à guerra civil dos EUA, e quando se encontrava já estabelecida a liberdade democrática, a ciência transformou esta ex-colónia ignorante e subdesenvolvida numa potência universal, em menos de 100 anos.&lt;br /&gt;O regime nacional-socialista nazi, com uma ideologia intolerante e uma prática política opressora, produziu cientistas loucos que acabaram a realizar experiências monstruosas nos prisioneiros dos campos de concentração.&lt;br /&gt;O comunismo, limitador das liberdades e iniciativas individuais, teve uma enorme responsabilidade no desenvolvimento desequilibrado da ciência soviética. George Gamow, no fim dos anos 20, foi preso e exilado para bem longe de Moscovo, por ensinar a mecânica quântica! … Por não o ter impedido, o director do Instituto em que Gamow trabalhava foi deportado para a Sibéria! … Apesar da ciência ter sido considerada uma das bases fundamentais da cultura e a força impulsionadora do progresso tecnológico e económico da URSS, com direito a orçamentos generosíssimos, a sua utilidade e inovação revelou-se medíocre comparada com a dos países ocidentais. Em áreas importantíssimas como a microelectrónica e a genética, este enorme país estava ao nível dos países mais pequenos e cientificamente mais atrasados, só porque aquelas disciplinas não foram consideradas estratégicas nos planos quinquenais do governo comunista….&lt;br /&gt;O regime salazarista perseguiu e expulsou das universidades muitos dos melhores cientistas portugueses do século XX. Segundo Vital Moreira, houve resistência dos que ficaram:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Apesar da «política do espírito» salazarista, nunca o regime conseguiu engodar a cultura, os intelectuais e os cientistas, que, pelo contrário, mantiveram, durante todo o tempo, um elevado grau de militância antifascista.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Apesar desta resistência ao regime, nunca a ciência saiu de um estado de letargia medíocre no Portugal salazarista.&lt;br /&gt;A Revolução Cultural chinesa destruiu toda a estrutura de investigação científica das universidades, institutos e centros de investigação da China, atrasando de décadas a ciência deste país. Embora nos últimos anos se tenham verificado alguns progressos na ciência e nas liberdades, a ciência chinesa só se tornará realmente forte quando os cientistas viverem num ambiente de plena liberdade.&lt;br /&gt;Yves Guyot (1843-1928) afirmou que “progresso está na razão directa da acção do homem sobres as coisas e na razão inversa da acção do homem sobre o homem” ou, noutras palavras, o progresso aumenta com a Ciência e diminui com o despotismo.&lt;br /&gt;Só em condições de liberdade, plena e sem constrangimentos, os cientistas poderão produzir ciência de qualidade superior.&lt;br /&gt;A liberdade não é uma condição suficiente do desenvolvimento científico, mas tudo indica que é uma condição necessária. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-34415517034696161?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/34415517034696161/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=34415517034696161&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/34415517034696161'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/34415517034696161'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2007/02/cincia-e-liberdade.html' title='Ciência e Liberdade'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RcVF8bi-5qI/AAAAAAAAAGY/0J_DyBwVclw/s72-c/LibertyMR.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-5126862505676565261</id><published>2007-02-01T16:28:00.000Z</published><updated>2008-12-11T11:01:58.982Z</updated><title type='text'>Os recentes medos causados pela ciência</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RcIbjri-5kI/AAAAAAAAAFQ/refmPb727M8/s1600-h/Atomic+bomb+R.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RcIaV7i-5jI/AAAAAAAAAE0/kWXMlq7mSDU/s1600-h/nagasakibomb.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5026609098162890290" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RcIaV7i-5jI/AAAAAAAAAE0/kWXMlq7mSDU/s320/nagasakibomb.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;No início da 2ª Revolução Industrial ocorrida no século XIX, as máquinas causaram apreensões, receios e medos, porque se pensou que viriam substituir definitivamente o trabalho do homem, provocando desemprego, fome e perturbações sociais. Alguns episódios ocorridos em países apostados numa industrialização acelerada justificaram parcialmente esses receios. Nessa época, mais do que a ciência o que se temeu foi a tecnologia.&lt;br /&gt;No final da 1ª Guerra Mundial, a utilização dos gases asfixiantes, inventados por Fritz Haber, causaram grandes baixas tanto nas hostes do inimigo como nos próprios exércitos que as lançavam, e tão generalizada e indiscriminada foi a mortandade que ficaram conhecidos como os “gases de morte”. A culpa desta calamidade foi atribuída não aos chefes militares que os utilizaram mas à Química.&lt;br /&gt;“Os carrinhos de Curie”, equipados com máquinas de raios X e colocados em funcionamento pelos esforços de Marie Curie, contribuíram em França para o diagnóstico de mais de um milhão de feridos de guerra. Apesar disso, tiveram muito menor impacto perante a opinião pública do que os gases de morte e o papel da Física, nesta acção humanitária de Marie Curie, não foi suficientemente valorizado. Nessa época, tal como hoje acontece, as aplicações benéficas da ciência tiveram, sobre a opinião pública, um impacto muito menor do que as aplicações maléficas.&lt;br /&gt;Após a 2ª Guerra Mundial, uma enorme desconfiança recaiu sobre a Ciência, na sequência do lançamento das bombas atómicas sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki. Em 6 de Agosto de 1945 foi lançada sobre Hiroshima a primeira bomba, chamada “Little Boy”; a segunda, “Fat Man”, foi lançada a 9 de Agosto sobre Nagasaki. Contabilizaram-se em 140 mil as vítimas em Hiroshima até Dezembro de 1945; as vítimas imediatas de Nagasaki atingiram o número de 39 mil, as vítimas posteriores causadas pelas radiações contabilizaram-se em 75 mil. Segundo cálculos recentes as vítimas destas duas bombas atingiriam o número total de 300 mil.&lt;br /&gt;Logo após o período de regozijo pelo fim da guerra em que se fez muita propaganda a favor do nuclear, muitos pensaram que a Física era a principal responsável pela matança. Opinava-se que o desenvolvimento da Física tinha ido longe demais e que esta ciência começava a pôr em causa o equilíbrio das nações e a contribuir para o fim iminente da própria civilização humana. Tal era o descrédito que rodeou a Física, e a Ciência em geral, que muitos proclamavam, em face dos perigos da destruição global, que se deveria fazer uma pausa na investigação científica e refrear a marcha acelerada das descobertas e invenções!...&lt;br /&gt;Não se conseguiu concretizar este objectivo, mas esta atmosfera conseguiu criar alguma animosidade contra a investigação científica, sobretudo aquela que tinha objectivos militares directos. Mesmo em países, onde sempre se dera uma menor importância a estas questões, se intensificou o movimento anti-militarista na sociedade civil e comunidade científica. Actualmente, há mais de 2 mil cientistas espanhóis que se consideram objectores científicos negando-se a participar em projectos militares. Estes cientistas têm pressionado o governo espanhol para fazer uma transferência gradual de recursos destinados à investigação e desenvolvimento militares para as áreas de desenvolvimento civil e social.&lt;br /&gt;Em alguns meios mais bem informados, surgiu recentemente uma forte reacção contra a ciência biológica na sequência dos progressos realizados pela engenharia genética, que aliás já tinham sido previstos, entre nós, há mais de 50 anos. Nessa altura a perspectiva de tais estudos eram encarados com bastante optimismo prevendo-se que as novas descobertas pudessem dar à vida uma maior dignidade. Assim se exprimia José Antunes Serra, investigador no Centro de Estudos de Ciências Biológicas da Universidade de Coimbra, em 1957:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Numa outra etapa virá a revolução biológica, em que se modificará a própria natureza dos seres vivos, incluindo a nossa, tornando a vida verdadeiramente digna de ser vivida.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Em defesa da ciência e contra os maus usos que dela se faz, erguem-se continuamente as vozes de muitos cientistas, esforçando-se por transmitir a mensagem de que não é pela desaceleração do desenvolvimento científico que se evita a má utilização da ciência. Porém, apesar de todos estes esforços, algumas franjas da opinião pública continuam a alimentar a ideia de que a ciência pode levar à extinção da civilização humana e portanto deve ser condicionada no seu pleno desenvolvimento.&lt;br /&gt;Quem faz estas críticas não deve esquecer-se que à Ciência se deve o elevado grau civilizacional atingido pelo Homem e que só o desenvolvimento científico poderá criar melhores condições de vida para todos. Se nem todos usufruem desses benefícios a culpa não é certamente da Ciência.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-5126862505676565261?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/5126862505676565261/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=5126862505676565261&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/5126862505676565261'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/5126862505676565261'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2007/02/os-recentes-medos-causados-pela-cincia.html' title='Os recentes medos causados pela ciência'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RcIaV7i-5jI/AAAAAAAAAE0/kWXMlq7mSDU/s72-c/nagasakibomb.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-3981308235967461039</id><published>2007-01-28T00:29:00.000Z</published><updated>2008-12-11T11:01:59.212Z</updated><title type='text'>A evolução da ciência e o desenvolvimento da Humanidade ─ previsões de Berthelot</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/Rbvu-1a5UlI/AAAAAAAAADA/IB6nESwHauY/s1600-h/Marcellin_Berthelot.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5024872572521108050" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/Rbvu-1a5UlI/AAAAAAAAADA/IB6nESwHauY/s320/Marcellin_Berthelot.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Não restam dúvidas que a ciência moderna tem resolvido inúmeros problemas com que a Humanidade se tem confrontado, tendo impulsionado ─ mais do que qualquer outra actividade humana ─ o desenvolvimento e o progresso social. Nesta perspectiva, se desejarmos fazer uma previsão da evolução futura da Humanidade é necessário fazermos primeiro uma previsão do desenvolvimento da ciência. No entanto, embora as previsões sejam um objectivo de qualquer boa teoria científica, a verdade é que as previsões sobre o desenvolvimento da própria ciência continuam a ter um carácter muito pouco científico e, frequentemente, revelam-se totalmente erradas quando comparadas com a realidade. A justificação deste fracasso é simples: os principais progressos da ciência não são regidos por leis lineares, mas sim por singularidades resultantes do acaso consciente, da imaginação e do génio. Para além desta dificuldade, a influência da ciência na evolução das sociedades é igualmente complexa e os benefícios e malefícios da ciência continuam a ser controlados por pessoas e instituições com interesses particulares imprevisíveis, muitas vezes opostos aos interesses gerais e consensuais.&lt;br /&gt;De entre aqueles que mais previsões têm feito sobre as sociedades humanas do futuro, têm sido os escritores de ficção científica. Por sua vez, os cientistas, cientes da dificuldade de tais previsões são habitualmente muito relutantes em fazê-las e, quando as fazem, são muito cautelosos. Não deixa de ser paradigmática a frase de Niels Bohr (1885-1962), um famoso físico do séc. XX:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A predição é muito difícil, especialmente se for sobre o futuro...&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Apesar de toda a prudência da maioria dos cientistas, tem havido alguns que se têm aventurado nessas previsões com os riscos de poderem ser ridicularizados pelos vindouros. Marcellin Berthelot (1827-1907), um famoso químico francês, falecido exactamente há 100 anos e especialista em síntese química, tentou há 150 anos antever o desenvolvimento da química para o ano 2000 e retirar as consequências desse desenvolvimento para a evolução das sociedades humanas. Fê-lo no fim de um banquete organizado pela câmara sindical dos produtos químicos, numa intervenção improvisada que iniciou desta forma:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Permiti-me que fale dos meus sonhos: o momento é propício, pois é depois de beber que se fazem as confidências... Fala-se às vezes sobre o estado futuro das sociedades humanas; pela minha parte quero imaginá-las no ano 2000, sob o ponto de vista químico. […] Nessa altura, não haverá no mundo nem agricultores, nem pastores, nem trabalhadores rurais: o problema da existência de solos para a agricultura terá sido resolvido pela química.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Depois de algumas considerações sobre a capacidade da física e da química para criar fontes de energia inesgotáveis e baratas, Berthelot refere-se ao problema da produção de bens alimentares por processos químicos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Em princípio este problema já está resolvido: a síntese das gorduras e óleos faz-se há quarenta anos, a dos açucares e dos hidratos de carbono foi conseguido nos nossos dias e a síntese dos produtos azotados será em breve uma realidade. Efectivamente, o problema dos alimentos, não nos esqueçamos, é um problema químico. No dia em que tivermos energia barata, produziremos prontamente alimentos de todas as espécies, com o carbono retirado ao ácido carbónico, com o oxigénio e o hidrogénio retirados da água, com o azoto retirado da atmosfera. […] Um dia virá em que cada um de nós trará consigo para se alimentar, a pequenina tablete de matéria azotada, o torrãozinho de gordura, o pedacito de fécula ou de açúcar, o frasquinho de espécies aromáticas, tudo isto produzido pelas nossas fábricas, economicamente e em quantidades inesgotáveis; tudo isto independente da irregularidade das estações do ano, da chuva ou da seca, do calor que mirra as plantas ou do gelo que destrói a expectativa da frutificação; tudo isto, enfim, livre de micróbios patogénicos, origem das epidemias e inimigos da vida humana. Nesse dia, a química terá conseguido no mundo uma revolução radical, cujo alcance ninguém pode calcular; deixará de haver terrenos de searas e vinhedos e não haverá animais nos prados; o homem ganhará em amabilidade e em moralidade, porque deixará de viver da matança e destruição das criaturas vivas. Deixará de haver distinção entre terras férteis e estéreis. Os desertos de areia talvez se tornem na morada preferida das civilizações humanas porque são mais salubres que os aluviões empestados e os pântanos pejados de putrefacção, que actualmente constituem os locais para a nossa agricultura. […] A terra transformar-se-á num vasto jardim regado por mananciais de águas profundas, onde a raça humana viverá na abundância e na alegria da lendária idade de ouro.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O optimismo de Berthelot é contagiante, mas a verdade é que o mundo que ele imaginou para 2000 é bastante diferente da realidade. A energia continua a ser cara e as transformações químicas pouco eficientes. Os alimentos, longe de serem totalmente produzidos por síntese química, continuam a ser quase exclusivamente produzidos pela agricultura, pecuária, avicultura e piscicultura, técnicas melhoradas pela biotecnologia transgénica, de que Berthelot nem sequer sonhava. A Idade de Ouro trazida pela ciência, embora mais próxima do que há 150 anos, continua a ser ainda uma utopia…&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-3981308235967461039?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/3981308235967461039/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=3981308235967461039&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/3981308235967461039'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/3981308235967461039'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2007/01/evoluo-da-cincia-e-o-desenvolvimento-da.html' title='A evolução da ciência e o desenvolvimento da Humanidade ─ previsões de Berthelot'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/Rbvu-1a5UlI/AAAAAAAAADA/IB6nESwHauY/s72-c/Marcellin_Berthelot.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-4952987470154571822</id><published>2007-01-21T00:32:00.000Z</published><updated>2008-12-11T11:01:59.965Z</updated><title type='text'>O Portugal de António Sérgio</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RbK1iFa5UkI/AAAAAAAAAC0/vWzpYjI04eo/s1600-h/sergiooculosB&amp;W.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5022276131646689858" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RbK1iFa5UkI/AAAAAAAAAC0/vWzpYjI04eo/s320/sergiooculosB%26W.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;António Sérgio (1883-1968) foi um dos maiores e mais lúcidos pensadores portugueses do século XX. Na senda de outros pensadores igualmente ilustres do século precedente ─ de que se destacam os da &lt;em&gt;Geração de 70&lt;/em&gt; e os positivistas ─ António Sérgio tentou perceber as causas do subdesenvolvimento crónico do país e apresentou soluções para ultrapassar esse atraso. Em &lt;em&gt;O Problema da Cultura e o Isolamento dos Povos Peninsulares&lt;/em&gt; (1913) comentou o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Muito se tem dito e escrito sobre as causas da decadência dos povos peninsulares. Dois grandes factos avultam no estudo dessa decadência: a educação guerreira e a purificação; ou, por outras palavras, a falta de actividade produtora (agricultura, fabricação) e o isolamento sistemático.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Em sua opinião, o temperamento dos portugueses e castelhanos tinha sido moldado na sequência das invasões árabes, um acontecimento que obrigou mais ao desenvolvimento do espírito guerreiro do que ao do espírito industrial ou agrícola. Isto justificaria que, entre nós, “as faculdades românticas da paixão e da fantasia, da impulsividade e da retórica, preponderam enormemente sobre a vontade e a razão”. Terminado o período das guerras e conquistas, Portugal nunca conseguiu enveredar pela senda do progresso porque não tinha as bases que o suportassem: a ciência moderna, a indústria e agricultura. Para ultrapassar este atraso António Sérgio achava fundamental implementar o ensino das ciências e paralelamente desenvolver a investigação científica nacional. Em sua opinião, a ciência traria a Portugal o progresso não só económico mas sobretudo mental e cultural. Para ele, a ciência era a mais poderosa força de ascensão e elevação espiritual do homem. No seu polémico ensaio, &lt;em&gt;O Reino Cadaveroso ou o Problema da Cultura em Portugal&lt;/em&gt; (1926), escreveu o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O melhor resultado da investigação científica […] é a realização de uma verdadeira Cultura, a ascensão do intelecto ao nível divino, a divinização da nossa mente.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Para além de apresentar argumentos de valorização da cultura científica, António Sérgio recomendava as medidas políticas que considerava necessárias para que a cultura científica se instalasse solidamente em Portugal:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O que se impõe é o treino metódico, continuado, generalizado, de grande número dos nossos jovens nos melhores centros de investigação; o que cumpre criar é um ensino activo, que fomente a iniciativa intelectual do aluno; o que é necessário é que dia a dia (e passo a passo e ponto a ponto) se vá colonizando sistematicamente, com campos de trabalho e com guarnições estáveis, isto é, com institutos científicos, com educação autonomista, com associações cooperativas, com escolas de ensaio, o nosso Reino da Estupidez. Por isso, no programa da Seara Nova, liminarmente, como base necessária de tudo mais, pedimos uma Junta de Propulsão dos Estudos, que tenha a seu cargo o desenvolvimento energético da cultura crítica da mocidade; que dê bolsas de estudo no estrangeiro; que crie institutos de investigação científica onde trabalhem depois os seus bolseiros; que organize o esforço dos nossos mestres e a preparação sistemática do nosso escol.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Dada a persistente degradação do ensino português, a ideia da criação de uma &lt;em&gt;Junta de Propulsão de Estudos&lt;/em&gt; tinha surgido no início da década de 1920, e era defendida por vários intelectuais dos quais se destacaram pelo seu activismo Celestino da Costa e Simões Raposo. Esta Junta seria uma instituição independente dos estabelecimentos oficiais de ensino e investigação e teria dois objectivos fundamentais: dar bolsas de estudo a investigadores científicos no estrangeiro e manter escolas experimentais em todos os graus de ensino. Tal era o empenho de António Sérgio na implementação deste projecto que aceitou exercer o cargo de Ministro da Instrução para o poder concretizar. Não o conseguiu, porém, por causa de dificuldades criadas no Parlamento e de divergências existentes no seio do próprio governo.&lt;br /&gt;Em 1929, seis anos depois de ter abandonado a sua experiência governativa de dois meses, António Sérgio viu retomado o seu projecto ─ embora bastante adulterado nos seus objectivos ─ e criada a &lt;em&gt;Junta de Educação Nacional&lt;/em&gt; (JEN) pelo então ministro Gustavo Cordeiro de Ramos. Esta &lt;em&gt;Junta&lt;/em&gt; destinava-se “à promoção e auxílio da investigação científica em Portugal”. A melhoria do ensino ao nível básico foi também uma preocupação da JEN que atribuiu bolsas a professores para irem observar os sistemas de ensino no estrangeiro e, com essa experiência, poder introduzir-se as necessárias medidas correctivas no sistema de ensino nacional.Apesar das muitas críticas que se possam fazer à acção da JEN e ao &lt;em&gt;Instituto de Alta Cultura&lt;/em&gt; (IAC) que a substituiu em 1936, não há dúvidas que estas instituições criaram condições para que a ciência portuguesa se internacionalizasse. Falta de investimentos e uma continuada apatia nacional para com a ciência ─ partilhada tanto por políticos como por alguns intelectuais ─ fez que esta iniciativa se tivesse transformado em mais uma oportunidade perdida para um verdadeiro desenvolvimento científico, técnico e tecnológico do País.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-4952987470154571822?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/4952987470154571822/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=4952987470154571822&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/4952987470154571822'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/4952987470154571822'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2007/01/o-portugal-de-antnio-srgio.html' title='O Portugal de António Sérgio'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RbK1iFa5UkI/AAAAAAAAAC0/vWzpYjI04eo/s72-c/sergiooculosB%26W.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-8923681946090532680</id><published>2007-01-17T15:39:00.000Z</published><updated>2008-12-11T11:02:00.269Z</updated><title type='text'>As desventuras da ciência no Reino da Estupidez</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/Ra5HGVa5UjI/AAAAAAAAACo/rNilRyDDklw/s1600-h/new-1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5021028808719422002" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/Ra5HGVa5UjI/AAAAAAAAACo/rNilRyDDklw/s200/new-1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div&gt;Muitos pensam, com alguma razão, que a cultura científica é, ainda hoje, praticamente inexistente em Portugal. Embora as disciplinas científicas existam nos curricula do ensino obrigatório, os conhecimentos científicos rapidamente se desvanecem das mentes da maioria dos portugueses. A leitura dos poucos livros de divulgação científica é reduzida. Os princípios e os valores trazidos pela ciência, como vertente cultural, são genericamente desprezados pelos meios de comunicação social, pelos políticos e pelos cidadãos. Esta desvalorização da ciência vem de longe e a responsabilidade por esta situação deve atribuir-se às elites “ditas cultas” e não certamente às pessoas analfabetas e ignorantes. A ciência moderna, criação de mentes europeias do século XVII, foi ao longo da nossa história muito maltratada nas Igrejas, na Universidade e, em geral, nos meios cultos das várias épocas. Ela só entrou à força em Portugal ─ o país a que António Ribeiro Sanches (1699-1783) chamava Reino Cadaveroso ─ imposta pelo Marquês de Pombal com a reforma do ensino. No entanto, mal este déspota iluminado foi afastado do poder (1777), veio a “viradeira” e as forças da reacção impuseram os velhos métodos escolásticos, que aliás eram mais conformes à maioria dos professores, dos alunos e da sociedade.&lt;br /&gt;Francisco de Melo Franco (1757 - 1823) ─ médico, escritor e poeta (heroico-satírico) brasileiro que estudou em Coimbra após a destituição do Marquês de Pombal ─ escreveu um livro (poema) dedicado a Portugal, intitulado o “Reino da Estupidez”, que circulou como manuscrito desde 1785 e foi impresso anonimamente em Paris em 1818, 1820 e 1821. O autor descreve a chegada ao reino da Lusitânia de cinco deuses ─ a Raiva, a Superstição, a Hipocrisia, o Fanatismo (que presidia) e a Estupidez ─ bem como os seus relatos depois de uma viagem prospectiva que realizaram na capital portuguesa. Os quatro primeiros deuses encontraram na vida lisboeta muitos seguidores o que lhes deu uma grande satisfação e foi para todos eles motivo de grande regozijo. A Estupidez reservou a sua acção para Coimbra, a cidade universitária, onde ainda se ensinava a anatomia humana demonstrando-a com a dissecação de carneiros!... Chegada à cidade dos doutores, a Estupidez pernoitou no mosteiro dos “Reverendos Cruzios” com grande regozijo destes. O reitor da universidade organizou-lhe uma procissão em que foi aclamada por estudantes e professores. Ao chegar à Universidade, todos lhe prestaram uma sentida vassalagem, todos recebendo a benção da deusa com promessas de protecção. Assim o documentou o nosso poeta:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;Em paz gozai (a Deosa assim profere,)&lt;br /&gt;Da minha protecção, do meu amparo.&lt;br /&gt;Eu gostosa vos lanço a minha bênção;&lt;br /&gt;Continuai, como sois, a ser bons filhos&lt;br /&gt;Que a mesma, que hoje sou, hei de ser sempre.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Diz-se que o grande poeta e matemático José Anastácio da Cunha (1744-1787) teria contribuído para o poema. Verdade ou não, o certo é que Anastácio da Cunha foi expulso da sua cátedra na universidade, onde tinha sido colocado pela mão do Marquês, e foi acusado de heresia pela Inquisição que o condenou a prisão ─ tal como aconteceu com Melo Franco ─ acabando os últimos anos da sua curta vida como professor de matemática na Casa Pia. Após a sua morte, o curso elementar de matemáticas que aí ensinou foi traduzido para francês por um dos seus discípulos, tendo sido muito elogiada no estrangeiro esta sua obra didática. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-8923681946090532680?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/8923681946090532680/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=8923681946090532680&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/8923681946090532680'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/8923681946090532680'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2007/01/as-desventuras-da-cincia-no-reino-da.html' title='As desventuras da ciência no Reino da Estupidez'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/Ra5HGVa5UjI/AAAAAAAAACo/rNilRyDDklw/s72-c/new-1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-5245377727201345848</id><published>2007-01-14T22:40:00.000Z</published><updated>2008-12-11T11:02:00.430Z</updated><title type='text'>Cultura e Ciência em Portugal</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/Raq0zFa5UgI/AAAAAAAAACE/7psIrpVqAV4/s1600-h/filosofoM.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5020023524379152898" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/Raq0zFa5UgI/AAAAAAAAACE/7psIrpVqAV4/s400/filosofoM.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A cultura dá a quem a possui os conhecimentos e os métodos que lhe permitem entender o mundo multi-facetado que o rodeia. Só através da cultura o homem pode ocupar, sem angústias nem receios, o seu lugar no universo dos acontecimentos, dos fenómenos, das expressões artísticas e das ideias. A cultura, pelas suas próprias limitações, não dará ao homem um completo conforto intelectual, estético e ético-moral, mas informá-lo-á sobre os limites dos seus sonhos e utopias e assisti-lo-á no alargamento desses limites.&lt;br /&gt;Seguindo a evolução dos conhecimentos humanos, o conceito de cultura tem evoluído ao longo dos tempos. O homem culto da Idade Média ou do Renascimento não é comparável ao homem culto moderno. No passado, a cultura baseava-se numa educação humanista e escolástica, e materializava-se nos conhecimentos gerais de história, literatura, arte e filosofia e em noções muito básicas sobre o mundo e a natureza. Actualmente já não é culto quem não tiver conhecimentos de matemática, física, química, geologia, biologia, e das áreas científicas mais recentes como a electrónica e a fotónica.&lt;br /&gt;Sant’Anna Dionísio definia cultura como “uma síntese de sciência e da arte; é uma assimilação filosófica de todas as formas de saber e sentir”. Afirmava ainda que não se devia confundir com erudição, pois “o erudito é, mesmo, em regra, a negação e a caricatura mais lamentável do homem culto”. Para se cultivar, o homem necessita, ─ nesta perspectiva moderna e global de cultura ─ de respirar eflúvios impregnados de ciência e emanados das instituições de ensino científico e dos laboratórios, centros e institutos de investigação. Para além dos valores da cultura tradicional, o homem culto possuirá os valores de tolerância, seriedade e rigor que caracterizam a ciência. Ao integrar a ciência na sua cultura, o homem tornar-se-á mais justo, equilibrado e racional.&lt;br /&gt;Com o aparecimento da ciência moderna no séc. XVII, cedo se reconheceu a necessidade de integrar a ciência na cultura ou, noutras palavras, a importância do valor cultural da ciência. Desde então, houve cientistas e pensadores que achavam que o valor cultural da ciência suplantava o seu valor utilitário. Pasteur, que compreendeu bem o valor da ciência nas várias vertentes, afirmou:&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;A cultura das ciências na sua expressão mais elevada é talvez mais necessária ainda ao estado moral de uma nação do que à sua prosperidade material.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No dealbar do século XX, houve muitos intelectuais portugueses, incluindo cientistas, que ─ seguindo aliás uma tendência universal ─ atribuíam à vertente cultural e educativa da ciência maior importância do que à sua vertente utilitária.&lt;br /&gt;Tão distintiva é realmente a ciência, que houve ilustres pensadores que afirmaram ter sido ela a única coisa valiosa que a civilização ocidental tinha produzido. Bertrand Russel (1872-1970) afirmava que a cultura europeia, exceptuando a ciência, era um puro erro, e que a espiritualidade, que tinha sido tão cultivada, desenvolvida e enaltecida na Europa, era superada pela chinesa em tudo o que havia de essencial. A literatura, a arte e as várias criações de outras civilizações têm sido equiparadas às europeias, mas a ciência é unanimemente considerada uma criação, única e singular, da civilização ocidental. A sua prática e influência estendeu-se a todo o mundo e a todas as outras áreas de actividade humana. Capaz de conhecer a realidade autónoma da Natureza a ciência transformar-se-ia, segundo o positivismo de Augusto Comte, na principal força motriz da cultura e do progresso.&lt;br /&gt;Teófilo Braga, um dos grandes defensores e divulgadores do positivismo em Portugal, advogava com entusiasmo o poder superior da Ciência e do seu mais visível produto, a indústria científica. Com elas acabariam todas as arbitrariedades humanas:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Tanto a Sciencia como a Industria […] estão destinadas como consequência do seu desenvolvimento a tomarem conta do destino da sociedade substituindo as duas formas caducas e atrazadas do Poder espiritual dos dogmas, e do poder temporal das dynastias. […] Sciencia e Industria são as formas racionaes que hãode substituir esses dois poderes empiricos e abusivos que se exercem como peias, com uma acção repressiva da evolução das sociedades.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O mundo teria um futuro próspero e as sociedades humanas aproximar-se-iam da perfeição se prosseguissem os ditames do desenvolvimento científico. Se conseguisse enveredar pela via das conquistas da ciência e da técnica, Portugal teria uma grande oportunidade para inverter a sua decadência, económica, social e moral.&lt;br /&gt;Esta concepção positivista da Ciência criou raízes na mente de muitos intelectuais portugueses de oitocentos. O sucesso que o positivismo teve em Portugal no fim do século XIX é reconhecido por Joaquim de Carvalho:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Depois da escolástica, nenhuma outra teorização penetrou tão extensa e profundamente no ambiente cultural português como o positivismo, entendido como filosofia nos limites da ciência.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Algumas franjas do positivismo resvalaram, porém, para terrenos movediços e lamacentos. As teorias do &lt;em&gt;cientismo&lt;/em&gt;, de cariz materialista, e os aproveitamentos políticos que delas se fizeram, despoletaram fortes reacções não só nos meios religiosos como também em espíritos dotados de uma maior independência intelectual. Estas reacções conduziram, pelos seus próprios excessos, a um anti-positivismo irracional, propalado pelo movimento irracionalista em sectores intelectuais europeus e americanos, que teve igualmente algum eco em Portugal. Em 1927 foi lançada &lt;em&gt;A Presença&lt;/em&gt;, a revista do movimento modernista literário português, fundada e dirigida por José Régio. Perante um certo desencanto geral sobre o valor da ciência José Régio colocava-se na crista da onda dos críticos da ciência ao escrever o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Senhora Dona Ciência, o seu nariz é curto. E os seus olhos não vão mais longe do que a ponta do seu nariz. As suas descobertas… não foram feitas por si. Os seus códigos são provisórios ─ como sabe. As suas explicações não provam nada, porque de resto nada se prova. E o pior é que nem explicam! Se eu fôr capaz de ver, tão real e perfeitamente como vejo o meu próprio corpo, o corpo de uma pessoa inexistente ou desaparecida, ─ que me explica a ciência chamando a isso uma alucinação? E como me prova que essa pessoa que eu vejo não existe? É por meio dos sentidos do meu corpo que me apercebo do meu corpo. E é também por meio dos sentidos do meu corpo que me apercebo dêsse outro corpo … irreal. […]&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Reconhecendo, apesar de tudo, alguma utilidade à ciência, José Régio remata com alguma displicência:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Resumindo: a sciência não passa duma constatação de alguns fenómenos ─ cuja utilização presta, decerto, grandes serviços ao homem. Mas essa própria constatação é provisória e contingente. Em verdade, a sciência nada pode afirmar ou negar. E só avança … através de criadores que até certo ponto a desmentem. Pode assim, por hipótese, avançar ilimitadamente ─ mas outras actividades avançarão ilimitadamente adiante dela.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Para José Régio e a geração “presentista” como Jorge de Lima “a poesia está acima dos leitores, da política, da ciência, da filosofia” … Para estes intelectuais, a ciência tinha limites e mostrava ser pouco útil para a cultura individual e colectiva.&lt;br /&gt;Apesar de todo o criticismo a que foi sujeita, a ciência mostrou nas décadas seguintes toda a sua valia, tanto durante a guerra como, e sobretudo, durante a paz. Os grandes blocos políticos tentaram assentar a sua hegemonia na ciência e tecnologia.&lt;br /&gt;O bem estar e qualidade de vida que a ciência lhes proporcionava não foi porém suficiente para calar os seus detractores. Na década de1980, um novo movimento irracionalista surgiu na forma de movimento pós-modernista e que teve seguidores em Portugal. O sociólogo Boaventura de Sousa Santos escreveu um livro polémico intitulado &lt;em&gt;Um Discurso sobre as Ciências&lt;/em&gt; (1987), onde afirma o seguinte: &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;A ciência moderna não é a única explicação possível da realidade e não há sequer qualquer razão científica para a considerar melhor que as explicações alternativas da metafísica, da astrologia, da religião, da arte ou da poesia.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A força da ciência é tal que dificilmente será perturbada no seu percurso civilizacional pelas críticas pós-modernistas de um sociólogo português.&lt;br /&gt;Num país cientificamente atrasado é pena que haja intelectuais que reduzam a importância da ciência à da astrologia… &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-5245377727201345848?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/5245377727201345848/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=5245377727201345848&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/5245377727201345848'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/5245377727201345848'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2007/01/cultura-e-cincia-em-portugal.html' title='Cultura e Ciência em Portugal'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/Raq0zFa5UgI/AAAAAAAAACE/7psIrpVqAV4/s72-c/filosofoM.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-8833354552924180239</id><published>2007-01-11T12:15:00.000Z</published><updated>2008-12-11T11:02:00.539Z</updated><title type='text'>A ociosidade e outros defeitos dos portugueses</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RakBa1a5UeI/AAAAAAAAABs/zGUu0wDPXR8/s1600-h/Bight-Side-BeachM.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5019544820209242594" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RakBa1a5UeI/AAAAAAAAABs/zGUu0wDPXR8/s400/Bight-Side-BeachM.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Diz-se que a ociosidade ou, mais prosaicamente, o desejo de não fazer nada é uma das más qualidades dos portugueses. A sua origem genética ou cultural é discutível, não havendo ainda provas convincentes a favor de uma ou outra hipótese. Numa perspectiva religiosa, esta particularidade portuguesa poderia muito bem ser uma fuga à sentença proferida por Deus-Pai no momento em que expulsou Adão e Eva do Paraíso e impôs a Adão que apenas sobreviveria à custa do “suor do seu rosto”.&lt;br /&gt;Muitos analistas da realidade portuguesa identificaram a ociosidade como predicado lusitano e ainda descobriram outras qualidades que os economistas modernos consideram muito ruinosas para a produtividade nacional. Antero de Quental (1842-1891), pensador e poeta , chegou ao ponto de afirmar que “a ociosidade é o ideal dos portugueses, mesmo daqueles que trabalham”. Em sua opinião, esta aversão pelo trabalho era uma herança do “nosso espírito guerreiro de nação conquistadora”:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Os netos dos conquistadores de dois mundos podem, sem desonra, consumir no ócio o tempo e a fortuna, ou mendigar pelas secretarias um emprego: o que não podem, sem indignidade, é trabalhar! Uma fábrica, uma oficina, uma exploração agrícola ou mineira, são coisas impróprias da nossa fidalguia.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Imune à crítica de Antero, a ociosidade portuguesa parece ter-se mantido vigorosa até hoje. Ela afecta não só a produtividade, levando à estagnação económica e cultural, mas também a curiosidade, conduzindo ao desinteresse e à indiferença pela ciência. Era o que pensava Rocha Peixoto (1866-1909) que, perante a falta de curiosidade científica dos portugueses pelas explorações geológicas, desabafava no seu livro A Terra Portuguesa (1897):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Pae do Céu, em paiz cujo doce e facil conchego, n’um sólo fertil e sob um clima terno, nos concede esta rica immobilidade que vamos disfructando.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Comentando este texto um leitor anónimo escreveu à mão em 1969 a seguinte nota:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sim num paiz de preguiçosos com horror ao saber, a maior parte da população fanatizada pela crença contenta-se em rezar ou em coisas que a não obriguem a puxar muito pelo cérebro…&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Ligadas à ociosidade encontram-se habitualmente outras perniciosas qualidades… De entre elas, destaca-se a pusilanimidade de carácter que, de acordo com a opinião de Augusto Fuschini (1834-1911) expressa em 1899, era uma das piores e mais profundas qualidades dos portugueses. Períodos longos de falta de liberdade, regimes autoritários, “a hereditariedade, os exemplos, as perseguições e o medo” expungiram “da alma nacional as enérgicas qualidades dos guerreiros e dos navegadores das primitivas eras heróicas da nossa história”. Junte-se a tudo isto “ a resignação levada até ao fatalismo, a inconsciência dos direitos individuais […], a desconfiança recíproca, a inveja, manifestando-se pela maledicência e pela intriga, a subserviência medrosa e hipócrita nos inferiores, a vaidade tirânica nas elevadas posições” e teremos uma imagem fiel do povo português, uma raça fraca, deprimida e atrasada. Para além deste longo rol de graves defeitos, Guerra Junqueiro (1850-1923) encontrou ainda nos portugueses outros, não menos graves:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O português, apático e fatalista, ajusta-se pela maleabilidade da indolência a qualquer estado ou condição. Capaz de heroísmo, capaz de cobardia, toiro ou burro, leão ou porco, segundo o governante. Ruge com Passos Manuel, grunhe com D. João VI. É de raça, é de natureza. Foi sempre o mesmo.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Também Diogo Pacheco de Amorim (1888-1976) acrescentou às nossas mais genuínas qualidades a devastadora negligência:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;É do nosso feitio, costume e creio que natureza, fazer hoje só aquilo que de todo em todo se não pode deixar para amanhã. A negligência é a tara mais generalizada na nossa raça. A um povo tão fundamente ferido por este mal, é loucura pedir um esforço aturado e voluntário.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;No meio deste negro cenário houve quem enxergasse no carácter português um resquício de redenção. Américo Pires de Lima (1886-1966) opinava que os portugueses só na sua terra eram preguiçosos, ociosos e negligentes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O Português só é capaz de desenvolver todos os seus recursos, que são inesgotáveis, quando longe da terra onde nasceu. Em competência com o estrangeiro desenvolve uma energia e um espírito de iniciativa absolutamente notáveis. Entregue a si próprio, no meio em que nasceu e se criou, deita-se a dormir o sono dos bem-aventurados …&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Para este médico e professor, a culpa era naturalmente do “jardim à beira mar plantado”! … Sendo assim, a solução para reabilitar os portugueses passaria por transformar o “jardim” numa “horta” ou numa “oficina” ou ─ se tal não for possível ─ dispersar toda a raça pelo mundo ! … O “Quinto Império” proclamado pelo Pe. António Vieira e por Fernando Pessoa talvez pudesse deixar de ser uma utopia transformando-se numa fantástica realidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-8833354552924180239?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/8833354552924180239/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=8833354552924180239&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/8833354552924180239'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/8833354552924180239'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2007/01/ociosidade-e-outros-defeitos-dos.html' title='A ociosidade e outros defeitos dos portugueses'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RakBa1a5UeI/AAAAAAAAABs/zGUu0wDPXR8/s72-c/Bight-Side-BeachM.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-3695006562901205449</id><published>2007-01-09T17:51:00.000Z</published><updated>2008-12-11T11:02:00.690Z</updated><title type='text'>O Espiritismo e a Ciência</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RaPXT54i-WI/AAAAAAAAAAk/3cOvIi5ORko/s1600-h/Fotografia+Espirita+mumlermrsfrenchhires+R.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5018091146776344930" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RaPXT54i-WI/AAAAAAAAAAk/3cOvIi5ORko/s320/Fotografia+Espirita+mumlermrsfrenchhires+R.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O espiritismo "experimental” moderno surgiu nos Estados Unidos em 1848 após os acontecimentos “espíritas” ocorridos na casa da família Fox, em Hydesville. Após várias noite de assombramento, causado por um suposto espírito que se movia na casa da referida família, as duas filhas mais jovens do casal, Margarida e Catarina de 10 e 7 anos respectivamente, conseguiram entrar em diálogo com o barulhento hóspede em 31 de Março de 1848. Tanto os pais como os vizinhos testemunharam a comunicação estabelecida com o espírito e a paz que a partir daí reinou na casa Fox. Estas notícias despertaram uma grande curiosidade em todo o mundo tendo colocado os fenómenos espíritas no topo do interesse mediático da época. Seis anos mais tarde, em 1854 surgiu uma doutrina espírita bem elaborada, da autoria do célebre espírita francês Allan Kardec (1804-1869) que a divulgou através de livros e revistas periódicas dedicadas ao tema.&lt;br /&gt;Todo o espiritismo “experimental” assenta na possibilidade de contacto com os espíritos dos mortos que, durante as sessões controladas por um médium, supostamente se manifestam sob as mais variadas formas. O aparecimento de espíritos materializados em fotografias ─ as fotografias espíritas (transcendentais, psíquicas ou espectrais) ─ foi uma das manifestações que mais polémica suscitou entre crentes e não crentes, durante algumas décadas dos séculos XIX e XX. Houve processos judiciais por burla contra fotógrafos espíritas, terminando alguns em condenações e outros em absolvições por faltas de provas. Foram organizadas comissões, constituídas por pessoas respeitadas e credíveis, que se debruçaram sobre a questão das fotografias espíritas e do espiritismo em geral.&lt;br /&gt;De uma dessas comissões fez parte o físico Sir William Crookes (1832–1919), conhecido desde 1878 pelas suas experiências de descargas eléctricas em tubos onde fazia o vazio (tubos de Crookes) os quais foram usados em 1895 por Wilhelm Conrad Röntgen (1845-1923) na descoberta dos raios X.&lt;br /&gt;A princípio, o que mais notabilizou o inicialmente céptico William Crookes como estudioso do espiritismo durante seis anos foi um conjunto de experiências de levitação e de materialização com a intervenção do médium Daniel Dunglas Home (1833-1886). Mais tarde Crookes notabilizou-se pelas experiências que realizou em contacto directo com o suposto fantasma feminino Katie King, materializada por intervenção da médium Florence Cook, com quem se dizia que Crookes tinha uma relação amorosa. O ilustre físico falava com Katie e tirou-lhe dezenas de fotografias algumas das quais foram publicadas na imprensa da época. As mais famosas, porém, foram as fotografias em que aparecia ao lado da fantasmagórica Katie King o próprio Crookes.&lt;br /&gt;Terminadas as sessões com Katie ─ que “por razões puramente espirituais” teve de regressar definitivamente ao Além ─ William Crookes abandonou os estudos espíritas, deixando no entanto bem clara para a opinião pública a sua crença na realidade dos fenómenos espíritas. No seu livro Recherches sur les Phénomènes du Spiritism escreveu o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Tendo-me assegurado da realidade dos fenómenos espíritas, seria uma cobardia moral recusar-lhe o meu testemunho. Após 6 anos de experiências rigorosamente científicas não digo que os fenómenos são possíveis: digo que são reais.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Esta posição de Sir William Crookes transmitiu uma grande confiança aos crentes do espiritismo mas abalou a sua credibilidade científica no meio académico mais conservador.&lt;br /&gt;Perante os testemunhos de Crookes, e embora não soubesse explicar a natureza dos fantasmas, Hugo Rocha, jornalista e escritor portuense, não teve dúvidas em escrever:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Com a fácil coragem que me dá o testemunho austero de tantas sumidades e, sobretudo, daquelas cuja probidade e cuja sinceridade têm jus ao meu respeito e ao meu crédito, quero declarar que acredito na existência de fantasmas.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Embora o movimento espírita tenha tido (e continua a ter) seguidores em Portugal nunca foi um movimento muito forte e não se conhecem fotógrafos espíritas que se tivessem salientado como aconteceu noutros países. No ensaio que publicou em 1937 sob a forma de livro, com o título O Problema dos Fantasmas, Hugo Rocha não faz qualquer referência à actividade fotográfica espírita em Portugal.&lt;br /&gt;A Revista do Espiritismo, ao transcrever um convite feito pela Comissão de Estudos de Fotografia Transcendental a todos os fotógrafos espíritas do mundo, publicou em 1931 o seguinte texto:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Muitos desejaremos que os nossos Confrades que se interessam por este capítulo tão interessante dos estudos metapsíquicos, como é a fotografia transcendental, incitados pelos resultados brilhantes obtidos por vezes, sigam as instruções do Comité, publicadas no numero anterior desta revista e iniciem experiências segundo essas indicações.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ao repetir o apelo da Comissão em 1932, escreveu-se na mesma revista o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Transcrevemo-lo, pois, certos de que, no nosso meio, ele despertará o interesse que merece, o que permitirá talvez a apresentação de alguns trabalhos portugueses àquela importante colectividade científica de que é Presidente o Dr. Foveau de Courmelles.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Na mesma revista ainda, era reproduzida, em 1933, uma entrevista, que já tinha sido publicada em 1908 na Illustração Portugueza, feita a um pioneiro do Espiritismo em Portugal, Fernando de Lacerda, onde aparecem algumas fotografias em que este espírita se encontra rodeado de vultos fantasmagóricos retratando escritores portugueses já “desencarnados” (mortos). Estas fotografias que aparecem nas duas publicações parecem não ser fotografias transcendentais genuínas mas apenas montagens fotográficas para ilustrar o texto. Mostram de forma clara como era fácil realizar fraudes fotográficas e é de admirar que ainda houvesse, entre os nossos avós, quem acreditasse na realidade dos fantasmas nelas retratados.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-3695006562901205449?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/3695006562901205449/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=3695006562901205449&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/3695006562901205449'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/3695006562901205449'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2007/01/o-espiritismo-e-cincia.html' title='O Espiritismo e a Ciência'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RaPXT54i-WI/AAAAAAAAAAk/3cOvIi5ORko/s72-c/Fotografia+Espirita+mumlermrsfrenchhires+R.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-7575395489378934707</id><published>2007-01-07T17:38:00.000Z</published><updated>2008-12-11T11:02:00.853Z</updated><title type='text'>Os velhos medos causados pela Ciência</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RaExMp4i-VI/AAAAAAAAAAY/rKHDBTljMcc/s1600-h/paraiso.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5017345553338661202" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RaExMp4i-VI/AAAAAAAAAAY/rKHDBTljMcc/s320/paraiso.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Há apenas três séculos e meio, a Ciência era considerada por muitos portugueses uma actividade perigosa tanto para a alma como para o corpo.&lt;br /&gt;No &lt;em&gt;Sermão nas Honras do Serenissimo Principe de Portugal Dom Theodosio, que fez o reverendo cabido da Santa Sè do Porto em 28. de Iunho de 1653&lt;/em&gt;, pregado pelo doutor Jerónimo Ribeiro de Carvalho, lente de Sagrada Teologia da Universidade de Coimbra, pode ler-se, a propósito da morte prematura do saudoso príncipe, o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Hum dos maiores engenhos deste seculo, advertio primeiro que eu o considerasse, bem que o tinha eu já considerado, não antes delle o ter advertido, mas antes de nelle o ter lido, advertio, que no paraiso dera frutos de morte a arvore da sciencia, &amp; que na arvore da sciencia puzera Deos os frutos da mortalidade. De novo vos advirto eu, que no dia em que se come a sciencia, se comeo a morte. &lt;/em&gt;[…] &lt;em&gt;Se se não morre na mesma hora em que se come a sciencia, moresse no mesmo dia; não podem os sabios contar dous dias bõs, hum em que saibam, outro em que vivão, nem ainda hum em que vivão, &amp; saibão, se não, que já não vivem no dia em que sabem no dia em que alcanção a sciencia, nesse dia os alcãça a morte. Todas as cousas comidas sabem ao que são: a sciencia comida sabe á morte, sabe ao que não he, se he de sciencia o mãjar, he da morte o sabor; come se sciencia, gostase morte. A arvore da sciencia, era da sciencia do bem, &amp; mal, porque no mesmo pomo se comia o bem da sciencia, &amp;amp; o mal da morte. Lá comeo o Propheta Evangelico em seu Apocalypse hũm volume, &amp; amargoulhe no estomago: amaricatus est venter meus. Comei lá os livros, que ao comer dos livros, se seguem amarguras de morte. &lt;/em&gt;[…] &lt;em&gt;Antipatias tem entre si a sciencia, &amp;amp; a vida. &lt;/em&gt;[…]&lt;em&gt;. Se tomastes o atalho da sciencia, ahi achareis hũ spiritu [querubim] sabio, que vos atalhe a vida&lt;/em&gt;[…]&lt;em&gt;. Vem a ser o melhor remédio pera viver muito o entender pouco: que vitaes saõ os nescios! Que mortaes os entendidos! Como vi Theodosio muito entendido, logo o sospeitei muito mortal, a sua muita discrição lhe foi julgada mui pouca vida.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ser ou querer ser sábio foi a razão da morte prematura do príncipe Teodósio… Com tão grande evidência da incompatibilidade entre ciência e vida, qual dos ouvintes e leitores do teólogo da Universidade de Coimbra desejaria dedicar-se ao estudo das ciências? Na verdade, o jovem príncipe Teodósio, filho primogénito de D. João IV, morreu de tuberculose. Só não pôde salvar-se porque a Ciência ainda não tinha desenvolvido os meios terapêuticos que actualmente existem.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-7575395489378934707?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/7575395489378934707/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=7575395489378934707&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/7575395489378934707'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/7575395489378934707'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2007/01/os-velhos-medos-causados-pela-cincia.html' title='Os velhos medos causados pela Ciência'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RaExMp4i-VI/AAAAAAAAAAY/rKHDBTljMcc/s72-c/paraiso.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-7233021867549913538</id><published>2007-01-05T19:34:00.000Z</published><updated>2008-12-11T11:02:00.974Z</updated><title type='text'>A Poesia Científica</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RZ6rPp4i-UI/AAAAAAAAAAM/sIM24qI6PKU/s1600-h/paisagem1M.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5016635320366725442" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RZ6rPp4i-UI/AAAAAAAAAAM/sIM24qI6PKU/s320/paisagem1M.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No ano de 2006 falou-se muito de Rómulo de Carvalho (1906-1997) a propósito do centenário do seu nascimento. Em 2007, deveria continuar a falar-se dele a propósito dos dez anos da sua morte.&lt;br /&gt;Rómulo de Carvalho foi uma das grandes personalidades que prestigiaram a cultura portuguesa do séc. XX, tendo-se distinguido como pedagogo, historiador da ciência e também como poeta. Com o pseudónimo António Gedeão cultivou o género da poesia científica e todos nós temos na memória poemas como a “pedra filosofal” ou “lágrima de preta”…&lt;br /&gt;A poesia científica, uma abordagem poética dos temas científicos, existiu desde a Antiguidade tendo sido uma forma preferencial de comunicação de muitos filósofos antigos. Hesíodo (séc. VIII a. C.), o pai da poesia didáctica grega, na sua Teogonia relaciona os mitos e os deuses, tendo descrito no início deste poema a emergência da Terra a partir do Caos. Em Os Trabalhos e os Dias descreve a vida do campo e as actividades agrícolas e a sua ligação à meteorologia e à astronomia. O filósofo e poeta romano Lucrécio (séc. I. a.C.) escreveu De Rerum Natura onde expõe a teoria atómica epicurista. As Georgias de Virgílio (70 a.C.-19 a.C.) são um poema em louvor da Natureza e da vida campestre, envolvendo conhecimentos das Ciências Naturais. Em Il Convivio (1304–7), o poeta Dante Alighieri (1265–1361) estabelece uma analogia entre as esferas celestes da cosmologia grega e as ciências cultivadas no seu tempo, exprimindo ainda as teorias cosmológicas cristãs suas contemporâneas. No século XVI, o francês Guillaume du Bartas escreveu La Sepmaine ou la création du monde, de 1578, um poema cosmológico inspirado na Bíblia, e em 1584 a Seconde Sepmaine, uma cronologia poética desde Adão até ao julgamento final. Camões escreveu belos versos n’Os Lusíadas abordando temas científicos.&lt;br /&gt;Foram, porém, os poetas ingleses que no século XVII tentaram aproximar o Homem à Natureza através da poesia: John Milton (1608-1674) com L’Allegro e Il Penseroso, John Philips (1676-1709) com Cyder: A Poem in Two Books (1708) e James Thomson (1700-1748) com The Seasons (1726-30). Outros como Alexander Pope (1688-1744), Albrecht von Haller (1708-1777), Salomon Gessner (1730-1788), Jean-François de Saint-Lambert (1716-1803), Edward Young (1683-1765) e Jacques Delille (1738-1813) contribuíram para este género de poesia, onde a vida campestre, a beleza bucólica e os novos conhecimentos da Natureza eram cuidadosamente cantados.&lt;br /&gt;Este movimento poético teve seguidores, mais ou menos diligentes, em Portugal. António Ribeiro dos Santos (1745-1818), o Elpino Duriense, aborda temas científicos nos poemas compilados em Poesias de Elpino Duriense. O grande poeta Bocage para além de traduzir poemas científicos, integrou elementos científicos nos seus próprios poemas. Poetas como Luís Rafael Soyé (1760-1828), utilizou a temática científica em Noites Josefinas de Mirtilo. A marquesa de Alorna, Leonor de Almeida Lorena e Lencastre (1750-1839), com pseudónimo poético de Alcipe, foi uma praticante entusiástica da poesia científica, como confirmam as suas obras poéticas compiladas e publicadas pelas filhas em 1844. Tão forte foi a sua intervenção na divulgação científica através da poesia que se afirmou, talvez com algum exagero, que “a obra de Alcipe/Leonor de Almeida merece ser aferida e evidenciada no contexto europeu do pensamento científico feminino da sua época”.&lt;br /&gt;Os poemas científicos do Pe. José Agostinho de Macedo ─ A Meditação (1813) e Newton (1813), refundido e aumentado na Viagem Extática ao Templo da Sabedoria (1830) ─ são literariamente pobres, sem inspiração e sem ciência… Não é contudo unânime esta opinião, mas as constantes contradições, e sinuosidades teóricas, umas vezes defendendo outras vezes ultrajando os “filósofos modernos”, dão ao autor muito pouca credibilidade em questões de Ciência, pelo menos.&lt;br /&gt;Inspirado no Système du Monde de Laplace, Soares de Passos (1826-1860) escreveu uma ode ao Firmamento (1854?) ─ considerado na época como o maior monumento poético português do séc. XIX ─ e Antero de Quental (1842-1891) uma ode As Estrelas, que teria sido escrita na Figueira da Foz em 1860 de acordo com a opinião de Teófilo Braga.&lt;br /&gt;Guerra Junqueiro (1850-1923), o famoso poeta de Os Simples e de A Vida do Padre Eterno, escreveu também poemas com temática científica. A “poesia científica” de Guerra Junqueiro suscitou porém críticas opostas. Egas Moniz afirma que “a nota científica anda em «Os Simples» por toda a parte, mas tão deliciosamente disfarçada que a maior parte dos leitores nem atentam nela”. Por outro lado, José Pecegueiro declara, a propósito da ciência e da poesia, que “abundam páginas de ciência que poderiam considerar-se autênticos poemas; o que não é, evidentemente, o mesmo que afirmar a legitimidade desse monstro bicéfalo a que se deu o nome de poesia científica ─ que Junqueiro pretendeu realizar, entre nós, e que acabou por não ter sombras nem de poesia, nem de ciência […] A chamada poesia científica de Junqueiro é quase sempre zum-zum”… António Lobo Vilela afirma que “Junqueiro e Gomes Leal vislumbraram a poesia científica, embora a não tivessem cultivado”.&lt;br /&gt;Dos poetas mais recentes que escreveram poesia científica é de salientar o já citado António Gedeão (Rómulo de Carvalho) e a poeta viva Regina Gouveia. Tanto Rómulo de Carvalho como Regina Gouveia licenciaram-se em Ciências Físico-Químicas pela Universidade do Porto, confirmando a ideia de que a cidade do Porto sempre foi um alfobre de excelentes poetas…&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-7233021867549913538?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/7233021867549913538/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=7233021867549913538&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/7233021867549913538'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/7233021867549913538'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2007/01/poesia-cientfica.html' title='A Poesia Científica'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_5W0v9CS79U8/RZ6rPp4i-UI/AAAAAAAAAAM/sIM24qI6PKU/s72-c/paisagem1M.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5803050120501515091.post-1122603935789236387</id><published>2007-01-03T18:38:00.000Z</published><updated>2007-01-03T18:47:30.287Z</updated><title type='text'>O jardim à beira mar plantado</title><content type='html'>&lt;em&gt;Jardim da Europa, à beira mar plantado&lt;br /&gt;De loiras e d’acácias olorosas;&lt;br /&gt;De fontes e d’arroios serpeado,&lt;br /&gt;Rasgado por torrentes alterosas;&lt;br /&gt;Onde n’um cêrro erguido e requeimado&lt;br /&gt;Se casam em festões jasmins e rosas;&lt;br /&gt;Balsa virente d’eternal magia,&lt;br /&gt;Onde as aves gorgeam noite e dia!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;[…]&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Qual no deserto o lasso viandante&lt;br /&gt;Vai no oásis sentar-se ao fim do dia,&lt;br /&gt;Achando extenuado, e arquejante,&lt;br /&gt;Verdor, fontes, aroma, e harmonia;&lt;br /&gt;E n’aquella atmosphera inebriante&lt;br /&gt;Se alimenta, se farta, se extasia;&lt;br /&gt;Tal és do sol oásis reservado,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Jardim da Europa, à beira-mar plantado!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez o “jardim à beira mar plantado”  que o poeta Tomás Ribeiro (1831-1901) tão bem imortalizou na introdução do poema D. Jaime (1862), esteja no subconsciente do povo português desde que precisou de descansar do heróico esforço dos Descobrimentos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5803050120501515091-1122603935789236387?l=oholoscopio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oholoscopio.blogspot.com/feeds/1122603935789236387/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5803050120501515091&amp;postID=1122603935789236387&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/1122603935789236387'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5803050120501515091/posts/default/1122603935789236387'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oholoscopio.blogspot.com/2007/01/o-jardim-beira-mar-plantado.html' title='O jardim à beira mar plantado'/><author><name>Luís Bernardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16531182244583228940</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
